Simplesmente
Como Jesus
Max Lucado
Que tal se por vinte e quatro horas Jesus se levantasse de sua cama, andasse com seus sapatos, vivesse em sua casa, e seguisse seu horário? Seu chefe seria o chefe dEle, sua mãe seria a mãe Dele, suas dores seriam as dEle?
Com uma exceção, nada em sua vida muda. Sua saúde não muda. Suas circunstâncias não mudam. Seu horário não se altera. Seus problemas não se resolvem. Só ocorre uma mudança.
Que tal se, por um dia e uma noite, Jesus vivesse sua vida com o coração dEle? O coração que você tem no peito tem o dia livre e sua vida é dirigida pelo coração de Cristo. As prioridades dEle governam suas ações.
As paixões dEle impulsionam suas decisões. O amor de Cristo dirige sua conduta.
Betânia/Editorial Caribe, 1999
Título em inglês: Just Like Jesus
Tradução para o espanhol: Miguel Mesías
Tradução do espanhol realizada por Daniela Raffo,
Terminada em sexta-feira, 14 de março de 2008,
13:25:26
Revisão final: SusanaCap

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NOTA DA TRADUTORA:
Todas as citações bíblicas foram extraídas das
versões:
ACF: Almeida Corrigida e Revisada, Fiel ao Texto
Original
PJFA: João Ferreira de Almeida Atualizada
Esses textos aparecerão em itálico. Os textos bíblicos
que não estão em itálico nem com a indicação de sua fonte, foram traduzidos
diretamente do texto original espanhol.
Ao pessoal da Igreja de
Cristo de Oak Hills
"Porque Deus não é
injusto para se esquecer da vossa obra, e do trabalho do amor que para com o
seu nome mostrastes, enquanto servistes aos santos; e ainda servis". Hebreus
6.10 (ACF)
* * *
Sumário
Querido Amigo
O quarto de onde escrevo é diferente. A apenas
uns poucos meses estas paredes eram brancas. Agora são verdes. A pouco tempo,
as janelas estavam enfeitadas com cortinas; hoje estão com venezianas. Minha
cadeira costumava ficar sobre um tapete cor de canela, que agora é branco. Para
ser franco, eu não tinha nenhum problema com o tapete canela. Para mim estava
bom. Tampouco tinha objeção para as paredes e cortinas brancas. Do meu ponto de
vista, a casa estava boa do jeito que estava.
Mas não da perspectiva de minha esposa.
Denalyn adora decorar. Melhor dizendo, ela tem que decorar. Não pode deixar uma
casa sem mudanças, assim como o artista não pode deixar uma tela sem pintar,
nem o músico pode deixar uma canção sem cantar.
Felizmente ela limita seu trabalho de
remodelação ao que temos. Nunca move os móveis nos hotéis, nem reorganiza os
quadros nas casas dos amigos. (Mesmo que se sinta tentada a fazê-lo.) Remodela
o que possuímos; mas lembre o que digo: o que é nosso ela remodelará. Para
Denalyn não é suficiente ter uma casa; ela tem que mudar a casa.
Quanto a mim, estou contente tendo uma casa.
Meus gostos são, por assim dizer, menos refinados. No meu modo de ver, uma
cadeira e um refrigerador são equivalentes para receber um prêmio por decoração
de ambientes. Para mim, a tarefa de Hércules é comprar a casa. Uma vez que a transação
está finalizada e a casa comprada, estou preparado para me mudar e descansar.
Mas para Denalyn não é assim. Assim que a
tinta das assinaturas secam nas escrituras, ela está se mudando e remodelando. Me
pergunto se ela herdou esse traço de seu Pai, o Pai celestial. Acontece que
Denalyn vê uma casa da mesma maneira como Deus vê uma vida.
Deus adora decorar. Deus tem que decorar.
Deixe-o viver por tempo suficiente em um coração, e esse coração começará a mudar.
Os retratos de feridas serão substituídos por paisagens de graça. A paredes de
ira serão demolidas e os alicerces fracos restaurados. Deus não pode deixar uma
vida sem mudar, assim como uma mãe não pode deixar sem tocar a lágrima de seu
filho.
Não é suficiente para Deus ser seu dono; Ele
quer mudá-lo. Onde você e eu nos daríamos por satisfeitos com uma poltrona e um
refrigerador, Ele recusa se conformar com qualquer moradia que não seja um
palácio. É sua casa. Não há gastos a serem regulados. Não há atalhos a tomar.
«E qual a suprema grandeza do seu poder
para conosco, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder» (Efésios
1.19, PJFA).
Isso talvez explique algo do desconforto em
sua vida. A remodelação do coração nem sempre é agradável. Não objetamos quando
o Carpinteiro acrescenta umas poucas prateleiras, mas Ele adora demolir a ala
esquerda por inteiro. Ele tem aspirações muito altas para você. Deus vislumbra
uma restauração completa. Não retrocederá até que tenha concluído. Não
terminará até que tenhamos sido «feitos conformes à imagem de seu Filho» (Romanos
8.29).
Seu Criador está refazendo você à imagem de
Cristo. Quer que você seja como Jesus. Este é o desejo de Deus e o tema deste livro.
Antes de continuar, posso
fazer uma pausa e lhe dizer obrigado? Passar estes momentos com você é um
privilégio, e quero que saiba que estou muito agradecido pela oportunidade.
Minha oração por todos os que lerem este livro é singela. Que Deus abra seus
olhos para que possam ver a Jesus; e ao vê-lo, que você veja o que foi chamado
a ser.
Também gostaria de lhes apresentar algumas
pessoas que tornaram possível este livro. Esta é uma saudação a alguns amigos
queridos:
A Liz Heaney e a Karen Hill; poucos editores
podem recortar e colar com tal destreza e amabilidade. Obrigado de novo por
outro trabalho corajoso.
A Esteban e Cheryl Green; só o fato de tê-los
por perto simplifica meu mundo. Obrigado por tudo o que fazem.
À maravilhosa família cristã da igreja do Oak
Hills; mesmo que alguns possam questionar seu gosto por um pastor principal, o
carinho que vocês têm por este é apreciado. É uma década de trabalho juntos.
Que Deus nos conceda muitas mais.
A Scott Simpson. Que precisão! O momento foi
perfeito para ambos. Obrigado pela inspiração.
À hábil equipe da Casa Publicadora Word; mesmo
que em transição vocês são confiáveis e verdadeiros. Me honra estar incluído em
sua lista de nomes.
A minhas filhas: Jenna, Andrea e Sara; se no
céu faltam três anjos, eu sei onde encontrá-los.
A Kathy, Karl e Kelly Jordon; o nascimento
deste livro coincidiu com o falecimento de seu marido e pai, Kip. Na complicada
teia da publicação, sua figura se ergue por sobre as demais. Nunca poderá ser substituído,
e sempre será lembrado.
E, acima de tudo, a Denalyn; o que você tem
feito em nossa casa é nada, comparado com o que tem feito em meu coração. Decore-o
como quiser, meu bem.
1. Um Coração como o
Seu
Que aconteceria se por um dia Jesus se
convertesse em você?
Que tal se por vinte e quatro horas Jesus se
levantasse de sua cama, andasse com seus sapatos, vivesse em sua casa, e
seguisse seu horário? Seu chefe seria o chefe dEle, sua mãe seria a mãe Dele,
suas dores seriam as dEle? Com uma exceção, nada em sua vida muda. Sua saúde
não muda. Suas circunstâncias não mudam. Seu horário não se altera. Seus
problemas não se resolvem. Só ocorre uma mudança.
Que tal se, por um dia e uma noite, Jesus
vivesse sua vida com o coração dEle? O coração que você tem no peito tem o dia
livre e sua vida é dirigida pelo coração de Cristo. As prioridades dEle
governam suas ações. As paixões dEle impulsionam suas decisões. O amor de
Cristo dirige sua conduta.
Como seria? As pessoas notariam alguma
mudança? Sua família, veria algo novo? Seus colegas de trabalho, perceberiam
alguma diferença? Que tal os menos afortunados? os trataria da mesma maneira?
Que tal seus amigos? Detectariam mais alegria? Que tal seus inimigos?
Receberiam mais misericórdia do coração de Cristo que do seu?
E você? Como se sentiria? O que essa mudança alteraria
no seu nível de tensão? Em seu aspecto? Em suas explosões temperamentais?
Dormiria melhor? Veria o pôr-do-sol diferente? A morte? Os impostos?
Necessitaria de menos aspirinas e calmantes? Que tal sua reação às demoras no
trânsito? (Isso dói, não?) Temeria ainda o que hoje teme? Melhor ainda, continuaria
fazendo o que está fazendo?
Faria o que você planejou pelas próximas vinte
e quatro horas? Detenha-se e pense em seu horário. Obrigações, encontros,
saídas, compromissos. Com Jesus apoderando-se de seu coração, mudaria alguma
coisa?
Continue pensando nisto por um momento. Ajuste
a lente da sua imaginação até que tenha um quadro claro de Jesus guiando sua
vida, então aperte o obturador e fotografe a imagem. O que você vê é o que Deus
quer. Ele quer que você pense e atue como Jesus Cristo (Veja Filipenses 2.5).
O plano de Deus não é nada menos que um novo
coração. Se você fosse um carro, Deus iria querer controlar seu motor. Se fosse
um computador, Deus controlaria os programas e o disco rígido. Se fosse um
aeroplano, tomaria assento na cabine de comando. Mas você é uma pessoa, então
Deus quer mudar seu coração.
Paulo diz:
"E vos renoveis no
espírito da vossa mente; E vos revistais do novo homem [que é ter um novo coração], que segundo Deus é
criado em verdadeira justiça e santidade" (Efésios 4.23–24 ACF).
Deus quer que você seja como
Jesus. Quer que tenha um coração como o Dele.
Vou correr um risco. É perigoso resumir em uma
só declaração verdades grandiosas, mas vou tentar fazê-lo. Se uma frase ou duas
pudessem captar o desejo de Deus para cada um de nós, diria o seguinte:
Deus o ama tal como você é, mas se recusa a deixá-lo
assim. Ele quer que você seja simplesmente como Jesus.
Deus o ama tal como você é. Se pensa que Seu
amor por você seria maior, se a sua fé fosse maior, está enganado. Se pensa que
Seu amor seria mais profundo se os seus pensamentos o fossem, equivoca-se de
novo. Não confunda o amor de Deus com o carinho das pessoas. O carinho das pessoas
em geral aumenta com o desempenho e diminui com os enganos. Mas não é assim com
o amor de Deus. Deus o ama exatamente como você é. Cito o autor favorito de
minha esposa:
"O amor de Deus nunca
cessa. Jamais. Ainda quando o desprezamos, o ignoramos, o rejeitamos, o
menosprezamos, o desobedeçamos, Ele não muda. Nosso mal não pode diminuir Seu
amor. Nossa bondade não pode aumentá-lo. nossa fé não ganha Seu amor, assim
como a nossa torpeza não o incomoda. Deus não nos ama menos porque fracassamos,
nem mais porque triunfamos. O amor de Deus nunca cessa". [1]
Deus ama você tal como você
é, porém se recusa a deixá-lo assim.
Quando minha filha Jenna
tinha aproximadamente dois anos, eu costumava levá-la a um parque perto de
nosso apartamento. Certo dia ela estava brincando num monte de areia, e um
vendedor de sorvetes se aproximou. Comprei o doce, e quando me virei para
entregá-lo a ela, percebi que ela estava com a boca cheia de areia. Onde eu
queria pôr algo saboroso, ela tinha colocado terra.
A amei com sua boca suja? É claro
que sim. Era ela menos filha minha porque sua boca estava cheia de areia?
Lógico que não. Eu a deixaria com areia na sua boca? Nem pensar. Eu a amava
exatamente como ela era, porém me recusei a deixá-la como estava. A levei até
uma torneira e lhe lavei a boca. Por quê? Porque a amava.
Deus faz o mesmo conosco. Nos
carrega até a fonte. "Cuspa a terra, meu bem", nosso Pai nos insta.
"Tenho coisa melhor para você". Então nos limpa de nossa imundícia:
imoralidade, falta de honra, prejuízos, amargura, avareza. Não gostamos que nos
limpe; algumas vezes preferimos a terra em vez do sorvete. "Posso comer
terra se quiser!", proclamamos e nos acabrunhamos. O que é verdade;
podemos. Mas se o fizermos, nós é que sairemos perdendo. Deus tem uma oferta
melhor. Quer que sejamos como Jesus.
Não são boas notícias? Você
não está entalado em sua personalidade atual. Não está condenado ao "reino
dos resmungões". Você é maleável. Ainda que se tenha esmerado todos os
dias de sua vida, não precisa esforçar-se exageradamente o resto de sua vida. E
daí se você nasceu intolerante? Não precisa morrer assim.
De onde tiramos a idéia de
que não podemos mudar? De onde vêm afirmações como "A preocupação faz
parte da minha natureza", ou "Sempre fui pessimista. Eu sou assim mesmo",
ou "Tenho gênio ruim. Não posso evitar". Quem disse? Será que diríamos
coisas similares a respeito do nosso corpo? "É minha natureza ter uma
perna quebrada. Não posso fazer nada para evitar". Com certeza não. Se
nossos corpos funcionam mal, buscamos ajuda. Não deveríamos fazer o mesmo com
nossos corações? Não deveríamos procurar ajuda para nossas atitudes azedas? Não
podemos pedir tratamento para nossos ataques de egoísmo? Com certeza podemos;
Jesus pode mudar nossos corações. Ele deseja que ganhemos um coração como o
dEle.
Consegue imaginar uma oferta
melhor?
O CORAÇÃO DE CRISTO
O coração de Jesus foi puro.
Milhares adoravam o Salvador, porém Ele estava feliz com uma vida simples.
Havia mulheres que o atendiam (Lc 8:1-3), contudo jamais foi acusado de
pensamentos luxuriosos; sua própria criação o desprezou, porém voluntariamente
os perdoou, antes mesmo que pedissem misericórdia. Pedro, que acompanhou Jesus
por três anos e meio, o descreve como "um cordeiro sem mácula e sem
contaminação" (1 Pedro 1:19). Depois de passar o mesmo tempo com Jesus,
João concluiu: "não há pecado nEle" (1 Jo 3:5).
O coração de Jesus foi
pacífico. Os discípulos se preocuparam como a necessidade de alimentar milhares
de pessoas, mas Jesus não. Agradeceu a Deus pelo problema. Os discípulos
gritaram de medo diante da tempestade, mas Jesus não. Ele dormia. Pedro
levantou sua espada para enfrentar os soldados, mas Jesus não. Jesus levantou
sua mão para curar. Seu coração tinha paz. Quando seus discípulos o
abandonaram, Ele se zangou e foi embora? Quando Pedro o negou, Jesus perdeu a
paciência? Quando os soldados cuspiram no seu rosto, vomitou fogo sobre eles?
Nem pensar. Tinha paz. Os perdoou. Recusou a se deixar levar pela vingança.
Também recusou se deixar levar
por nada que não fosse seu chamado do alto. Seu coração estava cheio de
propósitos. A maioria das vidas não se planejam para nada em particular, e nada
conseguem. Jesus se planejou para uma única meta: salvar a humanidade de seus
pecados. Pôde resumir sua vida com uma frase: "o Filho do homem veio
buscar e salvar o que se havia perdido" (Lc 19:10, ACF). Jesus se concentrou de tal modo na sua
tarefa que soube quando devia dizer: "Ainda não é chegada a minha
hora" (Jo 2:4, ACF) e quando "Está consumado" (Jo
19:30, ACF). Mas não se concentrou em seu objetivo a ponto de ser desagradável.
Ao contrário. Que agradáveis
foram seus pensamentos! As crianças amavam sua companhia. Jesus pôde achar
beleza nos lírios, alegria na adoração e possibilidades nos problemas. Podia
passar dias com multidões de doentes e ainda sentir compaixão deles. Passou
mais de três décadas vadeando entre o lodo e o lamaçal de nosso pecado, e ainda
assim viu em nós suficiente beleza para morrer pelos nossos erros.
Mas o tributo que coroa a
Cristo é este: seu coração foi espiritual. Seus pensamentos refletiam sua
íntima relação com o Pai. "Estou no Pai, e o Pai em mim", afirmou (Jo 14:11, ACF).
Seu primeiro sermão registrado começa com as palavras: "O Espírito do
Senhor é sobre mim" (Lc 4:18, ACF). Era "conduzido Jesus pelo Espírito"
(Mt 4:1, ACF), e estava "cheio do Espírito Santo" (Lc 4:1, ACF). Do
deserto voltou "pela virtude do Espírito" (Lc 4:14, ACF).
Jesus recebia suas instruções
de Deus. Era seu hábito ir adorar (Lucas 4:16). Era seu costume memorizar as
Escrituras (Lucas 4:4). Lucas diz que Jesus "retirava-se para os
desertos, e ali orava" (Lc 5:16, ACF). Seus momentos de oração o guiavam. Uma vez
regressou depois de orar e anunciou que era tempo de passar para outra cidade
(Mc 1:38). Outro tempo de oração resultou na seleção dos discípulos (Lc
6:12-13). Jesus era guiado por uma mão invisível. "Tudo quanto ele
[o Pai] faz, o Filho o faz igualmente" (Jo 5:19, ACF). No mesmo
capítulo afirmou: "Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Como
ouço, assim julgo" (Jo 5:30, ACF).
O
coração de Jesus foi espiritual.
O CORAÇÃO DA HUMANIDADE
Nossos corações parecem estar
muito longe do de Jesus. Ele é puro; nós somos cobiçosos. Ele é pacífico; nós
somos veementes. Ele é cheio de propósitos; nós nos distraímos. Ele é
agradável; nós somos rebeldes. Ele é espiritual; nós nos apegamos a esta terra.
A distância entre nossos corações e o dEle parece ser imensa. Como poderemos
sequer pensar em ter o coração de Jesus?
Preparado para uma surpresa?
Já o tem. Você já tem o coração de Cristo. Por que está me olhando assim? Acha
que eu brincaria assim neste assunto? Se você está em Cristo, então já tem o
coração de Cristo. Uma das promessas supremas, e da qual nos apercebemos, é
simplesmente esta: se você entregou sua vida a Jesus, Jesus se deu a si mesmo.
Fez do seu coração a sua morada. Seria difícil dizer isso de uma forma mais
concisa do que Paulo: "Cristo vive em mim" (Gl 2:20, ACF).
Mesmo correndo o risco de ser
repetitivo, me permita voltar a dizer: se você já entregou sua vida a Jesus,
Ele mesmo se deu a você. Mudou-se para sua vida, desempacotou sua bagagem e
está pronto para mudá-lo "de glória em glória na mesma imagem" (2 Co 3:18, ACF). Embora
pareça estranho, os que cremos em Cristo na verdade temos dentro de nós uma
porção dos mesmos pensamentos e mente de Cristo (veja 1 Coríntios 2:16).
Estranho é a palavra. Se tenho a mente de Jesus, por que ainda
penso tanto como eu? Se tenho o coração de Jesus, por que ainda tenho as manhas
de Max? Se Jesus mora em mim, por que ainda detesto os engarrafamentos de
trânsito?
Parte da resposta está
ilustrada na história de uma senhora que tinha uma casinha perto de uma praia
na Irlanda, no princípio do século. Era bem acomodada, porém também muito
frugal. Por isso as pessoas se surpreenderam quando decidiu ser uma das
primeiras a ter eletricidade em sua casa.
Várias semanas depois da
instalação, um funcionário chegou à sua porta para ler o medidor. Perguntou-lhe
se a eletricidade estava funcionando bem, e ela assegurou-lhe que sim.
— Poderia me explicar uma
coisa? — disse o homem —. Seu medidor indica que não usou quase nada de
eletricidade. Você está usando-a?
— Mas é claro — respondeu ela
— Todas as noites, ao pôr-do-sol, ligo as luzes enquanto acendo as velas;
depois as desligo.[2]
Tinha instalado a
eletricidade, mas não a utilizava. Sua casa tinha as instalações, mas não havia
acontecido nenhuma mudança. Nós não cometemos o mesmo erro? Nós também, com
nossas almas salvas mas com corações sem mudança, estamos conectados, mas sem
alteração alguma. Confiamos em Cristo para a salvação, mas resistimos à
transformação. Ocasionalmente ligamos o interruptor, mas na maior parte do
tempo nos conformamos com as trevas.
Que aconteceria se
deixássemos a luz acessa? Que aconteceria se não só ligássemos o interruptor, mas
que vivêssemos na luz? Que mudanças sucederiam se nos dedicássemos a viver sob
o brilho de Cristo?
Na há dúvidas a respeito:
Deus tem um plano ambicioso para nós. O mesmo que salvou sua alma deseja
refazer seu coração. Seu plano é nada menos que uma transformação total: Paulo
diz que desde o princípio Deus decidiu moldar as vidas dos que o amam, de
acordo com a forma de seu Filho (veja Romanos 8:29).
Você se revestiu "do novo, que se renova para
o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou" (Colossenses 3:10,
ACF).
Deus
está disposto a mudar-nos à semelhança do Salvador. Aceitaremos sua oferta? Eu
sugiro o seguinte: Vamos imaginar o que significa ser como Jesus. Examinar atentamente
o coração de Cristo. Passar alguns capítulos considerando sua compaixão,
refletindo sobre sua intimidade com o Pai, admirando seu enfoque, meditando sobre
sua resistência. Como Ele perdoou? Quando orou? O que o tornava tão agradável?
Por que não desistiu? Fitemos "os olhos em Jesus" (Hb 12:2,
PJFA). Talvez ao fitá-lo, vejamos o que podemos chegar a ser.
"Suportando-vos uns aos
outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro;
assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também" Colossenses 3:13,
ACF
2. Ame as pessoas
com as quais está pregado
UM CORAÇÃO QUE
PERDOA
Ganhei meu primeiro bicho de
estimação como presente de Natal na minha infância. Em algum lugar tenho a foto
de uma cachorrinha chinesa de pelo castanho e branco, tão pequenina que cabia
na mão de meu pai, e encantadora, ganhou meu coração de oito anos. Lhe demos o
nome de Liz.
A carreguei no colo o dia
todo. Suas orelhas caídas me fascinavam, e seu nariz achatado me intrigava. Até
a levei comigo para a cama. Se ela tinha cheiro de cachorro? Eu achava seu
cheiro adorável. Se uivava e choramingava? Achava seus barulhos adoráveis. E se
fazia suas necessidades sobre meu travesseiro? Não posso dizer que achei isso
adorável, porém não me importava.
Mamãe e papai tinham falado
muito claramente que a condição para eu ficar com Liz, era que eu teria que cuidar
dela, e aceitei muito feliz. Limpava seu diminuto prato e abria uma lata de
comida para cachorros. No mesmo instante em que ela lambia a água, voltava
encher a cumbuca de água. Mantinha seu pelo bem escovado e sua cauda mexendo.
Em poucos dias, meus
sentimentos mudaram um pouco. Liz ainda era minha cachorrinha, e eu era seu
amigo, mas já estava farto de seus latidos, e ela parecia estar sempre com
muita fome. Mais uma vez meus pais tiveram que me lembrar: "Cuide dela. É sua
cadela".
Não gostava de ouvir essas palavras: sua
cadela. Não me importaria de ouvir: "a cadela com que você
brinca", ou "sua cadela quando você quer", ou até: "sua
cadela quando se comporta". Mas não eram essas as palavras de meus pais.
Diziam: "Liz é sua cadela". Ponto final. Na saúde e na doença. Na
pobreza e na riqueza. Quando estava limpa e quando fazia as coisas dela.
Então me veio a idéia: "Estou
pregado com Liz". A corte tinha acabado, tal qual lua de mel.
Estávamos juntos na mesma focinheira. Liz deixou de ser uma opção para ser uma
obrigação, de ser uma mascote para ser uma tarefa, de alguém com quem brincar para
alguém de quem cuidar.
Talvez você possa me entender.
É provável que reconheça a claustrofobia que vem com o compromisso. Só que, em
vez de lembrar você: "É sua cadela", o que dizem é: "É seu
esposo" ou "É sua esposa", ou "É seu filho, pai,
funcionário, chefe ou colega de quarto", ou qualquer outra relação que
requeira lealdade para sobreviver.
Tal permanência pode conduzir
ao pânico; pelo menos aconteceu isso comigo. Devia responder a algumas
perguntas duras. Posso tolerar a mesma cara com nariz achatado, peluda e com
fome todas as manhãs? (Vocês, esposas, sabem do que estou falando?). Vai
continuar latindo até eu morrer? (Algum filho ou filha compreende isto?). Ela
vai chegar a aprender a limpar sua própria desordem? (Ouço um "amém"
de alguns pais?).
PREGAFOBIA
Estas são as perguntas que
nos fazemos quando nos sentimos pregados a alguém. Existe uma palavra para
especificar esta condição. Ao consultar o dicionário médico de uma só palavra
(que escrevi no dia anterior a este capítulo), descobri que esta doença comum
chama-se "pregafobia" (Pregado quer dizer que você está
"aprisionado". Fobia é um sufixo que você agrega a qualquer palavra
que deseja que pareça impressionante. Leia em voz alta: Pregafobia). O Manual
de Max de Termos Médicos diz o seguinte a respeito dessa condição:
"Os ataques de
pregafobia limitam-se às pessoas que respiram, e tipicamente acontecem em algum
momento entre o nascimento e a morte. A pregafobia se manifesta com
irritabilidade, perda da paciência, e tendência a transformar um grão de areia
numa montanha. O sintoma mais comum das vítimas de pregafobia é a repetição de
perguntas que começam com quem, que e por quê: quem é esta pessoa? O que eu estava
pensando? Por que fiz caso de minha mãe?" [3]
Este prestigioso manual
identifica três formas para enfrentar a pregafobia: fugir, lutar ou perdoar.
Alguns optam por fugir: sair da relação e começar de novo em alguma outra
parte, mesmo que com freqüência se surpreendam ao ver que a condição aflora do
mesmo modo do outro lado da cerca. Outros lutam. Os lares convertem-se em zonas
de combate, os escritórios em ringues de boxe e a tensão chega a ser uma forma
de vida. Uns poucos, contudo, descobrem outro tratamento: o perdão. Meu manual
não tem modelo a respeito de como acontece o perdão, porém a Bíblia sim. Jesus
sabia o que se sente ao estar pregado com alguém. Por três anos andou com o
mesmo grupo. Em todos os lugares e a toda hora via a mesma dúzia ou pouco mais
de faces, na mesa, na fogueira noturna, o tempo todo. Viajavam no mesmo barco,
e andavam pelos mesmos caminhos, visitavam as mesmas casas e, me pergunto, como
Jesus pôde ser tão devotado para seus homens? Não só teve que suportar suas
visíveis extravagâncias, mas também teve de aturar suas bobagens invisíveis.
Pense nisso. Podia ouvir os pensamentos que eles não expressavam verbalmente.
Sabia de suas dúvidas mais íntimas; e não só isso, sabia de suas dúvidas
futuras. O que você acha de saber todos os erros que seus entes queridos
cometeram e todas as faltas que ainda não cometeram? O que você acha de saber o
que pensam a respeito de você, toda irritação, todo o que não lhes agrada, toda
traição?
Foi duro para Jesus amar a
Pedro, sabendo que Pedro num momento lançaria maldições contra ele? Foi duro
confiar em Tomé, sabendo que um dia duvidaria da sua ressurreição? Como Jesus resistiu
ao impulso de recrutar um novo grupo de seguidores? João queria destruir o
inimigo. Pedro mutilou a orelha de outro. Poucos dias antes da morte de Jesus,
seus discípulos discutiam qual deles era o melhor. Como pôde Ele amar pessoas tão
difíceis de serem agradáveis?
Poucas situações estimulam tanto
o pânico como se sentir aprisionado em alguma relação. Uma coisa é estar
pregado com um cachorro, porém algo completamente diferente é estar aprisionado
no matrimônio. Podemos zombar de termos risíveis como pregafobia, porém
para muitos isso não é assunto de riso. Por essa razão acho que é sábio que
comecemos nosso estudo do que significa ser como Jesus, meditando sobre seu
coração perdoador. Como Jesus pôde amar os seus discípulos? A resposta está no
capítulo treze de João.
COM TOALHA E BACIA
De todas as vezes que encontramos
Jesus com os joelhos dobrados, nenhuma é mais preciosa do que quando se
ajoelhou diante de seus discípulos e lavou-lhes os pés.
Foi exatamente antes da
Páscoa. Jesus sabia que sua hora de deixar este mundo e ir para o Pai tinha
chegado. Tendo amado os seus que estavam no mundo, mostrou-lhes o alcance pleno
de seu amor.
"Ora, antes da festa da
páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para
o Pai, como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim. E,
acabada a ceia, tendo o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de
Simão, que o traísse, Jesus, sabendo que o Pai tinha depositado nas suas mãos
todas as coisas, e que havia saído de Deus e ia para Deus, levantou-se da ceia,
tirou as vestes, e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois deitou água numa
bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugá-los com a toalha com
que estava cingido" (Jo 13:1-5, ACF).
Tinha sido um longo dia.
Jerusalém estava lotada com os que vieram para celebrar a Páscoa, a maioria dos
quais desejava dar ao menos uma olhada no Mestre. O sol da primavera era
cálido. As ruas estavam secas. Os discípulos estavam longe de casa. Uma boa
borrifada de água fria seria refrescante.
Os discípulos entraram, um a
um, e tomaram seus lugares em volta da mesa. Na parede está pendurada uma
toalha, e no chão há uma jarra e uma bacia. Qualquer dos discípulos poderia
ter-se oferecido voluntariamente para fazer a tarefa, mas ninguém se ofereceu.
Depois de alguns poucos
momentos, Jesus se levanta e tira sua túnica exterior. Envolve na cintura a
faixa do servo, pega a bacia e se ajoelha diante de um dos discípulos. Desata a
correia da sandália, e com suavidade levanta o pé e o coloca dentro da bacia,
cobrindo-o com água, e começa a lavá-lo. Um por um, um pé sujo após outro,
Jesus avança na fileira.
Nos dias de Jesus lavar os
pés era uma tarefa reservada não apenas para os criados, mas para o mais baixo
dos criados. Todo círculo tem sua própria ordem, e o círculo dos trabalhadores
domésticos não era a exceção. O servo que estava no ponto mais baixo na escala
era o que tinha que ajoelhar-se com a toalha e a bacia.
Nesse caso, quem estava com a
toalha e a bacia era o Rei do universo. As mãos que formaram as estrelas agora
lavavam a sujeira. Os dedos que formaram as montanhas davam massagens aos dedos
dos pés. Aquele diante de quem todas as nações um dia dobrarão os joelhos,
ajoelha-se diante de seus discípulos. Horas antes de sua morte, a preocupação
de Jesus é singular. Quer que seus discípulos saibam quanto os ama. Mais do que
tirando sujeira, Jesus está tirando dúvidas.
Jesus sabe o que acontecerá
com suas mãos na crucificação. Em vinte e quatro horas serão furadas e ficarão
sem vida. De todas as vezes que esperamos que peça a atenção de seus
discípulos, seria esta. Mas não faz isso.
Você pode estar certo de que
Jesus conhece o futuro dos pés que está lavando. Estes vinte e quatro pés não
estarão no dia seguinte seguindo o seu mestre, defendendo sua causa. Estes pés
sairão apavorados buscando refúgio diante da visão da espada romana. Só um par
de pés não o abandonarão no horto. Somente um discípulo não o abandonará no
Getsêmani: Judas nem sequer chegaria a esse ponto! Abandonaria a Jesus nessa
mesma noite, na mesa.
Procurei alguma tradução da
Bíblia que dissesse: "Jesus lavou os pés de todos seus discípulos, exceto
de Judas", mas não achei. Que momento mais apaixonado quando Jesus, em
silêncio, levantou os pés do traidor e os lavou na bacia! Em poucas horas os
pés de Judas, limpos pela bondade dAquele a quem trairia, estariam no pátio de
Caifás.
Observe o que Jesus dá a seus
seguidores! Sabe o que estes homens estão a ponto de fazer. Sabe que estão a
ponto de realizar um dos atos mais vis de suas vidas. De manhã baixarão os
rostos de vergonha e olharão para seus pés com desgosto. Quando o fizerem, Ele
quer que lembrem como se ajoelhou diante deles e lavou-lhes os pés. Quer que
percebam que seus pés estão limpos: "O que eu faço não o sabes
tu agora, mas tu o saberás depois" (Jo 13:7, ACF).
Assombroso. Perdoou seu
pecado antes deles cometerem-no. Ofereceu-lhes misericórdia antes mesmo de que
eles a procurassem.
DA FONTE DE SUA
GRAÇA
Você objeta: "Ah, eu
nunca poderia fazer isso". "A ferida é muito profunda. As feridas são
muito numerosas. "Só de ver essa pessoa eu fico irritado...". Talvez
esse seja seu problema. Talvez você esteja olhando para a pessoa errada, ou
pelo menos muito da pessoa errada. Lembre-se: o segredo de ser como Jesus é
"fixar nossos olhos" nEle. Tente mudar seu olhar, afastando-o daquele
que o feriu e fitando seus olhos nAquele que o salvou.
Note a promessa de João:
"Mas, se andarmos na
luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de
Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado" (1 Jo 1:7,
ACF).
Tirando a geografia e
cronologia, nossa história é a mesma que a dos discípulos. Não estivemos em
Jerusalém, nem estávamos vivos naquela noite. Mas o que Jesus fez por eles, fez
por nós. Nos limpou. Limpou nossos corações do pecado.
E mais, continua nos
limpando! João nos diz: "Estamos sendo limpos de todo pecado pelo
sangue de Jesus". Em outras palavras, sempre estamos sendo limpos.
A limpeza não é uma promessa para o futuro, mas uma realidade no presente. Se
uma pitada de pó cai na alma de um santo, é limpada. Se uma pitada de sujeira
cai no coração de um filho de Deus, essa sujeira é limpada. Jesus ainda limpa
os pés de seus discípulos. Jesus ainda lava as manchas. Jesus ainda purifica as
pessoas.
Nosso Salvador se ajoelha e vê os atos mas obscuros
de nossas vidas. Mas em vez de retrair-se de horror, estende sua mão com
bondade e diz: "Eu posso limpar você, se quiser". Da fonte de sua
graça enche as mãos de sua misericórdia e lava nosso pecado.
Mas isso não é tudo. Porque
Ele vive em nós, você e eu podemos fazer o mesmo. Porque Ele nos perdoou, nós
podemos perdoar os outros. Porque Ele tem um coração perdoador, nós podemos ter
um coração que perdoa. Podemos ter um coração como o dEle.
"Ora, se eu, Senhor e
Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. Porque
eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também"
(João 13:14-15, ACF).
Jesus lava nossos pés por
duas razões. A primeira é nos dar misericórdia, a segunda é nos dar uma
mensagem, e essa mensagem é: Jesus oferece graça incondicional; nós devemos
oferecer graça incondicional. A misericórdia de Cristo precede nossos erros;
nossa misericórdia deve preceder as faltas de outros. Os que estavam no círculo
de Cristo não tiveram dúvida de seu amor; os que estão em nossos círculos não
devem ter dúvidas do nosso.
O que significa ter um
coração como o de Cristo? Significa ajoelhar-nos como Jesus se ajoelhou, tocar
as partes mais sujas daqueles com que estamos pregados e lavar com bondade sua
grosseria. Ou, como Paulo escreveu: "Antes sede uns para com os
outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também
Deus vos perdoou em Cristo" (Ef 4:32, ACF).
"Mas,
Max", você dirá, "eu não fiz nada de mal. Eu é que fui enganado. Não
fui eu quem mentiu. Eu não sou o culpado". Talvez não seja. Porém Jesus
também não foi. De todos os homens naquele aposento, somente um era digno de
que lhe lavassem os pés; e foi Ele quem lavou os pés dos outros. O que merecia
que o servissem serviu. O genial do exemplo de Jesus é que o peso de
estabelecer a ponte recai sobre o forte, não sobre o fraco. O inocente é quem
deve fazer o gesto.
Sabe o que acontece? Se o que
tem razão se oferece voluntariamente para lavar os pés daquele que agiu errado,
frequentemente ambos se ajoelham. Por acaso não achamos todos que temos a razão?
Por isso devemos lavarmos os pés uns aos outros.
Por favor, compreenda: As
relações não prosperam porque o culpado é castigado, mas sim porque o inocente
é misericordioso.
O PODER DO PERDÃO
Faz pouco tempo jantei com
uns amigos. Uma senhora casada queria me contar sobre uma tempestade pela qual
estavam passando. Através de uma série de eventos, ela soube de um ato de
infidelidade que tinha acontecido uma década atrás. O esposo cometeu o erro de
pensar que seria melhor não dizer nada a ela; assim não lhe contou. Porém ela
soube. Como você pode imaginar, ela ficou profundamente magoada.
Orientados por um conselheiro
matrimonial, o casal deixou tudo de lado, e viajaram por uns dias. Deviam tomar
uma decisão. Fugiriam, lutariam ou perdoariam? Então oraram. Conversaram.
Caminharam. Refletiram. Neste caso a esposa claramente tinha a razão. Poderia
ter ido embora. Há mulheres que fizeram isso por muito menos. Poderia ter
ficado e transformado a vida dele num inferno. Outras mulheres o fizeram. Mas
ela escolheu uma resposta diferente.
Na décima noite de sua
viagem, meu amigo achou um cartão sobre seu travesseiro. Tinha uma frase
impressa que dizia: "Prefiro não fazer nada e estar com você, do que fazer
algo e estar sem você". Embaixo da frase ela tinha escrito o seguinte:
Te perdôo. Te amo. Vamos em
frente.
O cartão bem poderia ter sido
uma "bacia". A caneta bem poderia ter sido um jarro de água, pois
verteu misericórdia, e com isso ela lavou os pés de seu esposo.
Certos conflitos podem ser resolvidos
só com uma bacia de água. Há algum relacionamento em seu mundo que tenha sede
de misericórdia? Há alguém sentado à sua mesa que necessita que lhe assegure
sua graça? Jesus se certificou de que seus discípulos não duvidassem de seu
amor. Por que você não faz o mesmo?
"Revesti-vos, pois,
como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de
benignidade, humildade, mansidão, longanimidade" Colossenses 3:12, ACF
3. O toque de Deus
UM CORAÇÃO
COMPASSIVO
Posso pedir-lhe que olhe para
sua mão por um momento? Olhe as costas, depois a palma. Torne a familiarizar-se
com seus dedos. Passe o polegar pelos nós dos dedos.
O que acharia de alguém
filmar um documentário sobre suas mãos? E se algum produtor quisesse contar sua
história baseando-se na vida de suas mãos? O que veria? Igual ao de todos nós,
o filme começaria com um punho infantil, depois uma visão em primeiro plano de
uma pequena mãozinha agarrando-se ao dedo da mamãe. Depois o quê? Agarrando-se a
uma cadeira enquanto você aprendia a andar? Agarrando uma colher quando
aprendia a comer?
Não se passaria muito tempo na
trama antes que se visse a sua mão demonstrando afeto, acariciando a face do
pai ou do cachorro. Também não passaria muito tempo para que sua mão fosse vista
agindo agressivamente: empurrando seu irmãozinho menor, ou arrebatando-lhe um
brinquedo. Todos nós aprendemos que a mão é muito apropriada para a
sobrevivência; é uma ferramenta de expressão emotiva. A mesma mão pode ajudar
ou machucar, estender-se ou fechar-se num punho, levantar alguém ou empurrá-lo
para que caia.
Se mostrar esse documentário
a seus amigos, você se sentirá orgulhoso de alguns momentos: sua mão
estendendo-se com um presente, colocando um anel no dedo de outra pessoa,
curando uma ferida, preparando uma comida ou juntas em oração. Porém há também
outras cenas. Quadros de dedos acusadores, machucando em lugar de amar. Mãos
que tomam mais do que dão, exigindo em lugar de oferecer, machucando em vez de
amar. Ah, o poder de nossas mãos. Deixe-as sem controle e se convertem em armas;
aferrando para o poder, estrangulando para sobreviver, seduzindo pelo prazer.
Porém bem manejadas, nossas mãos podem ser instrumentos de graça: não só
instrumentos nas mãos de Deus, mas sim as próprias mãos de Deus. Renda-as
e esses apêndices com cinco dedos se convertem nas mãos do céu.
Foi isso o que Jesus fez.
Nosso Salvador rendeu completamente suas mãos a Deus. O documentário de suas
mãos não tem cenas de cobiça monopolizando, nem dedos acusando sem base. O que
se tem é uma cena após outra de pessoas que anelam fervorosamente seu toque
compassivo: pais carregando seus filhos, o pobre trazendo seus temores, o
pecador levando nas costas sua aflição. Cada um que chega recebe o toque. Cada
um que é tocado, muda. Mas nenhum foi tocado ou mudado mais que um leproso
anônimo, segundo Mateus 8.
Quando Jesus desceu do monte, muita gente o
seguia. Então se achegou um leproso e se prostrou diante dEle, dizendo: "Senhor, se quiseres, podes
tornar-me limpo". Jesus estendeu a mão e o tocou, dizendo: "Quero,
sê limpo". E no mesmo instante sua lepra desapareceu. Então Jesus lhe
disse: "Olha, não o digas a alguém, mas vai, mostra-te ao sacerdote,
e apresenta a oferta que Moisés determinou, para lhes servir de
testemunho" (Mateus 8:1-4, ACF).
Marcos
e Lucas escolheram contar a mesma história, porém com as devidas desculpas para
os três escritores, devo dizer que nenhum deles diz o suficiente. Sabemos da
doença do homem, e de sua decisão, porém, e o resto? Ficamos com perguntas. Os
escritores não dão o nome, nem a história, nem descrição alguma.
PROSCRITO AO MÁXIMO
Algumas vezes sou vencido
pela minha curiosidade, e começo a fazer perguntas em voz alta. É isso o que
vou fazer aqui: perguntar-me em voz alta sobre o homem que sentiu o toque
compassivo de Jesus. Aparece uma vez, faz uma petição e recebe um toque. Mas
esse único toque mudou sua vida para sempre. Eu me pergunto se a sua história poderia
ser algo assim:
"Por cinco anos
ninguém me tocou. Ninguém. Nem uma única pessoa. Nem sequer minha esposa, nem
minha filha, nem meus amigos. Ninguém me tocava. Olhavam para mim. Falavam
comigo. Sentia o carinho em suas vozes. Via preocupação em seus olhos. Mas
nunca senti seu toque. Não havia. Nem uma única vez. Ninguém me tocou.
O que é comum entre vocês,
eu cobiçava. Apertos de mãos. Cálidos abraços. Uma toque no ombro para chamar
minha atenção. Um beijo nos lábios para roubar um coração. Tais momentos foram
tirados do meu mundo. Ninguém me tocou. Ninguém esbarrou em mim. O que eu não
teria dado para que alguém esbarrasse em mim, que me apertassem numa multidão,
que meus ombros encostassem nos de outros. Mas por cinco anos nada disso
aconteceu. Como poderia? Nem ao menos me era permitido andar pelas ruas. Até os
rabinos mantinham-se à distância. Não me era permitido freqüentar a sinagoga.
Nem sequer me recebiam em minha própria casa.
Eu era um intocável. Era
leproso. Ninguém me tocava. Até hoje."
A história desse homem me
chama a atenção porque nos tempos do Novo Testamento a lepra era a doença mais
temida. A enfermidade deixava o corpo como uma massa de úlceras e putrefação.
Os dedos encolhiam e se retorciam. Pedaços de pele perdiam a cor e fediam.
Certos tipos de lepra matam os terminais nervosos, e isso produz a perda de
dedos, e até de pés e mãos. A lepra era morte por centímetros.
As conseqüências sociais eram
mais severas que as físicas. Considerada contagiosa, o leproso era obrigado a
guardar quarentena, proscrito a uma colônia de leprosos.
Nas Escrituras o leproso é
símbolo de máxima proscrição: infectado por uma condição que não procurou,
rejeitado por todos os que o conheciam, evitado por pessoas que não conhecia,
condenado a um futuro que não podia suportar. Na memória de cada relegado deve
ter havido um dia em que se viu obrigado a enfrentar a verdade: a vida nunca mais
seria a mesma.
Um ano, durante a colheita,
percebi que minha mão não podia sustentar a foice com a mesma força. Os dedos estavam
adormecidos. Primeiro foi um dedo, e depois, outro. Em pouco tempo podia
empunhar a foice, mas nem a sentia. Ao terminar a temporada não sentia nada com
as mãos. É como se a mão que empunhava o cabo pertencesse a outra pessoa; tinha
perdido toda sensibilidade. Não disse nada a minha esposa, mas ela suspeitava
de algo. Como poderia não suspeitar? Eu levava minha mão junto ao corpo como
ave ferida.
Uma tarde enfiei a mão
numa bacia de água para lavar o rosto. A água ficou vermelha. Um dedo sangrava,
com hemorragia. Nem sabia que me havia machucado. Como me cortei? Com alguma faca?
Será que encostei a mão em algum objeto afiado? Deve ter sido, porém eu nada
tinha sentido.
— Está também na sua roupa
— disse minha esposa com voz fraca. Ela estava atrás de mim. Antes de olhar
para ela, fitei as manchas vermelhas em minhas vestes. Por longo tempo fiquei
sobre a bacia, contemplando minha mão. Algo me dizia que minha vida tinha sido
alterada para sempre.
— Você quer que eu o
acompanhe para ver o sacerdote? — me perguntou.
— Não — disse eu com um
suspiro —. Irei sozinho.
Me virei e vi seus olhos
úmidos. Junto dela estava nossa filinha de três anos. Abaixando-me, olhei diretamente
em seus olhos e acariciei sua face, sem dizer nada. Que poderia dizer?
Endireitei-me e olhei para minha esposa de novo. Ela me tocou no ombro, e com
minha mão boa toquei a dela. Seria nosso toque final.
Cinco anos se passaram, e
desde então mais ninguém tinha me tocado, até agora.
O sacerdote não me tocou.
Olhou para minha mão, que agora levo envolvida num pano. Olhou para meu rosto,
agora obscurecido pela tristeza. Nunca o culpei pelo que me disse. Simplesmente
estava agindo segundo tinha sido instruído. Cobriu sua boca e estendeu sua mão,
com a palma para fora. "Você é imundo", disse. Com este
pronunciamento, perdi minha família, meus bens, meu futuro, meus amigos.
Minha esposa veio me
encontrar nas portas da cidade, com uma sacola de roupa, pão e moedas. Não
disse nada. Alguns amigos tinham-se reunido. O que vi em seus olhos foi
precursor do que tenho visto em todo olhar desde então: compaixão cheia de
terror. Enquanto eu saía, eles se afastavam. Seu horror por minha enfermidade
era maior que sua preocupação pelo meu coração; e assim eles, igual a todos desde
então, recuaram.
A proscrição de um leproso
parece rigorosa, desnecessária. Contudo, o Antigo Oriente não foi a única
cultura que isolou seus enfermos. Nós talvez não construamos colônias nem tapemos
a boca diante de sua presença, mas certamente construímos paredes e afastamos
os olhos. A pessoa não precisa ser leprosa para sentir-se em quarentena.
Uma de minhas lembranças mais
tristes tem a ver com meu amigo da quarta série, Jerry [4]. Ele e mais uns 6 de nós formávamos um grupo
inseparável e sempre presente no pátio. Um dia liguei para sua casa para ver se
podia sair para brincar. Uma voz maldizente, bêbada, atendeu o telefone, e me
disse que Jerry não poderia sair para brincar esse dia nem nunca. Contei a meus
amigos o acontecido. Um deles me explicou que o pai de Jerry era alcoólatra.
Não sabia bem o que essa palavra queria dizer, mas aprendi muito rápido. Jerry,
o que jogava na segunda base; Jerry, o da bicicleta vermelha; Jerry, meu amigo
da esquina, era agora "Jerry, o filho do bêbado". Os rapazes podem
ser cruéis, e por alguma razão fomos muito cruéis com Jerry. Estava infectado.
Como o leproso, sofreu por uma condição que ele não criou. Como o leproso, o
proscrevemos de nosso convívio.
O divorciado conhece estes
sentimentos. Assim como o aleijado. O desempregado os tem experimentado, assim
como os que tem pouca cultura. Alguns se retraem diante das mães solteiras.
Mantemos distância dos deprimidos e dos enfermos incuráveis. Temos bairros para
imigrantes, asilos para idosos, escolas para retardados, centros para adictos e
prisões para os criminosos.
Nós, o resto, simplesmente tratamos
de afastar-nos de tudo isso. Só Deus sabe quantos Jerry estão no exílio voluntário:
indivíduos que vivem vidas caladas, solitárias, infectadas pelos seus temores
de rejeição e suas lembranças da última vez em que tentaram. Preferem não serem
tocados ao risco de serem machucados.
Ah, quanta repulsa sentiam
os que me viam! Cinco anos de lepra me deixaram as mãos retorcidas. Faltam-me
várias falanges em vários dedos, assim como pedaços de minhas orelhas e do
nariz. Ao ver-me, os pais pegam seus filhos. As mães cobrem seus rostos. As
crianças me apontam com o dedo e ficam olhando para mim.
Os trapos não podem
esconder as chagas de meu corpo. Tampouco o pano com que envolvo meu rosto pode
ocultar a ira de meus olhos. Nem sequer tento escondê-la. Quantas noites não
levantei meu punho crispado contra o céu silencioso? "Que fiz para merecer
isto?" Porém nunca recebi resposta.
Alguns pensam que pequei.
Alguns pensam que meus pais pecaram. Não sei. Tudo quanto sei é que me fartei
de tudo: de dormir na colônia, de perceber o fedor. Odiava o maldito sino que tinha
que levar pendurado no pescoço para advertir às pessoas de minha presença. Como
se precisasse dele. Bastava um olhar e os anúncios começavam: "Imundo!
Imundo! Imundo!"
Algumas semanas atrás me
atrevi a andar pelo caminho da aldeia. Não tinha nenhuma intenção de entrar
nela. O céu sabe que tudo o que eu queria era dar uma olhada nos meus campos.
Dar uma olhada em minha casa e ver, por alguma casualidade, o rosto de minha
esposa. Não a vi; mas vi algumas crianças brincando num campo. Me escondi atrás
de uma árvore e as observei vaguear e sair correndo. Suas faces estavam tão
felizes e seu riso era tão contagioso que por um momento, apenas por um
momento, não era mais leproso. Era de novo agricultor. Era pai. Era um homem.
Com a infusão da
felicidade deles sai de trás da árvore, endireitei minhas costas, respirei
profundamente... e então me viram. Antes que pudesse retirar-me, me viram.
Gritaram. Fugiram correndo. Uma, porém, ficou. Uma se deteve e olhou para mim.
Não sei, não poderia dizer com certeza, mas acho, na verdade acho que era minha
filha. Não sei; não poderia garanti-lo; mas penso que ela buscava seu pai.
Esse olhar me fez dar o
passo que dei hoje. Certamente foi temerário. Com certeza foi um risco. Mas, o que
tinha a perder?
Ele chama a si mesmo de
Filho de Deus. Ou ele ouviria meu clamor e me mataria, ou aceitaria minha
demanda e me curaria. Foi o que pensei. Me aproximei dEle, desafiando-o. Não foi
a fé que me empurrou, mas sim uma ira desesperada. Deus tinha feito uma
calamidade no meu corpo, e devia restaurá-lo ou então, acabá-lo.
Mas então o vi, e quando o
vi, mudei. Lembre que sou agricultor, e não poeta, assim não consigo achar as
palavras para descrever o que vi. Tudo quanto posso dizer é que as manhãs da
Judéia algumas vezes são tão frescas e o nascer do sol tão glorioso que olhá-lo
é esquecer do calor do dia anterior e das feridas do passado. Quando olhei para
seu rosto vi uma manhã da Judéia.
Antes que Ele falasse,
soube que se interessava. De alguma forma soube que detestava esta doença
tanto, se não mais, que eu. Minha ira se converteu em confiança, e minha cólera
em esperança.
Oculto por trás de uma
pedra, o vi descer da colina. Multidões o seguiam. Esperei até que estivesse a
poucos passos de onde eu estava, e então me apresentei.
— Mestre!
Parou e olhou para mim, assim
como dezenas de outros. Uma torrente de temor percorreu a multidão. Os braços
voaram para cobrir as caras. As crianças se comprimiram detrás de seus pais.
"Imundo!" gritou alguém. De novo, não culpo eles. Eu era uma massa
malfeita de morte. Porém quase não os ouvia. Quase não os via. Tinha visto mil
vezes seu pânico. Contudo, a compaixão dEle quase nunca a havia contemplado.
Todo mundo retrocedeu, exceto Ele. Então avançou para mim. Para mim.
Cinco anos atrás minha
esposa tinha se aproximado de mim. Ela foi a última a fazê-lo. Agora Ele o
fazia. Não me mexi. Simplesmente lhe disse:
— Senhor, tu podes
limpar-me, se quiseres.
Se Ele tivesse me curado
com uma palavra, teria ficado mais que encantado. Se me tivesse sarado com uma
oração, teria me regozijado. Porém não ficou satisfeito com falar-me. Até então
ninguém tinha me tocado. Até hoje.
— Quero — suas palavras
foram suaves como seu toque —. Sê limpo.
A energia encheu meu corpo
como a água num campo arado. Num instante, num momento, senti o calor onde tinha
havido insensibilidade. Senti força onde tinha havido atrofia. Minhas costas se
endireitaram, e minha cabeça se levantou. Onde eu tinha estado com o olho no
nível de sua cintura, agora estava fitando-o ao nível de seu rosto. Seu rosto
sorridente.
Tomou minhas faces com
suas mãos, e me aproximou tanto que pude sentir o calor de seu hálito e ver a
umidade de seus olhos.
— Não fales com ninguém.
Mas vai e mostra-te ao sacerdote, e oferece a oferta que Moisés ordenou para os
que são sarados. Isso mostrará às pessoas o que tenho feito.
É isso é o que estou
fazendo. Vou mostrar-me ao sacerdote e abraçá-lo. Vou mostrar-me a minha
esposa, e abraçá-la. Levantarei minha filha, e a abraçarei. Nunca esquecerei o
que se atreveu a tocar-me. Poderia ter-me sarado com uma palavra; mas desejava
fazer mais que me sarar. Desejava dar-me honra, validar-me. Imagina: indigno de
que me toque o homem, e contudo digno do toque de Deus.
O PODER DO TOQUE
DIVINO
O toque não curou a
enfermidade, como você sabe. Mateus é cuidadoso ao mencionar que foi o
pronunciamento de Cristo e não seu toque que curou a enfermidade. "E Jesus, estendendo a mão,
tocou-o, dizendo: Quero; sê limpo. E logo ficou purificado da lepra" (Mt 8:3, ACF).
A infecção desapareceu pela
palavra de Jesus.
A solidão, porém, foi tratada
pelo toque de Jesus.
Ah, o poder de um toque
divino. Você ainda não o conheceu? O médico que o tratou, ou a professora que
secou suas lágrimas? Houve uma mão segurando a sua no funeral? Outra em seu
ombro durante a prova? Um aperto de mãos dando-lhe as boas-vindas a seu novo
trabalho? Uma oração pastoral por cura? Não conhecemos o poder de um toque
divino?
Acaso não podemos oferecer o
mesmo?
Muitos já o fazem. Alguns têm
o toque curador do próprio Mestre. Usam suas mãos para orar pelos doentes e
ministrar aos fracos. Se você não está tocando-os pessoalmente, suas mãos estão
escrevendo cartas, discando números telefônicos, amassando pão. Você aprendeu o
poder do toque.
Mas alguns de nós tem
tendência de esquecer. Nossos corações são bons; mas nossas lembranças são más.
Não podemos esquecer quão significativo pode ser um toque. Temos medo de dizer
coisas erradas, ou usar o tom errado de voz, ou agir erradamente. Assim que,
para não fazê-lo incorretamente, não fazemos nada.
Não nos alegramos de que
Jesus não tenha cometido semelhante erro? Se o seu temor de fazer algo errado o
previne de fazer alguma coisa, tenha presente a perspectiva dos leprosos do
mundo. Não são rabugentos. Não são melindrosos. Simplesmente estão sozinhos.
Estão anelando um toque divino.
Jesus tocou os intocados do
mundo. Você fará a mesma coisa?
"E sede cumpridores da
palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos. Porque, se
alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla
ao espelho o seu rosto natural; porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e
logo se esquece de como era" Tiago 1:22-24, ACF
4. Ouça a música
divina
UM CORAÇÃO QUE
ESCUTA
"Quem tem ouvidos para
ouvir, que ouça".
Mais de uma vez Jesus disse
estas palavras. Oito vezes nos Evangelhos e oito vezes no livro de Apocalipse [5] nos é lembrado que não basta ter ouvidos; é preciso
usá-los.
Numa de suas parábolas[6], Jesus comparou nossos ouvidos ao terreno. Contou do
agricultor que espalhou a semente (símbolo da Palavra) em quatro diferentes
tipos de solo (símbolo de nossos ouvidos). Alguns de nossos ouvidos são como
caminho endurecido: não receptivo à semente. Outros têm ouvidos como terreno
pedregoso: ouvimos a Palavra mas não lhe permitimos que finque raiz. Outros
mais têm ouvidos como um terreno cheio de ervas daninhas: demasiado crescidas,
demasiado espinhosas, com demasiada competência para que a semente tenha uma
oportunidade. Porém há alguns que têm ouvidos para ouvir: bem arados, capazes
de discernir e prontos para ouvir a voz de Deus.
Por favor, perceba que em
todos os casos a semente é a mesma. O semeador é o mesmo. A diferença não está
nem na mensagem nem no mensageiro, mas no que ouve. Se a proporção da história
é significativa, 3/4 do mundo não estão ouvindo a voz de Deus. Seja devido a
corações endurecidos, vidas superficiais ou mentes cheias de ansiedade, setenta
e cinco por cento de nós estamos perdendo a mensagem.
Não é que nos faltem ouvidos;
é que não os usamos.
As Escrituras sempre deram
grande importância a ouvir a voz de Deus. Na verdade, o grande mandamento de
Deus por meio de Moisés, começa com as palavras: "Ouve, Israel, o
SENHOR nosso Deus é o único SENHOR" (Dt 6:4, ACF). Neemias e seus
homens receberam elogios porque "estavam atentos ao livro da lei"
(Ne 8:3, ACF). "Bem-aventurado o homem que me dá ouvidos, velando às
minhas portas cada dia, esperando às ombreiras da minha entrada" é a
promessa de Provérbios 8:34 (ACF). Jesus nos insta a que aprendamos a ouvir
como ovelhas. "as ovelhas ouvem a sua voz... e as ovelhas o seguem,
porque conhecem a sua voz. Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes
fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos" (Jo 10:3-5,
ACF). A cada uma das sete igrejas em Apocalipse é dito o mesmo: "Quem tem ouvidos, ouça o
que o Espírito diz às igrejas" [7]
Nossos ouvidos, diferentemente
de nossos olhos, não têm tampas. Devem permanecer abertos, mas quão facilmente
eles se fecham.
A algum tempo, Denalyn e eu fomos
comprar algumas malas. Achamos o que queríamos numa loja, e dissemos ao
vendedor que iríamos numa outra loja para comparar preços. Perguntou-me se
queria um cartão. Eu disse:
— Não, seu nome é fácil de
lembrar, Roberto.
E aí ele replicou:
— Meu nome é José.
Eu tinha ouvido o nome, porém
não o havia escutado.
Pilatos também não escutou.
Tinha o clássico caso de ouvidos que não ouvem. Não somente sua esposa o
advertiu: "Não entres na questão desse justo" (Mateus 27:19, ACF), mas o
próprio Verbo de vida advertiu: "Todo aquele que é da verdade ouve a
minha voz" (João 18:37, ACF). Porém Pilatos tinha ouvidos seletivos.
Permitiu que as vozes do povo dominassem as vozes da consciência e do
Carpinteiro. "Mas eles instavam com grandes brados, pedindo que fosse
crucificado. E prevaleceram os seus clamores" (Lucas 23:23, PJFA).
No final, Pilatos inclinou
seu ouvido à multidão e o afastou de Cristo, e ignorou a mensagem do Messias. "A fé é pelo ouvir" (Romanos 10:17, ACF), e já
que Pilatos não ouviu, nunca encontrou fé.
"Quem
tem ouvidos, para ouvir, ouça". Quanto tempo faz que você fez uma revisão
dos ouvidos? Quando Deus espalha a semente, qual é o resultado? Posso fazer uma
pergunta para testar quão bem você ouve a voz de Deus?
QUANTO TEMPO FAZ DESDE A
ÚLTIMA VEZ QUE DEIXOU DEUS SE APODERAR DE VOCÊ?
Quero dizer, realmente apoderar-se
de você? Quanto tempo se passou desde que lhe deu uma porção de tempo sem
diluir, sem interrupções, para ouvir Sua voz? Evidentemente Jesus o fazia. Ele
fez esforços deliberados para passar tempo com Deus.
Passe muito tempo lendo a
respeito de como Jesus escutava e emergirá um padrão distinto. Ele passava
regularmente tempo com Deus, orando e escutando. Marcos diz: "E, levantando-se de manhã,
muito cedo, fazendo ainda escuro, saiu, e foi para um lugar deserto, e ali
orava" (Mc 1:35, ACF). Lucas nos diz: "Ele, porém, retirava-se para os
desertos, e ali orava" (Lc 5:16, ACF).
Permita-me
perguntar o óbvio. Se Jesus, o Filho de Deus, o Salvador da humanidade, sem
pecado, pensou que valia a pena deixar sua agenda livre para orar, não será
sábio que nós façamos o mesmo?
Ele
não só passava regularmente tempo com Deus em oração, mas passava regularmente
tempo na Palavra de Deus. Certamente não vemos Jesus tirando de sua mochila um
Novo Testamento encadernado em couro e lendo-o. O que vemos, contudo, é o
impressionante exemplo de Jesus, no meio da tentação do deserto, usando a
Palavra de Deus para enfrentar Satanás. Três vezes foi tentado, e a cada vez
repeliu o ataque com a frase: "Está escrito nas Escrituras" (Lucas
4:4,8,12)., e então citou um versículo. Jesus estava tão familiarizado com as
Escrituras que não só conhecia o versículo, mas sabia como usá-lo.
Depois
temos a ocasião quando foi pedido a Jesus que lesse na sinagoga. Deram-lhe o
livro de Isaias. Achou a passagem, a leu e declarou: "Hoje se cumpriu
esta Escritura em vossos ouvidos" (Lc 4:21, ACF). Eis o quadro de uma
pessoa que sabe, além de conhecer as Escrituras, reconhecer seu cumprimento. Se
Jesus pensou que era sábio familiarizar-se com a Bíblia, não deveríamos nós
fazer o mesmo?
Se
vamos ser como Jesus, se vamos ter ouvidos que escutem a voz de Deus, então temos
dois hábitos dignos de imitar: os hábitos da oração e da leitura da Bíblia.
Considere estes versículos:
"Alegrai-vos na
esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração"
(Romanos 12:12, ACF, ênfase do autor).
"Aquele, porém, que
atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo
ouvinte esquecido, mas praticante da palavra, este tal será bem-aventurado no
seu feito" (Tiago 1:25, ACF).
Se
vamos ser como Jesus, devemos ter um tempo regular para falar com Deus e ouvir
sua Palavra.
ESPIRITUALIDADE
EMPRESTADA
Um momento. Não façam isso.
Sei exatamente o que alguns de vocês estão fazendo. Estão fechando seus
ouvidos. Lucado está falando de devocionais diários, certo? Este é um bom
momento para ir mentalmente ao refrigerador e ver que há para comer.
Compreendo sua relutância.
Alguns de nós temos tentado ter momentos devocionais diários e não conseguimos.
Outros tivemos dificuldades para concentrar-nos. Todos estamos muito ocupados.
Assim que, em vez de passar tempo com Deus, escutando sua voz, deixamos que
outros passem tempo com Ele e então nos beneficiamos de sua experiência. Deixemos
que eles nos digam o que Deus está dizendo. Além do mais, não é para isso que
pagamos aos pregadores? Não é por isso que lemos livros cristãos? Esses
caras são bons para as devoções diárias. Simplesmente aprenderei deles.
Se esse é seu método, se suas
experiências espirituais são de segunda mão em vez de ser de primeira mão,
gostaria de desafiá-lo com este pensamento: Você faz isso com outras partes de
sua vida? Acho que não.
Não faz isso com suas férias.
Você não diz: "As férias são uma completa amolação, com todo o trabalho de
fazer as malas e viajar. Vou enviar alguém para que tire férias por mim. Quando
voltar, ouvirei tudo quanto tiver para me contar, e me pouparei dos
inconvenientes". Você gostaria disso? Não! Você quer experimentá-las
pessoalmente. Quer ver as paisagens com seus próprios olhos, e quer que seja
seu próprio corpo o que descansa. Há certas coisas que ninguém pode fazer por
você.
Certamente não faz isso com o
romance, você não diz: "Estou apaixonado por essa pessoa maravilhosa, mas
o romance é um completo incômodo. Vou contratar um amante de aluguel para que
desfrute do romance em meu lugar. Depois ouvirei tudo quanto tem para me
contar, e me pouparei os incômodos". Você faria isso? Nem pensar. Você
quer experimentar o romance pessoalmente. Não quer perder uma só palavra nem um
encontro, e certamente não quer perder esse beijo, verdade? Existem coisas que
ninguém pode fazer por você.
Você não deixa que alguém
coma em seu lugar, verdade? Você não diz: "Mastigar é uma chatice. Minhas
mandíbulas cansam, e a variedade de sabores é incrível. Vou contratar alguém
para que mastigue minha comida, e eu depois engolirei qualquer coisa que me
dê". Você faria algo semelhante? Uf! Certamente que não! Há certas coisas
que ninguém pode fazer por você.
E uma dessas coisas é passar
tempo com Deus.
Escutar a Deus deve ser uma
experiência de primeira mão. Quando Deus pede sua atenção, não quer que você
envie um substituto; quer você. Convida você a gozar férias em seu
esplendor. Convida você a sentir o toque de sua mão. Convida você
a desfrutar do banquete de sua mesa. Quer passar tempo com você. E com
um pouco de treinamento, seu tempo com Deus pode ser o ponto mais destacado de
seu dia.
Um amigo meu casou com uma
soprano de ópera. Ela adora concertos. Passou seus anos na universidade no departamento
de música, e suas lembranças da infância são de teclados e arquibancadas de
coros. Ele, por seu lado, se inclina mais para os esportes e a música popular.
Também ama sua esposa, então, ocasionalmente assiste à ópera. Os dois sentam
juntos no mesmo auditório, escutam a mesma música, com duas respostas
completamente diferentes. Ele dorme, e ela chora.
Acredito que a diferença vai
além dos gostos, é a preparação. Ela passou horas aprendendo a apreciar a arte
da música. Ele não dedicou nenhuma a isso. Os ouvidos dela são sensíveis como
um contador Geiger. Ele não pode diferenciar entre staccato e legato.
Mas está tentando fazê-lo. A última vez que falamos de concertos, me disse que
está conseguindo permanecer acordado. Talvez nunca tenha o mesmo ouvido que sua
esposa, mas com o tempo está aprendendo a escutar e a apreciar a música.
QUANDO SE APRENDE A
ESCUTAR
Estou convencido de que nós
também podemos. Equipados com as ferramentas apropriadas podemos aprender a
ouvir a Deus. Quais são essas ferramentas? As que eu achei úteis são as seguintes:
Tempo e lugar
regulares
Selecione um período em seu
horário e um cantinho em seu mundo, e separe-o para Deus.
Para alguns talvez seja
melhor fazê-lo de manhã. "De madrugada te esperará a minha oração" (Salmo 88:13, ACF).
Outros
preferem a noite e concordam com a oração de Davi: "Suba a minha oração
perante a tua face como (...) o sacrifício da tarde" (Salmo 141:2,
ACF).
Outros
preferem muitos encontros durante o dia. Aparentemente o autor do Salmo 55
fazia assim. Escreveu: "De tarde e de manhã e ao meio dia orarei"
(Salmo 55:17, ACF).
Alguns
sentam embaixo de uma árvore, outros, na cozinha. Talvez você precise percorrer
certa distância para ir até seu trabalho, ou talvez a hora do almoço seja a
mais apropriada. Busque a hora e o lugar adequados.
Quanto
tempo deve tomar? Todo o necessário. Valorize a qualidade mais que a
quantidade. Seu tempo com Deus deve durar o suficiente como para a você possa
dizer o quer dizer e que Deus diga o que quer dizer. O que nos leva ao segundo
recurso que você necessita:
Uma Bíblia aberta
Deus nos fala por meio de sua
Palavra. O primeiro passo ao ler a Bíblia é pedir a Deus ajuda para
compreendê-la. "Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome,
esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho
dito" (João 14:26, ACF).
Antes de ler a Bíblia, ore.
Não se aproxime das Escrituras procurando suas próprias idéias; busque as de
Deus. Leia a Bíblia com oração. Também leia com cuidado. Jesus nos disse:
"buscai,
e encontrareis" (Mt 7:7, ACF). Deus elogia os que meditam nas Escrituras noite e
dia (ver Salmo 1:2). A Bíblia não é um jornal no qual podem ler-se os títulos,
mas um filão que é preciso aproveitar. "Se como a prata a buscares e como a tesouros escondidos a procurares,
então entenderás o temor do SENHOR, e acharás o conhecimento de Deus" (Pv 2:4-5, ACF).
Este é um ponto prático.
Estude a Bíblia um pouco de cada vez. Deus parece enviar mensagens como enviava
o maná: uma porção para um dia por vez. Ele provê "mandamento sobre
mandamento, mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, regra sobre regra,
um pouco aqui, um pouco ali" (Is 28:10, ACF). Prefira a profundidade à quantidade.
Leia até que um versículo "lhe dê um tapa", então pare e medite nele.
Copie esse versículo num papel, ou escreva-o em seu diário, e reflita nele
várias vezes.
Na
manhã em que escrevi este capítulo, por exemplo, meu tempo devocional me
encontrou em Mateus 18. Tinha lido apenas quatro versículos quando li: "quem
se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no reino dos céus...".
Não precisei avançar mais. Copiei as palavras em meu diário, e meditei e pensei
nela durante o dia. Várias vezes perguntei a Deus: "Como posso ser mais
como uma criança?" No final do dia me veio a lembrança de minha tendência
a andar com pressa e esforçar-me.
Aprenderei
o que Deus quer? Se escutar, aprenderei.
Não
desanime se sua leitura produzir pouco. Alguns dias uma porção menor é tudo
quanto necessitamos. Uma menina regressou de seu primeiro dia na escola. Sua
mãe perguntou-lhe:
— Você
aprendeu algo?
— Acho
que não — respondeu a menina —. Preciso voltar amanhã, e depois de amanhã, e
todos os dias.
Assim
é com o aprendizado. É o mesmo caso com o estudo da Bíblia. A compreensão vem
um pouco de cada vez, e para toda a vida.
Existe um terceiro recurso ou
ferramenta para ter um tempo produtivo com Deus. Não só necessitamos um tempo
regular e uma Bíblia aberta, mas também precisamos de um coração que escuta.
Não esqueça a admoestação de Tiago: "Aquele, porém, que atenta
bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte
esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu
feito" (Tg 1:25, ACF).
Sabemos que estamos escutando
a Deus quando o que lemos na Bíblia é o que os outros vêem em nossas vidas.
Talvez você tenha ouvido a história do tolo que viu um anuncio de um cruzeiro.
O cartaz na vitrine da agencia de viagens dizia: "Cruzeiro: $100".
"Eu tenho $ 100",
pensou, "e gostaria de fazer essa viagem". Assim entrou e disse o que
desejava. O funcionário pediu-lhe o dinheiro, e o tolo começou a contá-lo.
Quando chegou a cem, recebeu uma terrível pancada que o deixou sem sentido.
Acordou enfiado num barril boiando num rio. Outro tolo, em outro barril, passou
por ali e o primeiro perguntou:
— Ouça, servem almoço neste
cruzeiro?
O outro respondeu:
— Não serviram no ano
passado.
Uma coisa é não saber; e
outra muito distinta é saber e não aprender. Paulo instou a seus leitores a que
pusessem em prática o que haviam aprendido dele. "O que também aprendestes, e
recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei" (Filipenses 4:9, ACF).
Se você quer ser como Jesus,
deixe que Deus se apodere de você. Passe tempo escutando-O até que receba sua
lição para o dia; depois, aplique-a.
Tenho outra pergunta para
examinar seu ouvido. Leia, e veja como vai.
QUANTO TEMPO SE PASSOU DESDE
A ÚLTIMA VEZ QUE DEIXOU QUE DEUS O AMASSE?
Minhas filhas já estão muito
crescidas, porém quando eram pequenas, no berço e com fraldas, eu chegava em
casa, gritava seus nomes e as via vir correndo com seus braços estendidos e
berrando de alegria. Pelos minutos seguintes falávamos a linguajem do carinho.
Rolávamos pelo chão, acariciava suas barrigas, fazia-lhes cócegas e riamos e
brincávamos.
Nos alegrávamos com a
presença do outro; não me pediam nada que não fosse: "Vamos brincar,
papai". Eu não lhes exigia nada, além de: "Não bata no papai com o
martelo".
Minhas filhas me permitiam
que eu as amasse.
Mas suponha que minhas filhas
tivessem se aproximado de mim do mesmo modo com que freqüentemente nos
aproximamos de Deus: "Escuta, pai: estou feliz de que tenhas chegado. Isto
é o que eu quero: mais brinquedos. Mais doces. Podemos ir a um parque de
diversões nestas férias?"
"Hein!", eu diria.
"Não sou garçom, nem isto é um restaurante. Sou teu pai, e esta é a nossa
casa. Por que não sobes nos joelhos de papai e me deixas dizer-te quanto te a
amo?"
Você pensou alguma vez que
Deus quisesse fazer o mesmo com você? Ah, Ele nunca me diria tal coisa.
Não diria? Então com quem estava falando quando disse: "com amor eterno te
amei"
(Jeremias 31:3, ACF). Estava Ele brincando quando disse que nada "nos poderá separar do amor de Deus" (Romanos 8:39, ACF)? Sepultado entre as jazidas muito
pouco exploradas dos profetas menores está esta jóia:
"O SENHOR teu Deus, o
poderoso, está no meio de ti, ele salvará; ele se deleitará em ti com alegria;
calar-se-á por seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo" (Sofonias
3:17, ACF).
Não passe rapidamente por
esse versículo. Leia de novo, e prepare-se para uma surpresa:
"O SENHOR teu Deus, o
poderoso, está no meio de ti, ele salvará; ele se deleitará em ti com alegria;
calar-se-á por seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo" (Sofonias
3:17, ACF).
Note quem é ativo e quem é
passivo. Quem é o que canta, e quem o que repousa? Quem se alegra por seu ser
querido, e por quem se regozija?
Pensamos que nós somos os
cantores e que cantamos para Deus. Na maioria dos casos é assim. Mas
evidentemente há ocasiões quando Deus gostaria que permanecêssemos simplesmente
quietos e (que pensamento mais surpreendente!) que lhe permitíssemos que Ele
cantasse para nós.
Até vejo você se retorcendo
na cadeira. Você diz que não se preocupa por tal afeto? Judas também não, mas
Jesus lavou-lhe os pés. Tampouco Pedro, mas Jesus lhe preparou o desjejum.
Tampouco os discípulos que iam para Emaús, mas Jesus se deu tempo para
sentar-se com eles à mesa.
Além disso, quem somos nós
para determinar se somos dignos? Nossa tarefa é simplesmente estarmos quietos o
suficiente para permitir que Deus se apodere de nós e nos ame.
OUVE A MÚSICA?
Vou concluir contando algo
que talvez você já tenha ouvido antes, ainda que não o tenha ouvido como vou
contá-lo. Ouviu, porque você participa da história. Você é uma das personagens.
É a história dos dançarinos que não tinham música.
Pode imaginar a estranheza que
é? Dançar sem música? Dia após dia chegavam a um grande salão na esquina das
ruas Principal e Larga. Traziam com eles suas esposas. Traziam seus filhos e
suas esperanças. Vinham para dançar.
O salão estava preparado para
o baile. Fitas de cores por todas partes, e copos cheios de refrigerantes. As
cadeiras estavam colocadas contra as paredes. As pessoas chegavam e tomavam
assento, sabendo que tinham vindo para dançar mas sem saber como, já que não havia
música. Tinham balões; tinham bolos. Havia até um palco no qual os músicos poderiam
ter tocado, mas não havia músicos.
Uma vez um homenzinho de rosto
comprido disse que era músico. Parecia ser, com sua barba até a cintura e um
luxuoso violino. Todos ficaram de pé no dia em que ele se levantou em frente a
eles, tirou o violino de sua caixa e o colocou embaixo de seu queixo. Agora é
que vamos dançar..., pensaram, porém erraram. O homem tinha um violino, mas sem
cordas. O movimento de vaivém do arco produzia ruídos como o ranger de uma
dobradiça enferrujada. Quem pode dançar com ruídos como esses? Assim os
dançarinos voltaram aos seus assentos.
Alguns tentaram dançar sem
música. Uma esposa convenceu o marido para que tentassem, e se lançaram na
pista; ela dançava de seu jeito, e ele do dele. Os esforços de ambos eram
dignos de elogios; porém distavam muito de serem compatíveis. Ele dançava algo
assim como um tango sem companheira, enquanto que ela girava como uma dançarina
de balé. Uns poucos trataram de imitá-los, mas como não ouviam nada, não sabiam
como fazer. O resultado foi uma dúzia de dançarinos sem música, mexendo-se por
todos os lados, tropeçando uns com os outros, e fazendo com que mais de um
observador procurasse refúgio atrás de uma cadeira.
Finalmente, os dançarinos
cansaram, e todo mundo voltou a sentar-se e ficaram olhando, e se perguntavam
se algum dia algo iria acontecer. Um dia, aconteceu.
Nem todo mundo o viu entrar;
somente uns poucos. Nada havia em sua aparência que chamasse a atenção. Sua
aparência era comum, mas não sua música. Começou a cantar uma canção, suave e
doce, cálida e emotiva. Sua canção eliminou o gelo do ar e produziu um calor
como de crepúsculo de verão nos corações.
Enquanto cantava, as pessoas
ficaram em pé, uns poucos no princípio, depois muitos; e começaram a dançar.
Juntos. Seguindo uma música que nunca antes haviam ouvido, dançaram.
Alguns, porém, ficaram
sentados. Que tipo de músico é este que nunca prepara seu cenário? Não traz sua
banda? Não veste traje especial? Os músicos não surgem simplesmente da rua. Têm
seu séqüito, sua reputação, uma fama que projetar e proteger. Deste cara, nem
sequer se menciona muito seu nome!
"Como podemos saber que
o que está cantando é realmente música?", questionaram.
A resposta do cantor foi o
ponto: "Quem tem ouvidos para ouvir, que os use".
Mas os que não dançavam se
recusaram a ouvir. Recusavam dançar. Muitos ainda recusam. O músico vem e
canta. Alguns acham música para a vida; outros vivem em silêncio. Aos que
perdem a música, o músico faz o mesmo chamamento: "Quem tem ouvidos para
ouvir, que os use".
Um tempo e um lugar regular.
Uma Bíblia aberta.
Um coração aberto.
Deixe que Deus se apodere de
você, e permita que o ame; e não se surpreenda se seu coração começar a ouvir
música que nunca antes tinha ouvido, e seus pés começarem a dançar como nunca
antes.
"Eu neles, e tu em
mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que
tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim"
João 17:23, ACF.
5. Deixe-se guiar
por uma mão invisível
UM CORAÇÃO
EMBRIAGADO DE DEUS
É um dia verdadeiramente
maravilhoso quando deixamos de trabalhar para Deus e começamos a trabalhar com
Deus. (Vá em frente, leia a frase de novo).
Durante anos eu vi Deus como
um Gerente de Empresa compassivo, e meu papel como um vendedor leal. Ele tinha
sua oficina, e eu tinha meu território. Podia ficar em contato com Ele quantas
vezes quisesse. Ele sempre estava ao alcance do telefone ou do fax. Me animava,
me respaldava e me sustentava, porém nunca me acompanhava. Pelo menos não achava
que iria comigo. Então li 2 Coríntios 6:1: nós somos "colaboradores
seus".
Colaboradores? Deus e eu
trabalhando juntos? Imagine a mudança de paradigma que isto produz. Em vez de
apresentar relatórios a Deus, trabalhamos com Deus. em vez de reportar a
Ele e depois sair, nos apresentamos a Ele e depois o seguimos. Sempre estamos
na presença de Deus. Nunca deixamos a igreja. Nunca há um momento que não seja
sagrado! Sua presença jamais diminui! Nossa noção de sua presença pode vacilar,
mas a realidade de sua presença jamais muda.
Isto me leva a uma grande
pergunta: Se Deus está perpetuamente presente, é possível desfrutar de comunhão
inacabável com Ele? No capítulo anterior falamos da importância de separar
tempo diariamente para passar com Deus. Demos um passo além. Um passo
gigantesco. Que tal se a nossa comunhão diária jamais cessar? Seria possível
viver, minuto após minuto, na presença de Deus? É possível tal
intimidade? Um homem que lutou com estas indagações escreveu:
Podemos ter contato com Deus
o tempo todo? Todo o tempo que estamos acordados, dormir em seus braços, e
acordar em sua presença? Podemos consegui-lo? Podemos fazer sua vontade o tempo
todo? Podemos pensar seus pensamentos todo o tempo? ...Posso pôr o Senhor de
novo em minha mente a cada poucos segundos para que Deus esteja sempre em minha
mente? Escolho fazer do resto de minha vida uma experiência para responder a esta
pergunta. [8]
Estas palavras estão no
diário de Frank Laubach. Ele nasceu nos Estados Unidos em 1884, e foi
missionário para os analfabetos, os quais ensinava a ler para que pudessem
conhecer a beleza das Escrituras. O que me fascina nesse homem, contudo, não é
seu ensino. O que me fascina é sua forma de escutar. Insatisfeito com sua vida
espiritual, aos quarenta e cinco anos Laubach resolveu viver "em contínua
conversação íntima com Deus e em perfeita resposta a sua vontade" [9].
Escreveu em seu diário um
histórico de sua experiência, que começou o 30 de janeiro de 1930. as palavras
de Laubach me inspiraram tanto que inclui aqui vários fragmentos. Ao lê-las,
leve em conta que não foram escritas por um monge num monastério, mas por um
instrutor muito ocupado e dedicado. Quando morreu em 1970, Laubach e suas
técnicas de educação eram conhecidas em quase todos os continentes. Era
amplamente respeitado, e tinha viajado muito. Contudo, o desejo de seu coração
não era o reconhecimento, mas a comunhão ininterrupta com o Pai.
26 DE JANEIRO DE 1930: Sinto
Deus em cada movimento, por um ato de vontade: ao desejar que Ele dirija estes
dedos que agora batem esta máquina de escrever; ao desejar que Ele opere em
meus passos quando caminho.
1 DE MARÇO DE 1930: Este
sentimento de ser dirigido por uma mão invisível que toma a minha enquanto que
outra mão se estende para adiante e prepara o caminho cresce em mim
diariamente... algumas vezes requer longo tempo na manhã. Decidi não
levantar-me do leito quando minha mente não tenha se fixado no Senhor.
18 DE ABRIL DE 1930: Provei a
emoção da comunhão com Deus que fez desagradável tudo quanto seja discordante
com Deus. Esta tarde a possessão de Deus me capturou com tal gozo indizível que
pensei que nunca havia conhecido algo parecido. Deus estava tão perto e tão
assombrosamente encantador que senti como se me derretesse por completo com um
contentamento estranhamente abençoado. Depois desta experiência, que agora me
acontece várias vezes por semana, a emoção da imundícia me repele, porque
conheço seu poder para arrastar-me e afastar-me de Deus. Depois de uma hora de
íntima amizade com Deus minha alma se sente limpa, como neve recém caída.
14 DE MAIO DE 1930: Ah, isto
de manter constante contato com Deus, de fazê-lo objeto de meu pensamento e
companheiro de minhas conversações, é o mais assombroso que jamais me
aconteceu. Funciona. Não consigo fazê-lo nem sequer por meio dia; ainda não,
mas acho que conseguirei algum dia fazê-lo durante um dia inteiro. É questão de
adquirir um novo hábito de pensamento.
24 DE MAIO DE 1930: Esta
concentração em Deus é fatigante, mas todo o resto deixou de sê-lo. Penso mais
claramente, e me esqueço com menos freqüência. As coisas que antes fazia com
esforço, agora as executo com facilidade e sem esforço algum. Não me preocupo
por nada, nem perco o sono. Ando como no ar uma boa parte do tempo. Até o
espelho revela uma nova luz em meus olhos e rosto. Já não me sinto apressado
quanto a nada. Tudo parece andar bem. Enfrento cada minuto com calma, como se
não fosse importante. Nada pode dar errado, exceto uma coisa: que Deus possa
sair de minha mente.
1 DE JUNHO DE 1930: Oh, Deus,
que nova proximidade nos dá isto a ti e a mim, perceber que somente Tu podes
compreender-me, que somente Tu sabes todo! Já não és um estranho, Deus! És o
único ser no universo que não é parcialmente um estranho! És tudo dentro de
mim: aqui... Penso em lutar esta noite e amanhã como nunca antes, sem te deixar
nem um instante. Porque quando te perco por uma hora, perco tudo. O que Tu
queres que seja feito pode fazer-se somente quando Tu tens toda a influência, o
tempo todo.
Segunda-feira passada foi o
dia mais completamente triunfante de toda minha vida até essa data, no que diz
respeito a dar meu dia em completa e contínua rendição a Deus... Lembro como ao
olhar as pessoas com o amor que Deus me deu, elas me olhavam e reagiam como se
quisessem acompanhar-me. Senti então que por um dia vi um pouco dessa atração
maravilhosa que Jesus tinha quando caminhava pelo caminho depois de um dia
"embriagado de Deus", e radiante com a comunhão interminável de sua
alma com Deus. [10]
O que você acha da aventura
de Frank Laubach? Como você responderia a suas perguntas? Podemos ter contato
com Deus o tempo todo? Todo o tempo acordados, dormir em seu braços e
acordar em sua presença? Podemos conseguir isso?
É realista esta meta? Está ao
alcance? Você acha que a idéia de constante comunhão com Deus é um tanto
fanática, até extrema? Seja qual for a sua opinião a respeito da aventura de
Launach, você tem que concordar com sua observação de que Jesus desfrutava de
comunhão ininterrupta com Deus. Se vamos ser como Jesus, você e eu nos
esforçaremos por fazer o mesmo.
O TRADUTOR DE DEUS
A relação de Jesus com Deus
era muito mais profunda do que um encontro diária. Nosso Salvador sempre estava
consciente da presença de seu Pai. Ouça suas palavras:
"Na verdade, na
verdade vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não
vir fazer o Pai; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente"
(João 5:19, ACF).
"Eu não posso de mim
mesmo fazer coisa alguma. Como ouço, assim julgo" (João 5:30, ACF).
"Crede-me que estou no
Pai, e o Pai em mim" (João 14:11, ACF).
Fica claro que Jesus não agia
a menos que visse o Pai agir. Não julgava senão quando ouvia o Pai julgar.
Nenhum ato nem obra acontecia sem a direção do Pai. Suas palavras soam como as
de um tradutor.
Houve algumas poucas ocasiões
no Brasil em que servi como tradutor-intérprete a um pregador que falava em
inglês. O homem estava de frente ao público com sua mensagem. Eu estava ao seu
lado, equipado com o idioma. Meu trabalho era apresentar aos ouvintes sua
história. Fazia o melhor que podia para que suas palavras fluíssem através de
mim. Não tinha liberdade para embelezar ou subtrair. Quando o pregador fazia um
gesto, eu também o fazia. Quando aumentava o volume, eu também o aumentava.
Quando ficava quieto, eu também.
Quando Jesus andou nesta
terra, sempre estava "traduzindo" a Deus. quando Deus falava mais
forte, Jesus falava mais forte. Quando Deus fazia algum gesto, Jesus fazia-o também.
Ele estava tão sincronizado com o Pai que pôde declarar: "(Eu) estou no Pai, e o Pai em
mim"
(João 14:11, ACF). Era como se ouvisse uma voz que os outros não podiam ouvir.
Presenciei algo similar num
avião. Ouvia uma vez após outra explosões de gargalhadas. O vôo era turbulento
e agitado, e não havia razão alguma para o humor. Mas alguém atrás de mim
morria de rir. Ninguém mais, somente ele. Finalmente me virei para ver o que
era tão engraçado. Tinha fones de ouvidos, e evidentemente estava ouvindo
alguma comédia. Mas como nós não podíamos ouvir o que ele estava escutando,
agíamos de forma diferente.
O mesmo acontecia com Jesus. Como
Ele podia ouvir o que outros não podiam, agia em forma diferente à deles.
Lembra quando todo mundo estava preocupado pelo homem que tinha nascido cego?
Jesus não. De alguma maneira, Ele sabia que a cegueira revelaria o poder de
Deus (João 9:3). Lembra quando todo mundo estava aflito pela doença de Lázaro?
Jesus não. Em vez de acudir apressadamente ao lado da cama de seu amigo, disse:
"Esta
enfermidade não é para morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus
seja glorificado por ela" (João 11:4, ACF). Foi como se Jesus pudesse ouvir o
que ninguém mais podia. Que relação pode ser mais íntima que aquela? Jesus
tinha uma comunhão ininterrupta com seu Pai.
Você acha que o Pai deseja o
mesmo para nós? Absolutamente sim. Paulo diz que fomos predestinados para
sermos "conformes à imagem de seu Filho" (Romanos 8:29, ACF).
Permita-me lembrar você: Deus o ama tal como você é, porém recusa-se a deixá-lo
assim. Ele quer que você seja como Jesus. Deus deseja ter com você a mesma
intimidade permanente que tinha com seu Filho.
QUADROS DE
INTIMIDADE
Deus traça vários quadros
para descrever a relação que Ele tem em mente. Uma é a videira e os ramos.
"Eu sou a videira, vós
as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada
podeis fazer. Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e
secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem. Se vós estiverdes em mim, e as
minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será
feito" (João 15:5-7, ACF).
Deus quer estar tão unido a
nós como as varas a uma videira. Uma é a extensão da outra. É impossível dizer
onde começa uma e onde acaba a outra. O ramo não está unido somente no momento
de carregar o fruto. O horticultor não tem as varas guardadas numa caixa e
então, no dia em que deseja uvas, as cola na videira. Não, a vara
constantemente extrai nutrição da videira. A separação significaria uma morte
certa.
Deus usa também o templo para
descrever a intimidade que Ele deseja.
"Ou não sabeis que o
vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de
Deus, e que não sois de vós mesmos?" (1 Coríntios 6:19, ACF).
Pense comigo por um momento no
templo. Deus foi um visitante ou um residente no templo de Salomão? Você descreveria
sua presença como ocasional ou permanente? Você conhece a resposta. Deus não
vinha e ia embora, aparecia e desaparecia. Era uma presença permanente, sempre
disponível.
Que incríveis boas notícias
para nós! NUNCA estamos longe de Deus! Nunca se separa de nós, nem mesmo por um
momento! Deus não vem a nós aos domingos pela manhã e depois vai embora aos
domingos pela tarde. Sempre permanece em nós, continuamente está presente em
nossas vidas.
A analogia bíblica do
matrimônio é o terceiro quadro desta estimulante verdade. Não somos a esposa de
Cristo? (Apocalipse 21:2). Não estamos unidos a Ele? (Romanos 6:5). Não fizemos
votos e Ele os fez a nós?
Qual a implicação de nosso matrimônio
com Jesus a respeito de seus desejos de ter comunhão conosco? Por um lado, a
comunicação nunca cessa. Num lar feliz, o esposo não fala com a esposa somente
quando deseja algo dela. Não aparece em sua casa somente quando quer uma boa
comida, uma camisa limpa ou um pouco de romance. Se age assim, sua casa não é
um lar; é um prostíbulo que serve comida e lava roupa.
Os casamentos saudáveis têm
um sentido de "permanência". O marido permanece com a mulher, e ela
com ele. Há ternura, franqueza e comunicação contínua. O mesmo acontece em
nossa relação com Deus. algumas vezes nos aproximamos dEle com nossas alegrias,
outras vezes com nossas feridas, mas sempre vamos. Ao irmos, quanto mais vamos,
mais chegamos a sermos como Ele. Paulo diz que estamos sendo transformados
"de glória em glória" (2 Coríntios 3:18).
As pessoas que vivem longo
tempo juntas, no final começam a ficar parecidas, a falar de maneira similar, e
até a pensar igual. Conforme andamos com Deus, captamos seus pensamentos, seus
princípios, suas atitudes. Nos apropriamos de seu coração.
Assim como no matrimônio, a
comunhão com Deus não é uma carga. Para dizer a verdade, é um deleite.
"Quão amáveis são os
teus tabernáculos, SENHOR dos Exércitos! A minha alma está desejosa, e
desfalece pelos átrios do SENHOR; o meu coração e a minha carne clamam pelo
Deus vivo" (Salmo 84:1-2, ACF).
O nível de comunicação é tão
doce que nada se compara.
Laubach escreveu:
É minha responsabilidade
olhar a própria face de Deus até que suas bênçãos doam em mim... Agora gosto
tanto da presença do Senhor que quando sai de minha mente por meia hora ou algo
assim, e o faz muitas vezes no dia, sinto-me como se eu o tivesse abandonado, e
como se tivesse perdido algo muito precioso em minha vida (3 de março de 1931;
14 de maio de 1930).[11]
Podemos considerar uma última
analogia da Bíblia? Que tal a das ovelhas e o pastor? Muitas vezes as
Escrituras nos chamam de o rebanho de Deus. "Somos povo seu e ovelhas
do seu pasto" (Salmo 100:3, ACF). Não necessitamos saber muito de
ovelhas para saber que o pastor nunca abandona seu rebanho. Se virmos um
rebanho vindo pela trilha, sabemos que há um pastor perto. Se virmos um cristão
na frente, saberemos o mesmo. O Bom Pastor nunca deixa suas ovelhas. "Ainda que eu andasse pelo
vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo" (Salmo 23:4, ACF).
Deus está perto de você como
a videira do ramo, tão presente em você como Deus estava em seu templo, tão
intimamente como o esposo com a esposa, e tão devotado a você como o pastor
para com suas ovelhas.
Deus deseja estar tão perto
de você como estava de Cristo; tão perto que literalmente possa falar por meio
de você, e tudo que você tem a fazer é traduzir; tão perto que sintonizá-lo é
como colocar fones de ouvido; tão perto que quando os outros percebem a
tormenta e se atemorizam, você ouve sua voz e sorri.
Assim é como o rei Davi
descreveu a mais íntima das relações:
SENHOR, tu me sondaste, e
me conheces.
Tu sabes o meu assentar e o
meu levantar; de longe entendes o meu pensamento.
Cercas o meu andar, e o meu
deitar; e conheces todos os meus caminhos.
Não havendo ainda palavra
alguma na minha língua, eis que logo, ó SENHOR, tudo conheces.
Tu me cercaste por detrás e
por diante, e puseste sobre mim a tua mão.
Tal ciência é para mim
maravilhosíssima; tão alta que não a posso atingir. (Salmo 139:1-6, ACF).
Davi não foi o único escritor
bíblico que testemunhou da possibilidade de uma noção constante da presença de
Deus. Considere o repicar destas declarações da caneta de Paulo que nos
estimulam a nunca sair do lado de nosso Deus.
"Orai sem cessar" (1 Tessalonicenses 5:17, ACF).
"Perseverai na
oração" (Romanos 12:12, ACF).
"Orando em todo o
tempo com toda a oração e súplica no Espírito" (Efésios 6:18, ACF).
"Perseverai em
oração" (Colossenses 4:2, ACF).
"As vossas petições
sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica" (Filipenses 4:6, ACF).
Você acha opressora e
complicada a comunhão constante? Está pensando: A vida já é bastante difícil.
Para que agregar tudo isso? Se pensa assim, lembre-se que é Deus quem tira as
cargas, não que as impõe. Deus quer que a oração incessante alivie nossa carga,
não que a aumente.
Quanto mais estudamos a
Bíblia, mais percebemos que a comunhão ininterrupta com Deus é o propósito e não
a exceção. Ao alcance de todo crente está a interminável presença de
Deus.
A PRÁTICA DA
PRESENÇA
Então, como vivo na presença
de Deus? Como percebo sua mão invisível sobre meu ombro e sua voz inaudível em
meu ouvido? Assim como a ovelha se familiariza com a voz do pastor. Como
podemos você e eu familiarizar-nos com a voz de Deus? A seguir algumas idéias:
• Entregue a Deus seus
pensamentos ao acordar. Antes de enfrentar o dia, procure o rosto do Pai.
Antes de pular da cama, coloque-se em sua presença. Tenho um amigo que contraiu
o hábito de ajoelhar-se ao descer do leito, e começar seu dia em oração.
Pessoalmente, não faço isso. Com minha cabeça ainda sobre o travesseiro e meus olhos
ainda fechados, eu ofereço a Deus os primeiros segundos do dia. A oração não é
nem longa nem formal. Dependendo de quanto eu consegui dormir, talvez nem
sequer seja inteligível. Freqüentemente não é mais que "Obrigado pelo
descanso da noite. Hoje pertenço a Ti".
C. S. Lewis escreveu: "No
momento em que se levanta a cada manhã... [todos] seus desejos e esperanças
para esse dia se aproximam em tropel como animais selvagens. A primeira tarefa
de cada manhã consiste em fazê-los retroceder; em escutar essa outra voz, tomar
esse outro ponto de vista, permitir que essa outra vida, maior, mais forte,
mais tranqüila, entre e flua" [12].
Era assim que o salmista
começava seu dia: "Pela manhã ouvirás a minha voz, ó SENHOR; pela manhã
apresentarei a ti a minha oração, e vigiarei" (Salmo 5:3, CF). Isto nos leva à segunda idéia:
• Entregue a Deus seus pensamentos enquanto espera.
Passe tempo com Ele em silêncio. O casal amadurecido tem aprendido o tesouro do
silêncio compartilhado; não p6recisam encher o ar com fala constante.
Simplesmente estar juntos é suficiente. Tente ficar em silêncio com Deus.
"Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus" (Salmo 5:3, ACF). Perceber a
presença de Deus é fruto da quietude diante de Deus.
Dan Rather perguntou a madre Teresa
de Calcutá:
— O que você diz a Deus
quando ora?
Madre Teresa respondeu, suavemente:
— Escuto.
Surpreendido, Rather voltou à
carga:
— Pois bem, e o quê diz Deus?
Madre Teresa sorriu.
— Ele escuta [13].
• Entregue a Deus
seus pensamentos num sussurro. Através dos séculos os cristãos têm
aprendido o valor das orações em frases breves, orações que podem ser ditas em
voz baixa onde quiser, em qualquer lugar. Laubach procurava a comunhão ininterrupta
com Deus fazendo-lhe perguntas. A cada dois o três minutos orava: "Estou
em tua vontade, Senhor? Estou agradando-te, Senhor?"
No século dezenove, um monge
russo anônimo decidiu viver em comunhão ininterrupta com Deus. Num livro
intitulado "A Senda do Peregrino", conta como aprendeu a ter uma
oração constantemente em sua mente: "Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus:
tem misericórdia de mim, pecador". Com o tempo, a oração chegou a
internalizar-se tanto que constantemente a elevava, ainda que estivesse
conscientemente ocupado em alguma outra coisa.
Imagine o que seria
considerar todo momento como um tempo potencial de comunhão com Deus. Ao final
de sua vida, você terá passado seis meses esperando nos semáforos, oito meses
abrindo correspondência-de-lixo, um ano e meio procurando coisas perdidas (no
meu caso duplique essa quantidade), e cinco impressionantes anos esperando em
alguma fila [14]. Por que não entregar a Deus esses momentos? Ao
entregar a Deus seus pensamentos num sussurro, o comum se torna incomum, frases
simples tais como: "Obrigado, Pai", "Seja soberano nesta hora,
Senhor", "Tu és meu refúgio, Jesus", podem converter uma hora de
viagem numa peregrinação. Não precisa sair de seu escritório nem se ajoelhar na
cozinha. Simplesmente ore onde estiver. Deixe que a cozinha se converta numa
catedral ou no salão de uma capela. Entregue a Deus seus pensamentos em voz
baixa.
• Finalmente, entregue a
Deus seus pensamentos no ocaso. No fim do dia, permita que sua mente se
fixe nEle. Conclua seu dia assim como o começou: falando com Deus. Agradeça
pelas partes boas. Pergunte a respeito das partes difíceis. Procure sua
misericórdia. Busque sua força. Ao fechar os olhos, busque segurança em sua
promessa: "Eis que não tosquenejará nem dormirá o guarda de Israel" (Salmo 121:4, ACF). Se adormecer
enquanto ora, não se preocupe. Que melhor lugar para dormir que nos braços de
seu Pai?
"Mas todos nós, com
rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos
transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor"
2 Coríntios 3:18, ACF.
"O seu rosto
resplandeceu como o sol"
Mateus 17:2, ACF.
6. Um rosto
transformado e um par de asas
UM CORAÇÃO COM FOME
DE ADORAR
As pessoas num avião e as
pessoas nos bancos da igreja têm muito em comum. Estão de viagem. A maioria se
comporta bem e estão bem vestidos. Alguns cochilam, e outros olham pelas
janelas. A maioria, senão todos, está satisfeita com uma experiência
previsível. Para muitos, a característica de um bom vôo e a característica de
um bom culto de adoração são as mesmas. "Bom", gostamos de dizer,
"Foi um bom vôo/culto de adoração". Saímos do mesmo modo que
entramos, e ficaremos contentes em voltar a próxima vez.
Uns poucos, porém, não estão
contentes com que seja bom. Anseiam algo mais. A criança que acaba de passar
por mim, por exemplo. O ouvi antes de conseguir vê-lo. Já estava em meu assento
quando perguntou: "Verdade que me permitirão conhecer o piloto?" Ou
tinha muita sorte ou foi muito esperto pois fez a petição justamente quando
entrava no avião. A pergunta chegou até a cabine, fazendo com que o piloto se
inclinasse para ver.
— Alguém me procura? — perguntou.
O menino levantou a mão no mesmo
instante como respondendo a pergunta da professora de segunda série.
— Eu!
— Pois bem, venha.
Com o consentimento da mãe, o
rapazinho entrou no mundo de controles e medidores da cabine, e poucos minutos
depois saiu com os olhos enormemente abertos.
— Maneiro! — exclamou —. Me
alegro de estar neste avião!
A cara de nenhum outro
passageiro mostrava esse assombro.
Devia saber. Prestei atenção.
O interesse do menino despertou o meu, e assim estudei as expressões dos outros
passageiros, e não achei nada desse entusiasmo. Via na maioria contentamento:
viajantes contentes de estarem no avião, contentes de estarem perto de seu
destino, contentes de estarem fora do aeroporto, contentes de ficarem sentados
e falar pouco.
Havia umas poucas exceções.
Mais ou menos cinco mulheres de idade média, que levavam chapéus de palha e
tinham sacolas de praia, não estavam contentes; estavam exuberantes. Riam
enquanto avançavam pelo corredor. Aposto que eram mães que haviam conseguido a
liberdade da cozinha e dos filhos por uns poucos dias. O homem de traje azul
sentado do outro lado do corredor não estava contente; estava mal-humorado.
Abriu seu computador e rosnou à tela durante toda a viagem. A maioria de nós,
não obstante, estávamos mais contentes que aquele homem e mais moderados que as
senhoras. A maioria estávamos contentes. Felizes com um vôo previsível, sem
contratempos. Contentes de ter um "bom" vôo.
Já que isso é o que
buscávamos, isso foi o que conseguimos.
O menino, por outro lado,
queria mais. Queria ver o piloto. Se pedirmos a ele para descrever o vôo, ele
não diria "bom". O mais provável é que mostrasse as asas de plástico
que ganhou do piloto, e diria: "Vi o homem em sua própria poltrona".
Você vê por que digo que as
pessoas no avião e as pessoas nos bancos da igreja têm muito em comum? Entre na
nave de qualquer igreja e olhe para os rostos. Uns poucos estão contendo
risadinhas, uns dois estão mal-humorados, mas a grande maioria está feliz.
Contentes de estarem ali. Contentes de estarem sentados, olharem fixamente para
a frente e saírem quando o culto acabar. Contentes de desfrutar uma assembléia
sem surpresas nem turbulência. Contentes com um "bom" culto.
"Buscai e achareis", prometeu Jesus (Mc 7:7). E como um bom culto é
tudo o que buscamos, um bom culto é em geral o que obtemos.
Uns poucos, contudo, buscam
mais. Uns poucos vêm com o entusiasmo da criação. Esses poucos se vão como o
menino saiu, com os olhos arregalados pelo assombro de ter estado na presença
do próprio piloto.
VENHA E PEÇA
O mesmo aconteceu a Jesus. O
dia em que Jesus foi adorar, seu rosto foi mudado.
"Você está me dizendo
que Jesus foi a um culto de adoração?"
Isso mesmo. A Bíblia fala de
um dia quando Jesus se deu tempo para estar com seus amigos na presença de
Deus. Vamos ler sobre o dia em que Jesus foi para adorar:
"Seis dias depois,
tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em
particular a um alto monte, e transfigurou-se diante deles; e o seu rosto
resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz. E eis
que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. E Pedro, tomando a
palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui
três tabernáculos, um para ti, um para Moisés, e um para Elias. E, estando ele
ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz
que dizia: Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o"
(Mateus 17:1-5, ACF).
As palavras de Mateus
pressupõem uma decisão de parte de Jesus de ir para estar na presença de Deus. O
simples fato de que escolheu seus companheiros e subiu no monte sugere que esta
ação não foi impulso do momento. Não foi que uma manhã despertou, olhou para o
calendário e depois para seu relógio, e disse: "Uh! Hoje é o dia em que
devemos subir ao monte". Não; tinha de fazer preparativos. Suspendeu a ministração
às pessoas para que pudesse acontecer a ministração a seu coração. Já que o
lugar escolhido para a adoração estava a certa distância, precisava selecionar
o caminho apropriado e seguir a senda correta. Quando chegou no monte, seu
coração estava pronto. Jesus se preparou para a adoração.
Permita-me perguntar: Você
faz o mesmo? Se prepara para a adoração? Que caminho toma para subir ao monte?
A pergunta talvez pareça estranha, mas suspeito que muitos de nós simplesmente
nos levantamos da cama e vamos à igreja. Tristemente agimos quase com
leviandade quando se trata de encontrar-nos com Deus.
Nós seriamos tão indolentes,
digamos, com o presidente? Vamos supor que você receba um convite para tomar
café da manhã no domingo no Palácio Presidencial. Como passaria o sábado pela
noite? Você se prepararia? Pensaria no que vai dizer? Pensaria no que vai
perguntar e no que vai pedir? Logicamente que sim. Devíamos preparar-nos menos
para um encontro com o Deus santo?
Permita-me instar você para
vir à adoração preparado para adorar. Ore antes de vir para estar pronto para
orar quando chegue. Durma antes de vir para que possa estar acordado quando
chegar. Leia a Palavra de Deus antes de vir para que seu coração esteja suave
ao adorar. Venha com fome. Venha disposto. Venha esperando que Deus lhe fale.
Venha perguntando, inclusive ao entrar pela porta: "Posso ver o piloto
hoje?"
REFLITA SUA GLÓRIA
Fazendo assim descobrirá o
propósito da adoração: mudar a face do adorador. Isso é exatamente o que
aconteceu a Cristo no monte. A aparência de Jesus se transformou: "o seu rosto resplandeceu
como o sol" (Mateus 17:2, ACF).
A
conexão entre o rosto e a adoração é mais do que coincidência. Nosso rosto é a
parte mais pública de nossos corpos, e menos coberta que outras áreas. É também
a parte mais reconhecível de nossos corpos. Não enchemos os álbuns escolares
com fotografias dos pés das pessoas, mas sim com retratos de seus rostos. Deus
deseja tomar nossas faces, estas partes expostas e memoráveis de nossos corpos,
e usá-las para refletir sua bondade. Paulo escreve: "Mas todos nós, com
rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos
transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do
Senhor" (2 Coríntios 3:18, ACF).
Deus
nos convida a ver sua face para poder mudar a nossa. Usa nossos rostos descobertos
para exibir sua glória. A transformação não é fácil. O escultor que trabalhou
no Monte Rushmore [15] enfrentou um desafio menor
que o de Deus. mas nosso Senhor está bem à altura da tarefa. Ele adora mudar o
rosto de seus filhos. Seus dedos fazem desaparecer as rugas de preocupação. As
sombras de vergonha e dúvida se convertem em retratos de graça e confiança.
Deus afrouxa as mandíbulas apertadas e suaviza as testas franzidas. Seu toque
pode tirar as bolsas de cansaço de debaixo dos olhos e converter as lágrimas de
desespero em lágrimas de paz.
Como?
Por meio da adoração.
Esperaríamos
algo mais complicado, mais exigente. Talvez uma obrigação de decorar Levítico
em quarenta dias. Não. O plano de Deus é mais simples. Ele nos muda a face
mediante a adoração.
O
que é exatamente a adoração? Gosto da definição que dá o rei Davi:
"Engrandecei ao SENHOR comigo; e juntos exaltemos o seu nome" (Salmo
34:3). A adoração é o ato de engrandecer a Deus, de engrandecer nossa visão
dEle. É entrar na cabine para ver como se senta e observar como trabalha.
Logicamente, seu tamanho não muda, mas sim nossa percepção dEle. Quanto mais
nos aproximamos, maior parece. Não é disso que precisamos? Uma noção grande
de Deus? não temos grandes problemas, grandes preocupações, grandes
perguntas? Portanto, necessitamos uma grande noção de Deus.
A
adoração oferece isso. Como podemos cantar "Santo, Santo, Santo", sem
que se expanda a nossa visão? Ou que tal os versos do hino "Alcancei
salvação"?
Feliz eu me sinto ao saber que
Jesus
Livrou-me do jugo opressor.
Tirou meu pecado, pregou-o na
cruz.
Glória demos ao bom Salvador. [16]
Podemos
cantar essas palavras sem que se ilumine nossa face?
Um
rosto vibrante, brilhante é característico de quem esteve na presença de Deus. Depois
de falar com Deus, Moisés teve de cobrir o rosto com um véu (Êxodo 34:33-35).
Depois de ver o céu, a face de Estevão reluzia como a de um anjo (Atos 6:15; 7:55-56).
Deixe-me dizer bem
claramente. Esta mudança é obra de Deus, não nossa. Nosso objetivo não é fazer
algum conjuro para produzir alguma expressão falsa, congelada. Nossa meta é
simplesmente estar perante Deus com um coração preparado e disposto e então
deixar que Ele faça sua obra.
E Ele a faz. Limpa as
lágrimas. Limpa o suor. Suaviza nossas testas franzidas. Toca as nossas faces.
Muda nossas faces conforme adoramos.
Mas há mais. Deus não apenas
transforma nossos rostos quando o adoramos, mas também muda os dos que nos vêem
adorar.
ADORAÇÃO EVANGELIZADORA
Lembra
do menino que foi visitar o piloto? Sua paixão me entusiasmou. Eu também quis
ver o piloto (e não teria recusado as asas de plástico).
A
mesma dinâmica acontece quando se vem à adoração com um coração de adoração.
Paulo disse à igreja de Coríntios que adorassem de um modo tão claro que se um não
convertido entrasse, "ele por todos será convencido de que é pecador...
Assim, ele se prostrará, rosto em terra, e adorará a Deus, exclamando: 'Deus
realmente está entre vocês!'" (1 Coríntios 14:24-25, NVI).
Davi
cita o poder evangelizador da adoração sincera: "E pôs um novo cântico na
minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no
SENHOR" (Salmo 40:3, ACF).
Sua
adoração de coração é uma apelação missionária. Deixe que os incrédulos ouçam a
paixão em sua voz ou vejam a sinceridade em seu rosto, e eles serão mudados.
Pedro foi. Quando Pedro viu a adoração de Jesus, disse: "Senhor, bom é
estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para
Moisés, e um para Elias" (Mateus 17:4, ACF).
Marcos
disse que Pedro falou por medo (veja Marcos 9:6). Lucas disse que Pedro falou
sem saber o que dizia (veja Lucas 9:33). Qualquer que tenha sido a razão, Pedro
pelo menos falou. Queria fazer algo por Deus. Não compreendia que Deus quer
corações e não tendas, mas pelo menos foi movido a dar algo.
Por
quê? Porque viu a face transfigurada de Cristo. O mesmo acontece nas igrejas
hoje. Quando as pessoas nos vêem louvando de coração a Deus, quando ouvem nossa
adoração, ficam intrigados. Querem ver o piloto!. Faíscas de nosso fogo acendem
os corações ressecados.
Experimentei
algo similar no Brasil. Nossa casa estava a pouca distância do estádio de
futebol mais grande do mundo. Uma vez por semana o estádio Maracanã enchia até
a bandeira com vociferantes fanáticos do futebol. Inicialmente eu não me
contava entre eles, mas seu entusiasmo era contagioso. Queria ver de perto por
que se entusiasmavam tanto. Quando deixei o Rio, era um futebolista converso e
podia gritar junto com o resto deles.
Os
visitantes que chegam à igreja, talvez não compreendam todo o que acontece lá. Possivelmente
não compreendam o significado de um cântico ou da Ceia do Senhor, mas podem
conhecer o gozo quando o vêem. Quando virem seu rosto mudado, desejarão ver o
rosto de Deus.
E
o oposto, não será igualmente verdadeiro? Certamente. O que acontece quando
alguém que está buscando, vê tédio em seu rosto? Quando vê outros adorando e
você bocejando? Outros estão na presença de Deus, e você em seu próprio mundo
pequeno? Outros estão buscando a face de Deus quando você está buscando a face
de seu relógio?
Já
que estou falando de forma pessoal, posso ir mais um passo adiante? Pais, que é
que seus filhos estão aprendendo da sua adoração? Vêem o mesmo entusiasmo como
quando vão ver uma partida de basquete? Os vêem preparar-se para a adoração
como quando se prepara para sair de férias? Vêem em vocês fome ao chegar,
buscando a face do Pai? Ou o vêem feliz de sair do mesmo modo em que chegou?
Estão
observando você. Estão observando-o.
Você
vai à igreja com um coração com fome de adorar? Nosso Salvador o fez.
Posso
instá-lo a que seja como Jesus? Prepare o seu coração para a adoração. Deixe
que Deus mude sua face mediante a adoração. Demonstre o poder da adoração.
Sobretudo, busque o rosto do piloto. O menino fez isso. Porque procurou o
piloto, saiu com seu rosto mudado e um par de asas. O mesmo pode acontecer com
você.
"Para que o Deus de
nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o
espírito de sabedoria e de revelação; tendo iluminados os olhos do vosso
entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação" Efésios
1:17-18, ACF.
7. Jogos de golfe e
talos de aipo
UM CORAÇÃO BEM ENFOCADO
O
jogo de golfe tinha começado e faltavam quatro buracos para acertar. Estando no
ponto de partida lancei uma olhada para ver o seguinte.
—
É muito longe — comentei. Ninguém respondeu.
— Certamente
trata-se de uma pista muito estreita — disse, enquanto preparava a bola.
Nenhuma resposta.
— Como
esperam que alguém possa jogar a bola por cima dessas árvores? — igualmente,
nenhuma resposta.
O
silêncio não me incomodava. Anos de implacável competição entre colegas
ministros nas canchas municipais tinham me ensinado a precaver-me de seus
truques. Sabia exatamente o que estavam fazendo. Intimidados por minha
impressionante série de tacadas duplas, resolveram dar-me o tratamento de gelo
(além do mais, estávamos apostando um refrigerante). Então me preparei e bati
na bola. Não há outro modo de descrever o que aconteceu: foi uma tacada de mestre.
A bola se elevou num grande arco por cima das árvores à minha esquerda. Pude
ouvir os resmungos dos outros. Tinha por certo que sentiam ciúmes. Depois de
observar seus golpes, sabia que estavam com ciúmes. Nenhum deles se aproximou
sequer das árvores. Em vez de lançar a bola para a esquerda, todos o fizeram
para a direita e acabaram a quilômetros do buraco. Nesse ponto, eu deveria ter
suspeitado de algo, mas nem me passou pela cabeça.
Dirigiram-se
pelo seu lado da pista, e eu pelo meu, mas em vez de achar minha bola
repousando sobre a grama, a encontrei oculta entre as ervas e pedras, e rodeada
de árvores. "Este é um buraco difícil", disse para mim. Porém, estava
à altura. Estudei o tiro e selecionei a estratégia; peguei um taco e,
perdoem-me por dizer isso de novo, mas foi uma grande tacada. Você teria
pensado que minha bola estava sendo controlada por radar, dirigindo-se para a
área verde como um coelho correndo. Somente a inclinação da ladeira a impediu
de rolar sobre a superfície lisa.
Nos
torneios televisados tinha aprendido como agir nesses momentos. Fiquei imóvel
por uns segundos, para que os fotógrafos me retratassem, e então fiz girar meu taco.
Com uma mão saudei a multidão, e com a outra dei o taco para meu ajudante.
Logicamente, no meu caso não havia nem fotógrafos nem ajudante, muito menos
multidão. Nem sequer meus companheiros estavam olhando para mim. Eles estavam
do outro lado da pista, olhando em outra direção. Um tanto incomodado porque
não haviam notado a minha perícia, carreguei os tacos e comecei a dirigir-me
rumo ao buraco.
De
novo, deveria ter percebido que algo ia mal. A série de eventos curiosos deveria
ter chamado minha atenção. Ninguém comentou sobre a dificuldade do buraco.
Ninguém me cumprimentou pelas minhas tacadas. Todo mundo lançava as bolas para
a direita, enquanto eu o fazia para a esquerda. Uma tacada perfeita para cair
entre o mato. Minha esplêndida tacada de aproximação, sem que ninguém percebesse.
Deveria ter percebido, mas não o fiz. Somente quando me aproximava na área
verde do buraco, percebi algo estranho. Alguns jogadores já estavam batendo a
bola rumo ao buraco. Jogadores que eu não conhecia. Jogadores que nunca tinha
visto antes. Olhei à minha volta procurando meu grupo, encontrando-os na área;
num buraco diferente.
Então
percebi. Eu tinha jogado para o buraco errado! Havia escolhido o alvo errado.
Pensei que estávamos jogando para a esquerda, quando devíamos estar jogando
para a direita. De repente tudo fez sentido. Meus companheiros lançaram a bola
para a direita porque era para lá que deveríamos dirigir-nos. Os resmungos que
ouvi depois de meu lançamento foram de compaixão, não de admiração. Com razão o
buraco parecia tão difícil; eu estava jogando na direção errada. Que desalento!
O golfe já é difícil por si. É muito mais difícil quando se joga na direção
errada.
COM O CORAÇÃO NO ALVO
O
mesmo se pode dizer da vida. A vida já é dura por si mesma. E fica mais dura
quando nos dirigimos na direção errada.
Uma
das incríveis capacidades de Jesus foi de manter a direção rumo ao alvo. Sua
vida nunca saiu do trilho. Nem uma única vez o encontramos caminhando do lado
errado da pista. Não tinha dinheiro, nem computadores, nem aviões, nem ajudantes
administrativos; contudo, Jesus fez o que muitos de nós não fazemos. Manteve
sua vida no curso certo.
Quando
Jesus olhava para o horizonte, para o futuro, podia ver muitos alvos. Muitas
bandeiras ondulavam ao vento, e podia dirigir-se a cada uma delas. Poderia ter
sido um revolucionário político. Poderia ter sido um líder nacional. Poderia
ter se conformado em ser um mestre e educar as mentes, ou ser um médico e sarar
corpos. Mas escolheu ser o Salvador e salvar almas.
Qualquer
um que tenha estado perto de Cristo por algum tempo ouviu do próprio Jesus:
"o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido" (Lucas
19:10, ACF); "o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir
e dar a sua vida em resgate de muitos" (Marcos 10:45, ACF).
O
coração de Cristo estava focado indefectivelmente numa tarefa. No dia em que
deixou a carpintaria de Nazaré tinha um último objetivo: a cruz do Calvário.
Concentrou-se tanto que suas palavras finais foram: "Está consumado"
(João 19:30, ACF).
Como
Jesus pôde dizer que havia concluído? Ainda havia gente com fome a ser alimentada,
enfermos a serem curados, gente que precisava ser ensinada e gente sem carinho para
amar. Como podia dizer que havia concluído? Simples. Havia completado a tarefa
designada. Sua missão estava cumprida. O pintor podia deixar de lado seu
pincel, o escultor seu cinzel, o escritor sua caneta. O trabalho estava feito.
Você
não adoraria poder dizer o mesmo? Não adoraria poder olhar retrospectivamente para
sua vida e saber que fez o que foi chamado a fazer?
CORAÇÕES DISTRAÍDOS
Nossas
vidas tendem a expandir-se tanto. Uma moda nos deixa intrigados, até que assoma
a seguinte. Nos deixamos assombrar pela última novela ou cura rápida. Este
projeto, e depois o outro. Vidas sem estratégia, sem metas, sem prioridade
definida. Lançando para buracos fora de ordem. Erráticas. Vacilantes. Vivendo a
vida com soluço. Facilmente nos distraímos por coisas pequenas e esquecemos das
grandes. Vi um exemplo disso outro dia, numa loja.
Há
uma seção no supermercado na qual sou um veterano expert: a seção de amostras
grátis. Nunca perco um petisco. No sábado passado voltei à loja onde costumam
estar as promotoras que repartem amostras grátis. Eureka! Havia duas pessoas
repartindo amostras aos famintos que esperavam na fila. Uma tinha uma panela
com lingüiças e a outra uma bandeja cheia de aipo com queijo creme. Você se
sentirá orgulhoso de saber que optei pelo aipo. Queria a lingüiça, mas sabia
que o aipo é melhor para mim.
Desafortunadamente,
a senhora do aipo nunca chegou a me ver. Estava ocupada demais enfeitando seus
ramos de aipo. Passei na frente dela, e ela nem sequer levantou o olhar. A
senhora da lingüiça, porém, me viu aproximar e me estendeu o prato. Declinei e
voltei a passar na frente da senhora do aipo. Mesma resposta. nem sequer olhou
para mim. Estava muito ocupada decorando sua bandeja. Assim passei de novo na
frente da senhora da lingüiça. De novo estendeu o prato oferecendo, e novamente,
com admirável resolução, resisti. Estava decidido a fazer o correto.
Assim
como a senhora do aipo. Ela estava decidida a ter os ramos de aipo bem
arrumados na bandeja. Mas estava mais preocupada pela aparência de seu produto do
que pela distribuição do mesmo. Parei. Tossi. Limpei a garganta. Fiz tudo o que
podia imaginar, exceto começar a cantar. Nenhuma resposta. Já a senhora da
lingüiça, estava me esperando com os pedaços de carne fumegantes. Me rendi;
comi a lingüiça.
A
senhora do aipo cometeu o mesmo erro que eu cometi no campo de golfe. Errou o
objetivo. Estava demasiado ocupada com as coisas menores (quer dizer, a
organização do aipo) que esqueceu sua tarefa designada (isto é, ajudar os
compradores necessitados, com fome, como eu).
Como
evitar cometer o mesmo erro na vida? Deus quer que sejamos como Jesus e que tenhamos
corações focados. Como seleciono a bandeira correta e me mantenho dirigindo-me
para o alvo? Consultar o mapa teria sido um bom começo. Eu teria me poupado
muitos problemas nesse dia se tivesse me dado o tempo suficiente para olhar o
mapa no cartão de anotações. O arquiteto que o construiu desenhou um mapa. O
que é verdadeiro quanto à pista de golfe também o é na vida. Aquele que
desenhou nosso curso nos deixou direções. Ao responder a quatro simples
perguntas podemos ser mais como Jesus; podemos manter nossas vidas em curso.
ME ENCAIXO NO PLANO DE DEUS?
Romanos
8:28 diz: "E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem
daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu
propósito" (ACF). O primeiro passo para focalizar seu coração é
perguntar-se: "Encaixo no plano de Deus?"
O
plano de Deus é salvar seus filhos. "O Senhor (...) é longânime para
conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a
arrepender-se" (2 Pedro 3:9, ACF).
Se
o objetivo de Deus é a salvação do mundo, então minha meta deve ser a mesma. Os
detalhes diferirão de pessoa para pessoa, mas o quadro geral será idêntico para
todos nós. Paulo diz que somos os representantes de Cristo. Deus nos usa para
persuadir a homens e mulheres (veja 2 Coríntios 5:20). Embora o futuro seja
desconhecido, uma coisa é certa: se espera que você contribua para a execução
do bom plano de Deus: falar aos outros sobre o Deus que ama e anela levar-nos ao
seu lar.
Mas,
como exatamente você deve contribuir? Qual sua tarefa específica? Busquemos a
resposta com uma segunda pergunta.
QUAIS SÃO MEUS ANELOS?
Esta
pergunta talvez surpreenda. Talvez pensou que seus desejos não têm nada a ver
com manter sua vida no trilho. Ledo engano. Seu coração é essencial. O Salmo
37:4 diz: "Deleita-te também no SENHOR, e te concederá os desejos do
teu coração" (ACF). Quando nos submetemos aos planos de Deus, podemos
confiar em nossos desejos. Nossa tarefa designada está na interseção entre o
plano de Deus e os nossos prazeres. O que é que você adora fazer? O que lhe
produz alegria? O que lhe dá um sentimento de satisfação?
Alguns
anseiam dar de comer aos pobres. Outros dirigir uma igreja. Outros adoram
cantar ou ensinar, ou dar a mão ao doente, ou aconselhar o confuso. Cada um de
nós tem sido feito para servir a Deus de uma maneira única.
"Porque somos feitura
sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para
que andássemos nelas" (Efésios 2:10, ACF).
'"Pois possuíste os meus rins;
cobriste-me no ventre de minha mãe. Eu te louvarei, porque de um modo
assombroso, e tão maravilhoso fui feito (...) Os meus ossos não te foram
encobertos, quando no oculto fui feito (...) Os teus olhos viram o meu corpo
ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em
continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia" (Salmo
139:13-16, ACF).
Você
é feito sob medida; feito com um propósito. Deus prescreveu seu nascimento.
Independentemente das circunstâncias que rodearam sua chegada, você não é um acidente.
Deus o planejou desde antes de você nascer.
Os anelos de seu coração não
são acidentais; são mensagens vitais. Os desejos de seu coração não são para
serem ignorados; devem ser consultados. Assim como o vento move o cata-vento,
Deus usa suas paixões para mover sua vida. Deus tem demasiada graça para pedir
que faça algo que você detesta.
Tenha cuidado, contudo. Não
considere seus desejos sem considerar suas capacidades. Passe rapidamente à
terceira pergunta.
QUAIS SÃO MINHAS
CAPACIDADES?
Há algumas coisas que
queremos mas que simplesmente não estamos equipados para conseguir. Eu, por
exemplo, tenho o desejo de cantar. Cantar para outros me daria uma maravilhosa
satisfação. O problema é que não daria a mesma satisfação aos meus ouvintes.
Sou o que você pode chamar de cantor de cárcere: nunca encontro a chave e
sempre estou detrás das grades.
Paulo dá um bom conselho em
Romanos 12:3, ao dizer que estimemos com sensatez nossas capacidades.
Em outras palavras, perceba
seus pontos fortes. Quando você ensina, as pessoas escutam? Quando você dirige,
o seguem? Quando você administra, as coisas melhoram? Em que você é mais
produtivo? Identifique seus pontos fortes, e então — e isto é importante —,
especialize-se neles. Tire do fogo uns tantos gravetos para que os restantes
possam esquentar de verdade. Não focalizar nossos pontos fortes pode
impedir-nos de lograr as tarefas singulares que Deus nos chama a fazer.
O guarda de um farol que
trabalhava numa costa rochosa recebia óleo uma vez por mês para manter a chama
ardendo. Como morava perto da população, não lhe faltavam visitantes. Uma noite
uma mulher necessitava de óleo para manter aquecida sua família. Outra noite um
pai necessitava de óleo para sua lâmpada. Outro necessitou óleo para lubrificar
uma roda. Todas as petições pareciam legítimas, e o guarda tratava de
supri-las. Perto do final do mês, acabou o óleo, o farol apagou-se, e isso
ocasionou que muitas naves se precipitassem contra as rochas dessa costa. O
homem recebeu a repreensão de seus superiores: "A você é entregue o óleo
por uma única razão", disseram. "Queremos manter o farol
acesso".
Não podemos suprir todas as
necessidade do mundo. Não podemos agradar todo mundo. Não podemos atender todas
as petições do mundo. Mas alguns tentamos. No final, esgotamos o óleo. Então,
avalie com sensatez suas capacidades e aferre-se a elas.
Uma pergunta final é
necessária.
SIRVO A DEUS AGORA?
Ao ler isto você talvez
comece a sentir-se intranqüilo. Talvez deva mudar de trabalho. Talvez deva
mudar-me para outra cidade. Acho que Max está dizendo-me que devo ir ao
seminário...
Não; não necessariamente.
De novo, Jesus é o exemplo
ideal. Quando encontramos o primeiro indício de que Ele sabe que é o Filho de
Deus? No templo de Jerusalém. Tinha doze anos. Seus pais haviam caminhado três
dias de regresso a Nazaré antes de descobrir que o rapaz não estava com eles. O
encontram no templo, estudando com os líderes. Quando lhe pedem explicação,
responde: "Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu
Pai?" (Lucas 2:49, ACF).
Ainda sendo jovem, Jesus já
percebe o chamado de Deus. Mas, o que fazer depois? Recrutar discípulos e fazer
milagres? Não; regressa à casa de seus pais e aprende o ofício da família.
Isso é exatamente o que você
deve fazer. Quer enfocar sua vida? Faça o que Jesus fez. Vá para casa, ame sua
família e atenda seus assuntos. Mas, Max, eu quero ser missionário...
Seu primeiro campo missionário está sob seu teto. O que lhe faz pensar que
acreditarão em você no estrangeiro, se não acreditam em você do outro lado do
corredor?
Mas, Max, estou pronto
para fazer grandes coisas para Deus... Excelente; faça-as em seu trabalho. Seja um bom funcionário. Chegue em
horário e com boa atitude. Não se queixe nem resmungue, mas "tudo quanto fizerdes,
fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens" (Colossenses 3:23, ACF).
O PLANO
Um plano bastante simples,
não acha? Fácil de lembrar. Talvez ajude fazer um poema:
Estou encaixado no plano de
Deus?
Quais são meus anelos?
Quais são minhas capacidades?
Estou servindo a Deus agora?
Por que não separa alguns
momentos para avaliar sua direção. Faça a si mesmo as quatro perguntas. Talvez
ache que está fazendo o que eu fiz: excelentes tacadas, mas na direção errada. No
meu caso me custou três refrigerantes. Perdi tantas tacadas que nunca consegui
recuperá-las.
Mas não é necessário dizer o
mesmo quanto a você. Deus lhe permite um novo começo em qualquer ponto da vida.
Pedro nos diz que "no tempo que vos resta na carne, não vivais mais
segundo as concupiscências dos homens, mas segundo a vontade de Deus" (1 Pedro 4:2, ACF).
Sublinhe as palavras no
tempo que vos resta. Quer dizer, de agora em diante. Deus lhe dá uma
ficha novinha em folha. Não importando o quê tenha dominado você no passado,
nunca é tarde demais para pôr sua vida no curso correto e ser parte do plano de
Deus.
"Por isso deixai a
mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns
dos outros" Efésios 4:25, ACF.
8. Nada mais que a
verdade
UM CORAÇÃO SINCERO
A mulher se coloca de pé em frente
ao juiz e ao júri, coloca uma mão sobre a Bíblia e levanta a outra, prestando
juramento. Nos próximos minutos, com a ajuda de Deus, "dirá a verdade, somente
a verdade, e nada mais que a verdade".
É uma testemunha. Seu
trabalho não é ampliar nem diluir a verdade. Sua tarefa é dizer a verdade.
Deixe aos legisladores a interpretação. Deixe aos jurados resolver o caso.
Deixe ao juiz aplicar a sentença. Mas, e a testemunha? A testemunha fala a
verdade. Se lhe for permitido fazer mais que isso, contamina o resultado. Mas
se lhe for permitido fazer isso, dizer a verdade, a justiça terá uma
oportunidade.
O cristão também é uma
testemunha. Nós também prestamos juramento. Como a testemunha da corte, somos
chamados a dizer a verdade. O júri pode estar ausente e o juiz ser invisível,
mas a Bíblia está presente, o mundo que nos olha é o júri, e nós somos as
testemunhas primordiais. Como nos citou o próprio Senhor Jesus: "ser-me-eis testemunhas,
tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da
terra" (Atos 1:8, ACF, ênfase do autor).
Somos
testemunhas. Como as testemunhas no tribunal, somos chamados a testemunhar, a
dizer o que vimos e ouvimos, devemos dizer a verdade. Nossa tarefa não é diluir
nem inchar a verdade. Nossa tarefa é dizer a verdade. Ponto.
Existe,
porém, uma diferença entre a testemunha do tribunal e a testemunha de Cristo. A
testemunha do tribunal cedo ou tarde deixa a cadeira da testemunha, mas a
testemunha de Cristo nunca deixa de sê-lo. Já que as afirmações de Cristo estão
sempre sendo submetidas a prova, o tribunal está perpetuamente em sessão e nós
continuamos sob juramento. Para o cristão, o engano nunca é uma opção. Não foi opção
para Jesus.
O QUE DEUS NÃO PODE
FAZER
Uma das declarações mais
assombrosas sobre Jesus é o resumo: "nunca cometeu injustiça,
nem houve engano na sua boca" (Isaias 53:9, ACF). Jesus foi obstinadamente verdadeiro.
Cada palavra sua foi precisa e certeira, cada frase sua foi verdadeira. Não
trapaceava nos exames. Não alterava os livros. Nem uma única vez esticou a
verdade. Jamais obscureceu a verdade. Nunca evadiu a verdade. Simplesmente
disse a verdade. Não se achou engano em sua boca.
E
se Deus pudesse agir à sua maneira em nós, nenhum engano seria achado em nossas
bocas. Deus anela que sejamos como Jesus. seu plano, se você lembrar, é
moldar-nos segundo as linhas de seu Filho (Romanos 8:28). O que tenta não é
diminuir ou minimizar nosso engano, mas sim eliminá-lo. Deus é taxativo quanto
à falta de verdade: "O que usa de engano não ficará dentro da minha
casa" (Salmo 101:7, ACF).
Nosso Mestre tem um código de
honra estrito. De Gênesis até Apocalipse, o tema é o mesmo: Deus ama a verdade
e aborrece o engano. Em 1 Coríntios 6:9-10 Paulo faz uma lista das pessoas que
não herdarão o Reino de Deus. As pessoas que descreve é uma espinhosa variedade
dos que pecam sexualmente, dos idólatras, dos adúlteros, dos que vendem seus
corpos, dos bêbados, dos que roubam e, aqui está: dos que mentem.
Tal rigor talvez surpreenda. Você
quer dizer que minhas mentirinhas e lisonjas despertam a mesma ira celestial
que o adultério e o assalto? Evidentemente que sim. Deus vê o trapacear na
declaração do imposto de rendas do mesmo modo como vê o prostrar-se diante de
ídolos.
"Os lábios mentirosos
são abomináveis ao SENHOR, mas os que agem fielmente são o seu deleite"
(Provérbios 12:22, ACF).
"Estas seis coisas o
SENHOR odeia (...) língua mentirosa" (Provérbios 6:16-17, ACF).
"Destruirás aqueles
que falam a mentira; o SENHOR aborrecerá o homem sanguinário e fraudulento"
(Salmo 5:6, ACF).
Por quê? Por que tanta
severidade? Por que uma posição tão rigorosa?
Por uma razão: a falta de
veracidade é absolutamente contrária ao caráter de Deus. Segundo Hebreus 6:18, é
impossível que Deus minta. Não é que Deus não mentiria ou que tenha escolhido
não mentir; não pode mentir. Que Deus minta seria a mesma coisa
que um cachorro voasse ou que uma ave latisse. O livro de Tito ecoa das mesmas
palavras que o livro de Hebreus: "Deus, que não pode mentir..." (Tt 1:2, ACF).
Deus
sempre diz a verdade. Quando faz uma aliança, a guarda. Quando afirma algo,
quer dizer isso. Quando proclama a verdade, podemos acreditar. O que Ele diz é
verdade. Até "Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se
a si mesmo" (2 Timóteo 2:13, ACF).
Satanás,
por outro lado, acha impossível dizer a verdade. Segundo Jesus, o diabo é o
"pai da mentira" (João 8:44). Se você se lembra, o engano foi a
primeira ferramenta que o diabo tirou de seu bolso. No jardim do Éden Satanás
não desalentou Eva. Não a seduziu. Não se aproximou dela sub-repticiamente.
Simplesmente mentiu para ela. "É assim que Deus disse: Não comereis de
toda a árvore do jardim? (...) Certamente não morrereis" (Gênesis
3:1,4, ACF).
MENTIROSO DA PIOR
ESPÉCIE
Mas Eva fisgou o anzol, e
pegou o fruto, e apenas uns poucos parágrafos mais para a frente vemos seu
esposo e depois seu filho seguirem os mesmos passos, e a veracidade no Éden
parece lembrança distante.
Ainda parece. Daniel Webster
tinha razão quando observou: "Nada há mais poderoso que a verdade, e com
freqüência nada mais estranho".
O SALÁRIO DO ENGANO
De acordo com a revista
"Psychology Today" ["Psicologia hoje"], o diabo ainda está
tramando suas intrigas, e nós ainda estamos arrancando frutas.
• Muito mais gente diz que têm enganado seu cônjuge do
que têm mentido em sua declaração de impostos ou em suas contas de gastos.
• Mais da metade diz que se revissem suas declarações
de impostos, provavelmente deveriam dinheiro ao governo.
• Algo como uma de cada três pessoas admitem ter
enganado seu melhor amigo a respeito de alguma coisa no ano anterior; noventa e
seis por cento sentem-se culpados por tê-lo feito.
• Quase a
metade disse que, caso fizerem um arranhão num outro carro no estacionamento,
provavelmente iriam embora sem dizer nada a ninguém; embora a ampla maioria
(89%) concorda em que seria imoral. [17]
Talvez a pergunta não deveria
ser: "Por que Deus exige tal honestidade?", mas sim: "Por que
toleramos tal falta de honestidade?". Nunca Jeremias foi mais profeta que
quando anunciou: "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas" (Jeremias 17:9, ACF). Como
explicamos nossa falta de honestidade? Que razões aludimos para a duplicidade
de nossa língua e promessas escorregadias? Não precisamos realizar uma enquête
para encontrar a resposta.
Por
um lado, não gostamos da verdade. A maior parte de nós pode compadecer-se do
cara que recebe uma ligação da esposa, quando ela está quase embarcando, de
retorno para casa, vinda da Europa.
— Como
está o meu gato? — perguntou ela.
— Morto.
— Oh,
amor; não seja tão franco. Por que não me dá as notícias aos poucos? Agora
estragou a minha viagem...
— O
que quer dizer?
— Poderia ter-me dito que o
gato tinha subido no telhado. Depois, quando liguei de Paris, poderia ter dito
que o gato estava estranho. Depois, ao chamar de Londres, podia ter dito que o
gato estava mal, e ao ligar de Nova Iorque, podia dizer-me que o tinha levado ao
veterinário. Ao chegar em casa, então sim podia me dizer que ele havia morrido.
O marido nunca havia tido em
mente semelhante protocolo, porém estava disposto a aprender.
— Está bem — disse —, farei
melhor da próxima vez.
— A propósito — disse ela —,
como está mamãe?
Houve um longo silêncio, e
então o homem disse:
— Ah... eh... ela subiu no
telhado.
O fato simples e óbvio é que
não gostamos da verdade. Nosso credo é: Conhecereis a verdade, e a verdade vos
fará retorcer-vos no assento. O fato de não gostar da verdade começou aos três
anos, quando mamãe entrou em meu quarto e perguntou: "Você bateu no seu
irmãozinho?" Nesse exato momento descobri que a honestidade tem
conseqüências. Então apreendi a... bem... não realmente a mentir... mas a
"encobrir" as coisas.
— Se bati em meu irmão? Isso
depende de como você interpretar a palavra "bater". Quer dizer, é
verdade que eu fiz contato com ele, mas, algum júri consideraria isso como
"bater". Tudo é relativo, você sabe?
— Se bati em meu irmão? Sim,
papai. Mas não foi minha culpa. Se eu tivesse nascido com cromossomos não
agressivos, e se você não me tivesse permitido assistir TV, nunca teria acontecido.
Então podemos dizer que sim, bati em meu irmão, mas não por minha culpa. Sou
vítima da criação e da natureza.
A verdade, aprendemos cedo,
não é divertida. Não gostamos da verdade.
Não só não gostamos da
verdade, mas não confiamos na verdade. Se formos brutalmente francos (o que é
aconselhável ao falar em honestidade), deveremos admitir que a verdade parece
inadequada para realizar o que é preciso.
Queremos que nossos chefes
gostem de nós, então os lisonjeamos. Chamamos isso de adulação. Deus chama de mentira.
Queremos que as pessoas nos
admirem, então exageramos. Chamamos a isso esticar a verdade. Deus chama de
mentira.
Queremos que as pessoas nos
respeitem, então moramos em casas que não podemos pagar e compramos coisas a
crédito que também não podemos pagar. Chamamos isso de maneira moderna de
viver; Deus o chama de viver uma mentira.
SE NÃO DIZEMOS A
VERDADE
Ananias e Safira representam
quanto não confiamos na verdade. Venderam uma propriedade e deram a metade do
dinheiro à igreja. Mentiram a Pedro e aos apóstolos, dizendo que tinham vendido
a terra pelo valor que entregaram. Seu pecado não foi ficarem com uma parte do
dinheiro; foi a falsa representação da verdade. Seu pecado resultou em sua
morte. Lucas escreve: "E houve um grande temor em toda a igreja, e em todos os
que ouviram estas coisas" (Atos 5:11, ACF).
Mais
de uma vez temos ouvido de pessoas que contam sua história com um riso nervoso
e dizem: "Me alegro que Deus não fulmine os mentirosos com um raio ".
Não estou certo de que não o faça. Acho que o salário do pecado ainda é a
morte. Talvez não a morte do corpo, mas a morte de:
• O
matrimônio. Os pecados são cupim no tronco da árvore familiar.
• A
consciência. A tragédia é que é mais fácil dizer a segunda mentira do que
foi a primeira.
• Uma
carreira. Pergunte ao estudante que foi expulso por trapacear ou ao
funcionário que foi demitido por malversar fundos se a mentira não foi fatal.
• A
fé. A linguajem da fé e a linhagem da falsidade têm vocabulários
diferentes. Os que falam com fluidez a linguagem da falsidade acham difíceis de
pronunciar termos tais como confissão e arrependimento.
Poderíamos também fazer uma
lista da morte da intimidade, a confiança, a paz, a credibilidade e o respeito
próprio. Mas talvez a morte mais trágica que acontece pela mentira é a de nosso
testemunho. O tribunal não dará atenção ao testemunho de um perjuro. Nem o
mundo. Você acha que nossos colegas de trabalho acreditarão em nossas palavras sobre
Cristo quando não podem acreditar no que dizemos em nosso relatório de prestação
de contas de despesas? Mais significativo ainda: pensamos que Deus nos usará
como testemunhas se não dissermos a verdade?
Todo time de futebol
estudantil tem um jogador cuja responsabilidade é repassar aos outros jogadores
a jogada que o treinador determinou. Que aconteceria se esse jogador não dissesse
a verdade? Que aconteceria se o treinador pedisse para lançar um passe, mas
esse jogador mandasse chutar a bola? Uma coisa é certa: o treinador não voltaria
a usar esse jogador por muito tempo. Deus diz que se formos confiáveis em
coisas pequenas, nos confiará coisas ainda maiores (Mateus 25:21). Deus pode
confiar coisas pequenas a você?
ENFRENTAR A MÚSICA
Fazia anos que um homem havia
conseguido que o incluíssem na orquestra do imperador da China, ainda que não
soubesse tocar uma única nota. Quando o grupo praticava ou tocava, ele levava a
flauta aos lábios e fingia tocar, porém sem emitir nenhum som. Recebia um
modesto salário e desfrutava de uma vida acomodada.
Então um dia o imperador
pediu um solo a cada músico. O flautista ficou nervoso. Não tinha tempo para
aprender a tocar o instrumento. Fingiu-se doente, mas o médico real não se
deixou enganar. No dia marcado para o seu solo o impostor tomou veneno e
suicidou-se. A explicação de seu suicídio deu origem a uma frase que tem sido passada
a outros idiomas: "Recusou enfrentar a música". Uma frase mais comum
em português seria "Recusou enfrentar as conseqüências".[18]
A cura para o engano é
simplesmente esta: Enfrente a música. Diga a verdade. Alguns de nós vivem em
engano. Alguns de nós andam em sombras. As mentiras de Ananias e Safira tiveram
como resultado a morte: também as nossas. Alguns de nós sepultam um casamento,
partes da consciência, e até partes de nossa fé; tudo por não dizer a verdade.
Você está num dilema, se perguntando
se deveria dizer a verdade ou não? A pergunta para se fazer em tais momentos é:
Deus abençoará meu engano? Ele, aborrece a mentira, abençoará uma estratégia
levantada sobre mentiras? O Senhor, que ama a verdade, abençoará um negócio de
falsidades? Deus honrará a carreira do manipulador? Deus acudirá em auxílio do
farsante? Deus abençoará minha falta de verdade?
Eu acho que não.
Examine seu coração. Façase
algumas perguntas duras.
Estou sendo completamente verdadeiro
com minha esposa e filhos? Meus relacionamentos caracterizam-se pela candura? Como
sou em meu trabalho ou estudos? Sou honrado em meus negócios? Sou um estudante
digno de confiança? Pago meus impostos com honestidade? Sou uma testemunha
fidedigna no trabalho?
Você diz a verdade... sempre?
Se não, comece hoje. Não
espere até amanhã. O efeito da mentira de hoje é uma onda amanhã e um tsunami o
ano que vem. Comece hoje. Seja como Jesus. Diga a verdade, toda a verdade, e
nada mais do que a verdade.
Sede sóbrios; vigiai;
porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão,
buscando a quem possa tragar; ao qual resisti firmes na fé. 1 Pedro 5:8-9 (ACF)
9. A estufa da mente
UM CORAÇÃO PURO
Suponha que um dia você venha
me visitar e me encontre trabalhando em minha estufa (não tenho estufa nem sou
bom em jardinagem, mas vamos supor que sim). Eu explico que a estufa foi um
presente de meu pai. Ele usou a melhor equipe disponível para construir a
estrutura ideal para que as plantas cresçam. A atmosfera é perfeita. A luz
exata. A temperatura apropriada para as flores, frutas ou qualquer coisa que eu
desejar, e o que eu desejo são flores e frutas.
Peço a você que me acompanhe
enquanto recolho algumas sementes para semear. Você fica imaginando se tenho um
parafuso a menos, mas o que faço a seguir elimina toda a dúvida. Você me
acompanha enquanto percorro um campo, recolhendo sementes de ervas daninhas.
Sementes de espinhos, dentes-de-leão, trepadeiras venenosas. Encho uma sacola
com uma variedade de sementes de ervas e volto à minha estufa.
Você quase não pode acreditar
o que seus olhos viram.
— Pensei que você queria uma estufa cheia de
flores e frutas.
— É isso mesmo.
— Então, não acha que deveria
plantar sementes de flores e frutas?
— Você tem idéia de quanto
custam essas sementes? Além disso, é preciso ir até a agropecuária onde as
vendem, e isso fica longe. Não, obrigado; prefiro a rota mais barata e fácil.
Você vai embora cochichando
algo acerca de uma chave de fenda para apertar parafusos.
A ESTUFA DO CORAÇÃO
Todo mundo sabe que se colhe
o que se semeia. Você colhe o que semeia. Porém, é estranho que o que sabemos,
quando se trata de cultivar terra, tendemos a esquecer quando cultivamos nosso
coração.
Imagine, por um momento, seu
coração como uma estufa. As similaridades aparecerão bem rápido. O coração,
igualmente, é um presente magnífico de seu Pai. Também é muito apropriado para
que algo cresça nele. Além disso, como a estufa, seu coração precisa ser
cultivado.
Considere por um momento seus
pensamentos como sementes. Alguns pensamentos chegarão a ser flores. Outros
produzirão ervas daninhas. Semeie as sementes da esperança e desfrute do
otimismo. Semeie as sementes da dúvida e espere insegurança. "Tudo o que o homem semear,
isso também ceifará" (Gálatas 6:7, ACF).
Para onde quer que olhe,
encontrará a prova disso. Alguma vez se perguntou por que algumas pessoas têm a
capacidade de resistir ao negativismo e continuar sendo pacientes, otimistas e
perdoadoras? Será que é porque têm semeado com diligência sementes de bondade e
estão desfrutando da colheita?
E por que outros têm a cara
amarrada? Uma atitude tão lúgubre? Você também a terá se seu coração for uma
estufa de ervas daninhas e espinhos.
Talvez você já tenha ouvido a
história do homem que voltou um dia para sua casa e encontrou a esposa de mau humor.
Chegou às seis e meia da tarde e passou quase uma hora tentando confortá-la.
Nada adiantou. Finalmente disse:
— Vamos começar de novo, e agir
como se eu estivesse chegando agora em casa.
Saiu, e quando ele abriu a
porta, ela disse:
— São sete e meia da noite, isso
é hora de voltar do trabalho?
A mulher estava colhendo o
resultado de uns poucos pensamentos de ervas daninhas. Pausa para uma aplicação
importante. Se o coração é uma estufa e nossos pensamentos são sementes, não
deveríamos ter cuidado com o que semeamos? Não deveríamos ser seletivos a
respeito das sementes que permitimos entrar na estufa? Não deveria haver um
sentinela na porta? Guardar o coração não é uma tarefa estratégica? Segundo a
Bíblia, é. "Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração,
porque dele procedem as fontes da vida" (Provérbios 4:23, ACF). Ou como diz outra versão:
Tenha cuidado com o que pensa, pois seus pensamentos governam sua vida".
Que afirmação mais correta! Experimente
esse princípio, e veja se não concorda com ele.
Dois motoristas estão presos no
mesmo congestionamento de trânsito. Um deles ferve de cólera, pensando: Meu
horário está arruinado. O outro lança um suspiro de alívio: Boa
oportunidade para andar mais devagar.
Duas mães enfrentam a mesma
tragédia. Uma fica destruída: Nunca vou me recuperar disto. A outra está
decaída, porém decidida: Deus me ajudará a continuar em frente.
Dois executivos enfrentam o
mesmo êxito. Um dá a si mesmo tapinhas nas costas e fica petulante. O outro dá
crédito a Deus e seu agradecimento aumenta.
Dois maridos cometem o mesmo
erro. Um, amargamente, tem certeza de que ultrapassou o limite da graça de
Deus. O outro, com gratidão, dá por certo que descobriu uma nova profundidade
da graça de Deus.
"Sobre tudo o que se
deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da
vida"
Olhemos agora de outro
ângulo. Vamos supor que eu peça a você que cuide de minha casa enquanto eu saio
de viagem. Você promete manter tudo em ordem. Mas quando eu regresso encontro o
lugar arruinado. O tapete está destroçado, as paredes enlameadas, os móveis
destruídos. Sua explicação não ajuda em nada: uns motoqueiros vieram e precisavam
de um lugar para se alojar. Depois, o time de futebol ligou procurando um lugar
onde fazer uma festa. Ah, também ligou o clube da irmandade, procurando um
lugar onde pudesse celebrar as cerimônias de iniciação. Como dono, eu tenho uma
pergunta: "Você não sabe dizer não? Esta não é sua casa. Você não tem o
direito de permitir que entre qualquer um que queira entrar".
Alguma vez você já pensou que
Deus queira dizer o mesmo quanto a nós?
O CUIDADO DE NOSSOS
CORAÇÕES
Você tem de admitir que os
corações de alguns de nós estão em ruínas. Qualquer malfeitor chega à nossa
porta, e nós a escancaramos. A ira chama, e lhe permitimos entrar. A vingança
necessita de um lugar aonde alojar-se, e nós lhe mostramos um sofá. A
auto-compaixão quer dar uma festa, e nós lhe mostramos a cozinha. A luxúria
toca a campainha, e nós trocamos os lençóis da cama. Não sabemos dizer não?
Muitos não sabem. Para a
maioria de nós a administração do pensamento é, por assim dizer, algo em que
nem pensamos. Pensamos muito sobre o gerenciamento do tempo, a administração do
peso, a administração pessoal, e até sobre a administração do couro cabeludo.
Mas, e quanto à administração do pensamento? Não deveríamos preocupar-nos em manejar
nossos pensamentos assim como administramos qualquer outra coisa? Jesus fazia
isso. Como soldado treinado à porta de uma cidade, vigiava sua mente.
Obstinadamente vigiava a entrada de seu coração. Negou entrada a muitos
pensamentos. Precisa de alguns exemplos?
Que tal quanto à arrogância? Em
certa ocasião o povo decidiu fazê-lo rei. Que pensamento mais atraente. A
maioria de nós teria adorado a idéia de realeza. Ainda que rejeitássemos a
coroa, desfrutaríamos do prazer do convite. Mas Jesus não. "Sabendo, pois, Jesus que
haviam de vir arrebatá-lo, para o fazerem rei, tornou a retirar-se, ele só,
para o monte" (João 6:15, ACF).
Outro exemplo dramático
aconteceu na conversa de Jesus com Pedro. Depois de ouvir de Jesus o anúncio de
que se aproximava a morte na cruz, o impetuoso apóstolo objetou: "Senhor, tem compaixão de
ti; de modo nenhum te acontecerá isso" (Mateus 16:22, ACF). Evidentemente Pedro estava a
ponto de colocar em dúvida a necessidade do Calvário. Mas nunca teve a
oportunidade. Jesus fechou a entrada. Fez fugir o mensageiro e autor da
heresia: "Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque
não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens" (Mateus
16:23, ACF).
E quando escarneceram de
Jesus? Alguma vez riram de você? De Jesus também zombaram. Quando respondeu ao apelo
de que curasse uma menina doente, ao entrar na casa lhe disseram que ela havia
morrido. Sua resposta? "A menina não está morta, mas dorme".
Qual foi a resposta dos que estavam na casa? "E riam-se dele".
Como todos nós, Jesus teve de enfrentar um momento de humilhação; mas, diferente
da maioria de nós, recusou recebê-la. Note sua resposta decisiva:
"Porém ele, tendo-os feito sair..." (Mc 5:39-40, ACF). Jesus não
permitiu que a zombaria entrasse na casa da moça, nem em sua mente.
Jesus guardava seu coração.
Se Ele assim o fez, não deveríamos nós fazer o mesmo? Logicamente! "Sobre
tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as
fontes da vida". Jesus quer que seu coração seja fértil e frutífero.
Quer que você tenha um coração como o dEle. Esse é o objetivo de Deus para
você. quer que você pense e aja como Cristo Jesus (veja Filipenses 2:5). Mas
como? A resposta é surpreendentemente simples. Podemos ser transformados se
tomarmos uma decisão: submeterei meus pensamentos à autoridade de Jesus.
É fácil ignorar uma afirmação
significativa que Cristo fez na conclusão do Evangelho de Mateus: "É-me
dado todo o poder no céu e na terra" (Mateus 28:18, ACF). Jesus afirma
ser o Chefe Supremo dos céus e da terra. Tem a última palavra em tudo,
especialmente quanto aos nossos pensamentos. Tem mais autoridade, por exemplo,
que seus pais. Seus pais talvez digam que você é imprestável, mas Jesus diz que
você é valioso, e Ele tem autoridade sobre seus pais. Inclusive diz que tem
mais autoridade sobre você do que a que você mesmo tem. Você pode se dizer que
é muito mau para ser perdoado, mas Jesus tem uma opinião diferente. Se lhe der
a autoridade sobre você, não lhe permitirá mais pensamentos de culpabilidade.
Jesus também tem autoridade
sobre suas idéias. Suponhamos que você conceba a idéia de roubar uma loja.
Contudo, Jesus disse claramente que roubar é mau. Se você lhe deu a autoridade
sobre suas idéias, a idéia de roubar não poderá permanecer em seus pensamentos.
Percebe o que quero dizer com
autoridade? Para ter um coração puro devemos submeter todos os nossos pensamentos
à autoridade de Cristo. Se estivermos dispostos a fazê-lo, Ele nos mudará para
que sejamos como Ele. Vamos ver como isso funciona.
GUARDE A ENTRADA
Voltemos à ilustração da
estufa. Seu coração é uma estufa fértil pronta para produzir bom fruto. Sua
mente é a entrada para seu coração; o lugar estratégico onde você determina
quais sementes são plantadas e quais descartadas. O Espírito Santo está pronto
para ajudar você a manejar e filtrar os pensamentos que tentam entrar. Ele pode
ajudá-lo a guardar seu coração.
Ele se coloca com você no
umbral. Aproxima-se um pensamento questionável. Você escancara a porta e o
deixa entrar? Com certeza não. Você leva "cativo todo pensamento à
obediência a Cristo" (2 Coríntios 10:5, PJFA). Você não deixa a porta desguarnecida.
Você se coloca firme com algemas e correntes de ferro, pronto para capturar
qualquer pensamento que não deve entrar.
Apenas pelo prazer do debate,
vamos dizer que se aproxima um pensamento sobre o seu valor pessoal. Com toda a
arrogância do brutamontes do bairro, o pensamento abre a porta com um empurrão
e diz: "Você é um perdedor. Sempre foi. Estragou seus relacionamentos,
empregos e ambições. Deveria escrever vagabundo em seu histórico, porque
isso é o que você é".
A pessoa comum abrirá totalmente
a porta e deixará o pensamento entrar. Como semente de erva daninha, encontrará
terreno fértil, fincará raiz e produzirá os espinhos da inferioridade. A pessoa
dirá: "Tem razão. Sou um vagabundo. Entre".
Mas, como cristão, você não é
uma pessoa comum. Você é dirigido pelo Espírito. Então, em vez de permitir que
esse pensamento entre, você o toma cativo. O acorrenta e o faz marchar rua
abaixo, onde o apresenta diante do tribunal de Cristo.
— Jesus: este pensamento diz
que sou um vagabundo e um perdedor, e que nunca chegarei a ser nada. O que você
acha?
Vê o que está fazendo? Você
está submetendo esse pensamento à autoridade de Jesus. Se Ele concordar com o
pensamento, então deixe-o entrar. Mas, se Jesus não concordar, expulse-o a
pontapés.
Como saber se Jesus concorda
ou discorda? Você abre a sua Bíblia. O que Deus pensa sobre você? Efésios 2:10
é um bom lugar para verificar: "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para
boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas" (PJFA). Ou então, que tal
Romanos 8:1? "Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão
em Cristo Jesus" (ACF).
Obviamente, nenhum pensamento
que diz que você é inferior ou insignificante passa na prova; e não lhe permite
a entrada. Você tem o direito de dar ao malfeitor um bom pontapé no traseiro e
vê-lo sair correndo.
Vejamos um outro exemplo. O
primeiro pensamento foi briguento; o segundo é lisonjeiro. Se aproxima, não
para lhe dizer quão malvado você é, mas o quanto é bom. Chega correndo à porta,
e grita: "Você é tão bom. É maravilhoso. O mundo tem sorte de você ter
nascido", e assim por diante, enchendo-o de adulações.
Tipicamente este é tipo de
pensamento que você recebe de bom grado. Mas você não faz as coisas do modo
típico. Você guarda seu coração. Você anda no Espírito, e leva cativo todo
pensamento. E então, novamente acode a Jesus. Você submete este pensamento à
autoridade de Cristo. Ao desembainhar a espada do Espírito, a Palavra de Deus,
você aprende que o orgulho não agrada a Deus.
Não acaricie idéias
exageradas a respeito de si mesmo e de sua importância (veja Romanos 12:3).
Paulo dizia: "Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de
nosso Senhor Jesus Cristo" (Gálatas 6:14, ACF).
Por mais que você gostasse de
permitir a entrada deste pensamento em sua estufa, não pode. Só deixa que entre
o que Cristo permite.
Mais um exemplo. Desta vez o
pensamento não é de crítica nem de lisonja, mas de tentação. Se você é homem, o
pensamento vem vestido de vermelho reluzente. Se você for mulher, o pensamento
é o atleta que sempre desejou. Há uma escova na mão, perfume no ar, e o
convite: "Vamos, isto não é ruim; somos adultos, certo?"
O que fazer? Pois bem, se
você não está sob a autoridade de Cristo, abre a porta de par em par. Mas se
você tem a mente de Cristo, retrocede e diz: "Não tão depressa. Você deve
pedir permissão para meu irmão mais velho". Assim você leva essa situação
a Jesus e pergunta: "Sim ou não?"
Em nenhuma outra parte Ele
responde mais claramente do que em 1 Coríntios 6 e 7: "Não devemos
procurar esse tipo de relações que distanciam do compromisso e da intimidade,
deixando-nos mais sozinhos que nunca... É bom ter relações sexuais? Certamente;
mas só dentro de certo contexto. É bom que o homem tenha sua esposa, e que a
mulher tenha seu esposo. Os desejos sexuais são fortes, mas o matrimônio é
suficientemente forte para contê-los" (veja 1 Coríntios 6:18; 7:1-2).
Armado agora com a opinião de
Cristo e a espada do Espírito, o que você faz? Pois bem, se aquela que o tenta
não é sua esposa, você fecha a porta. Se o convite é de sua esposa, então Hip!
Hip! Hurra!
O ponto é este. Guarde a
entrada de seu coração. Submeta seus pensamentos à autoridade de Cristo. Quanto
mais seletivo você for com as sementes, mais se deleitará com a colheita.
"Alegrai-vos na
esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração" Romanos
12,12, ACF.
10. Encontre ouro no
lixo
UM CORAÇÃO CHEIO DE
ESPERANÇA
Guilherme Rathie adora o
lixo. Esse pesquisador graduado na Universidade de Harvard está convencido de
que podemos aprender muito nos lixos do mundo. Os arqueólogos sempre examinaram
o lixo para estudar uma sociedade. Rathie faz o mesmo, mas elimina a espera. O
Projeto Lixo, como ele chama sua organização, viaja por todo o continente
escavando os lixões, e documentando os hábitos de alimentação, estilos de
roupas e níveis econômicos [19]. Rathie pode achar significado em nosso lixo.
Sua organização documentou
que o lar médio nos Estados Unidos desperdiça entre o dez e o quinze por cento
de seus alimentos sólidos. O habitante médio dos Estados Unidos produz aproximadamente
meio quilo de lixo por dia, e o maior lixão dos Estados Unidos, localizado
perto da cidade de Nova Iorque, tem lixo suficiente para encher o Canal de
Panamá. Segundo Rathie, o lixo se descompõe mais lentamente do que nós
pensamos. Achou uma bisteca inteira de 1973 e jornais legíveis da presidência
de Truman. Rathie aprende muito ao observar nossos desperdícios.
Lendo Rathie, me perguntei: Como
será ser um "lixólogo"? Quando pronuncia um discurso, cataloga
sua fala como "verbosidade insossa"? Poderia dizer-se que suas
reuniões de pessoal são "revisões de lixo"? Poder-se-ia chamar as
suas viagens de negócios de "desperdício"? Quando sonha acordado sobre
o seu trabalho, diz para sua esposa que tira sua mente do lixo?
Ainda que eu prefira deixar o
trabalho sujo para o Rathie, sua atitude para com o lixo me intriga. Que tal se
nós aprendêssemos o mesmo? Ademais, você não tem de suportar sua própria porção
de desperdícios? Tráfego engarrafado. Porcarias do computador. Férias adiadas.
E também há dias quando
nenhum lixão poderia conter todo o lixo que enfrentamos: contas médicas,
documentos de divórcio, cortes de salário e traições. O que fazer quando jogam
em cima de você todo um caminhão de aflições?
Na parede do escritório de
Rathie há uma manchete de jornal emoldurada: "Ouro no lixo". Esse
lixólogo acha um tesouro no lixo. Jesus fez o mesmo. No que todo mundo percebia
como calamidade, Ele viu uma oportunidade. Como viu o que os outros não viam, encontrou
o que os outros perderam.
No começo de seu ministério
Jesus disse sobre a nossa visão: "A candeia do corpo são os olhos; de
sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; se, porém,
os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que
em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!" (Mateus 6:22-23,
ACF).
Em outras palavras, a maneira
como olhamos a vida determina como a vivemos. Mas Jesus fez muito mais que
articular este princípio: o modelou.
A NOITE MAIS NEGRA
DA HISTÓRIA
Na noite anterior à sua morte
todo um lixão muito real de ais caiu sobre Jesus. Em algum ponto entre a oração
no Getsêmani e a farsa do juízo está o que seria a cena mais lúgubre do drama
da história humana. Ainda que o episódio inteiro não tivesse durado mais do que
cinco minutos, o evento tinha em si maldade suficiente para encher mil lixões.
Exceto por Cristo, ninguém fez nada de bom. Procure na cena um grama de valor
ou um fiapo de caráter, e não vai achá-lo. Tudo quanto achará será um monte
putrefato de engano e traição. Contudo, Jesus viu razão nisso tudo para a
esperança. Em sua perspectiva nós achamos um exemplo para seguir.
"Levantai-vos,
partamos; eis que é chegado o que me trai" (Mateus 26:46, ACF).
Enquanto ainda falava, veio
Judas, um dos doze, e com ele muita gente com espadas e paus, de parte dos
principais sacerdotes e dos anciãos do povo.
"E o que o traía
tinha-lhes dado um sinal, dizendo: O que eu beijar é esse; prendei-o. E logo,
aproximando-se de Jesus, disse: Eu te saúdo, Rabi; e beijou-o. Jesus, porém,
lhe disse: Amigo, a que vieste? Então, aproximando-se eles, lançaram mão de
Jesus, e o prenderam. E eis que um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão,
puxou da espada e, ferindo o servo do sumo sacerdote, cortou-lhe uma orelha.
Então Jesus disse-lhe: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão
da espada, à espada morrerão. Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu
Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos? Como, pois, se cumpririam
as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça? Então disse Jesus à
multidão: Saístes, como para um salteador, com espadas e varapaus para me
prender? Todos os dias me assentava junto de vós, ensinando no templo, e não me
prendestes. Mas tudo isto aconteceu para que se cumpram as escrituras dos
profetas. Então, todos os discípulos, deixando-o, fugiram" (Mateus
26:48-56, ACF).
Si tivessem enviado um
repórter para realizar a crônica de sua prisão, sua manchete talvez teria sido:
NOITE ESCURA PARA JESUS
Pregador galileu abandonado
por seus amigos
Sexta-feira passada o
receberam com palmas. Ontem à noite foi preso com espadas. O mundo de Jesus de
Nazaré transtornou-se ao ser detido por um grupo de soldados e cidadãos
iracundos num horto a pouca distância da muralha da cidade. Apenas uma semana
depois de sua entrada triunfal, sua popularidade caiu ao nível do chão. Até
seus seguidores refutam conhecê-lo. Os discípulos que se orgulhavam de que os
vissem com Ele no princípio da semana, ontem à noite saíram fugindo. Com o
público reclamando sua morte e os discípulos negando toda participação, o
futuro deste célebre mestre parece tétrico, e o impacto de sua missão parece
limitado.
A noite mais escura na vida
de Jesus se caracterizou por uma crise após outra. Daqui a pouco veremos o que
Jesus viu, mas primeiro consideremos o que um observador teria presenciado no
horto de Getsêmani.
Primeiro teria visto uma oração
não respondida. Jesus acabava de fazer um apelo angustiado a Deus:
"Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como
eu quero, mas como tu queres" (Mateus 26:39, ACF). Essa não foi uma
oração calma e serena. Mateus diz que Jesus "começou a entristecer-se e
a angustiar-se muito" (26:37). O Mestre "prostrou-se sobre o seu
rosto" (26:39) e clamou a Deus. Lucas nos diz que Jesus estava "em
agonia" e que "o seu suor tornou-se em grandes gotas de
sangue, que corriam até ao chão" (Lucas 22:44, ACF).
Jamais a terra ofereceu uma
petição mais urgente. Jamais o céu ofereceu um silêncio mais ensurdecedor. A
oração de Jesus ficou sem resposta. Jesus e a oração não respondida
na mesma frase? Não é uma contradição? Deus, o dono de tudo, negaria algo ao
seu próprio Filho? Nessa noite, Ele negou. Conseqüentemente, Jesus teve de
lidar com o dilema da oração não respondida; e isso foi apenas o início. Veja o
que veio depois:
"E, estando ele ainda
a falar, eis que chegou Judas, um dos doze, e com ele grande multidão com
espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do
povo... Então, aproximando-se eles, lançaram mão de Jesus, e o prenderam"
(Mateus 26:47,50, ACF)
Judas chegou com uma multidão
enfurecida. Outra vez, da perspectiva de um observador, essa turba representava
outra crise. Não só Jesus teve de enfrentar a oração não respondida, mas também
teve de lidar com o serviço infrutífero. As mesmas pessoas que Ele veio
salvar agora vinham prendê-lo.
Deixe-me apresentar-lhe um
fato que talvez altere sua impressão dessa noite. Talvez você imagine Judas à frente
de uns doze soldados que trazem duas ou três tochas. No entanto, Mateus nos diz
que veio "muita gente" para prender Jesus. João é mais específico
ainda. O termo que emprega é o vocábulo grego speira, ou "uma
companhia de soldados" (João 18:3). No mínimo, uma speira indica um
grupo de duzentos soldados. Pode descrever um esquadrão de até mil e
novecentos! [20]
Munidos com a descrição de
João, seria mais preciso imaginar um rio de várias centenas de tropas entrando
no horto. Agregue-se a essa cifra a quantidade indeterminada de curiosos a que
Mateus simplesmente chama "a multidão", e você tem agora uma turba.
Certamente num grupo tão numeroso
haveria uma pessoa que defenderia Jesus. Ele ajudou a tantos. Todos os sermões.
Todos os milagres. Agora eles deveriam dar fruto. Então esperamos que pelo
menos uma pessoa declare: "Jesus é inocente!" Mas ninguém o faz. Nem
uma única pessoa falou a seu favor. Os que Ele tinha vindo salvar voltaram-se
contra Ele.
Quase podemos esquecer da
multidão. Seu contato com Jesus foi muito breve, muito casual. Talvez não saiba
outra coisa melhor. Mas os discípulos sabiam. Sabiam mais. O conheciam melhor.
Mas, defenderam a Jesus? Nem em sonhos. A pílula mais amarga que Jesus teve de
engolir foi a incrível traição de parte de seus discípulos.
Judas não foi o único
desertor. Mateus é admiravelmente franco quando confessa: "Então, todos os discípulos,
deixando-o, fugiram" (26:56, ACF).
Uma palavra tão curta, todos,
está repleta de dor. "Todos os seguidores de Jesus fugiram".
João fugiu. Mateus fugiu. Simão fugiu. Tomé fugiu. Todos fugiram. Não precisamos
ir muito longe para ver a última vez em que essa palavra foi usada. Observe o
versículo que está umas poucas linhas antes de nosso texto: "Ainda que
me seja mister morrer contigo, não te negarei. E todos os discípulos
disseram o mesmo" (Mateus 26:35, ACF, ênfase do autor).
Todos juraram lealdade; no entanto, todos fugiram.
Olhando de fora, todos vemos a traição. Os discípulos tinham-no abandonado. O
povo havia-o rejeitado. E Deus não o havia ouvido. Nunca se jogou tanto lixo
sobre um ser humano. Amontoe numa única pilha toda a deslealdade de pais que
não sustentam seus filhos e esposas que enganam seus cônjuges, e filhos
pródigos e trabalhadores desonestos, e você começará a ver o que Jesus teve de
enfrentar naquela noite. Do ponto de vista humano, o mundo de Jesus desabou.
Nenhuma resposta do céu, nenhuma ajuda do povo, e nada de lealdade da parte de
seus amigos.
Jesus, afundado até o pescoço em desperdícios.
É assim que eu descreveria a cena. É assim que o repórter a teria descrito. É assim
que uma testemunha a teria contado. Mas não foi assim que Jesus a viu. Ele viu
algo inteiramente diferente. Não estava alheio ao lixo; simplesmente não estava
limitado por ele. De algum modo Ele foi capaz de ver bem no mal, o propósito na
dor, e a presença de Deus no problema.
Podemos usar um pouco da
visão perfeita de Jesus, certo? Você e eu vivemos num mundo de lixo. O lixo não
procurado vem regularmente ao nosso encontro. Nós, também, temos orações não
respondidas, sonhos infrutíferos e traições incríveis, não é verdade? Não teve um
saco cheio de infortúnios e dores de coração? Com certeza, sim. Posso
perguntar: o que você vai fazer com isso?
VEJA O QUE JESUS VÊ
Você tem várias alternativas.
Pode escondê-lo. Pode pegar o saco de lixo e embuti-lo debaixo de seu agasalho
e escondê-lo sob o vestido e dizer que não está ali. Mas você e eu sabemos que
isso não engana ninguém. Além do que, mais cedo ou mais tarde começará a feder.
Ou pode disfarçá-lo. Pinte-o de verde, coloque-o no jardim da frente, e diga a
todo mundo que é uma árvore. De novo, ninguém acreditará, e rapidamente vai
cheirar mal. Então, o que você vai fazer? Se seguir o exemplo de Cristo,
aprenderá a ver os tempos maus de forma diferente. Lembre-se: Deus o ama tal
como você é, porém recusa deixá-lo desse modo. Ele quer que você tenha um
coração cheio de esperança... como Jesus.
Encontrou bem no mal. Seria difícil encontrar alguém pior do que Judas.
Alguns dizem que foi um bom homem que usou uma estratégia que deu errado. Não
creio nisso. A Bíblia diz que Judas "era ladrão e tinha a bolsa,
e tirava o que ali se lançava" (João 12:6, ACF). O homem era um malandro. De alguma
maneira pôde viver na presença de Deus e experimentar os milagres de Cristo, e
ainda assim continuar sem nenhuma mudança. No final decidiu que preferia o
dinheiro ao amigo, então vendeu Jesus por trinta moedas de prata. Lamento, mas
qualquer vida humana vale mais que trinta moedas de prata. Judas foi um
bandido, um impostor, um sem-vergonha. Como poderia alguém vê-lo de alguma
outra forma?
Não sei como, mas Jesus o
fez. A apenas alguns centímetros da cara do traidor, Jesus olhou para ele e lhe
disse: "Amigo, a que vieste?" (Mateus 26:50, ACF). Nem sequer
posso imaginar o que Jesus viu em Judas para considerá-lo digno de chamá-lo
amigo, mas sei que Jesus não mente, e nesse momento viu algo bom num homem
muito malvado.
Seria proveitoso se nós fizéssemos
o mesmo. Como? Novamente, Jesus nos dá a direção. Não lançou toda a culpa em
Judas. Viu outra presença essa noite: "mas esta é a vossa hora e o
poder das trevas" (Lucas 22:53, ACF). De forma alguma Judas foi
inocente, e nem estava agindo sozinho. Os que atacam você também não estão
agindo sozinhos. "Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue,
mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das
trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares
celestiais" (Efésios 6:12, ACF).
Os que nos traem são vítimas
de um mundo caído. Não temos que lançar toda a culpa neles. Jesus encontrou algo
suficiente bom no rosto de Judas para chamá-lo de amigo, e pode nos ajudar a
fazer o mesmo com os que nos ofendem.
Jesus, além de encontrar bem
no mal, ainda encontrou propósito na dor. Durante sua detenção, Jesus
pronunciou aproximadamente cem palavras; dessas, quase trinta se referem ao
propósito de Deus.
"Como, pois, se
cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça?"
(Mateus 26:54, ACF).
"Mas tudo isto
aconteceu para que se cumpram as escrituras dos profetas" (Mateus
26:56, ACF).
Jesus escolheu ver sua luta
imediata como parte necessária de um plano maior. Viu o conflito no Getsêmani
como um ato importante mas singular no grandioso manuscrito do drama divino.
Presenciei algo similar numa
viagem faz pouco tempo. Minha filha Andréa e eu estávamos voando para a cidade
de St. Louis. Devido às tormentas o vôo atrasou e depois foi desviado para
outra cidade, onde tivemos de ficar sentados no avião esperando na pista até
que as nuvens passassem. Enquanto olhava vez após vez para o meu relógio, e
tamborilava com meus dedos, perguntando-me quando chegaríamos, o homem do outro
lado do corredor tocou meu braço e me perguntou se podia emprestar-lhe a minha
Bíblia. Entreguei-a para ele. O homem voltou-se para uma jovem que estava
sentada a seu lado, abriu a Bíblia e os dois leram as Escrituras pelo resto da
viagem.
Depois de algum tempo o céu
limpou-se e continuamos nossa viagem. Aterrissávamos em St. Louis quando o
homem me devolveu a Bíblia, e me explicou em voz baixa que era o primeiro vôo
da jovem. Ela acabara de alistar-se no exército e pela primeira vez tinha saído
de sua casa. O homem tinha-lhe perguntado se acreditava em Cristo, e ela disse
que tinha desejado fazê-lo, mas que não sabia como. Aí foi quando o homem me
pediu emprestada a Bíblia e falou-lhe de Jesus. Quando aterrissamos, ela disse
que acreditava em Jesus como o Filho de Deus.
Desde então tenho pensado
naquele episódio. Deus enviou a tormenta para que a jovem pudesse ouvir o evangelho?
Deus fez que o nosso vôo se atrasasse para que ela tivesse o tempo suficiente
para aprender acerca de Jesus? Eu não descartaria a hipótese. Assim é como
Jesus escolheu ver a tormenta que foi ao seu encontro: turbulência necessária
no plano de Deus. Aí mesmo, onde outros viram céus nublados, Jesus viu a ordem
divina. Seu sofrimento foi necessário para cumprir a profecia, e seu sacrifício
foi necessário para cumprir a Lei.
Não gostaria de ter um
coração cheio de esperança? Não gostaria de ver o mundo com os olhos de Jesus? Onde
vemos oração não respondida, Jesus viu oração respondida. Onde vemos a ausência
de Deus, Jesus viu o plano de Deus. observe especialmente o versículo 53:
"Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me
daria mais de doze legiões de anjos?" (ACF). De todos os tesouros que
Jesus viu no lixo, este é o mais significativo. Viu seu Pai. Viu a presença de
seu Pai no problema. Doze exércitos de anjos estavam ao alcance de sua vista.
Claro que sim, Max, mas Jesus
era Deus. podia ver o invisível. Tinha olhos para o céu e visão sobrenatural.
Eu não posso ver como Ele via.
Ainda não, talvez; mas não
subestime o poder de Deus. Ele pode mudar a maneira como você vê a vida.
Precisa de uma prova? Que tal
o exemplo de Eliseu e seu criado? Os dois estavam em Dotã, quando um rei
furioso enviou seu exército para destruí-los.
"E o servo do homem de
Deus se levantou muito cedo e saiu, e eis que um exército tinha cercado a
cidade com cavalos e carros; então o seu servo lhe disse: Ai, meu senhor! Que
faremos? E ele disse: Não temas; porque mais são os que estão conosco do que os
que estão com eles. E orou Eliseu, e disse: SENHOR, peço-te que lhe abras os
olhos, para que veja. E o SENHOR abriu os olhos do moço, e viu; e eis que o monte
estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu" (2 Reis
6:15-17, ACF).
O servo viu os anjos pelo
poder de Deus. Quem disse que não pode acontecer o mesmo com você?
Deus nunca prometeu nos eximir
de nossas lutas. O que prometeu é mudar a maneira como as vemos. O apóstolo
Paulo dedicou um parágrafo para fazer uma lista dos sacos de lixo: aflições,
problemas, sofrimentos, fome, nudez, perigo e morte violenta. São os
verdadeiros lixões do desperdício da dificuldade da qual desejamos escapar. Paulo,
apesar disso, indica seu valor: "Em todas estas coisas temos a vitória por
meio de Deus" (veja Romanos 8:35-37). Nós preferiríamos outra preposição.
Optaríamos por "à parte destas coisas", ou "longe
destas coisas", ou até "sem todas estas coisas". Mas Paulo
diz "em" todas estas coisas. A solução não está em evadir o
problema, mas em mudar a forma em que vemos nossos problemas.
Deus pode corrigir sua visão.
Ele pergunta: "Quem deu
vista a esta pessoa?" e depois responde: "Não sou eu Jeová?"
(Êxodo 4:11). Deus permitiu a Balaão ver um anjo e a Eliseu ver o exército, e a
Jacó ver uma escada, e a Saulo ver o Salvador. Muitos têm feito a petição do
cego: "Mestre, que eu tenha vista" (Marcos 10:51, ACF). E
muitos foram embora com visão clara. Quem diz que Deus não fará o mesmo para
você?
"Cantai ao SENHOR um
cântico novo,
cantai ao SENHOR toda a terra.
Cantai ao SENHOR, bendizei o
seu nome;
anunciai a sua salvação de dia
em dia"
Salmo 96:1-2, ACF.
"Alegrai-vos antes por
estarem os vossos nomes escritos nos céus"
Lucas 10:20, ACF
11. Quando o céu
celebra
UM CORAÇÃO QUE SE
REGOZIJA
Minha família fez ontem à noite
algo muito especial para mim. Deram uma festa em minha honra, uma festa de
aniversário, e de surpresa. No começo da semana passada, tinha dito a Denalyn que
não fizesse nenhum plano especial além de um tranqüilo jantar familiar em algum
restaurante. Ela ouviu somente a parte do restaurante. Eu não tinha nem idéia
da dúzia de famílias que iam vir.
Ainda tem mais: tentei convencê-la
a ficarmos em casa. "Vamos jantar fora outro dia", eu disse. Andréa
tinha estado doente. Jenna tinha lição de casa para fazer, e eu passei a tarde
toda assistindo jogos de futebol na TV, e me sentia bastante preguiçoso. Não
estava com vontade de me levantar, vestir e sair. Achei que não teria problema
para convencer minhas filhas de adiar a saída. Mas me surpreenderam! Não
quiseram nem ouvir. Para cada objeção que apresentei, responderam com uma
defesa unida e unânime. Minha família deixou bem em claro: jantaríamos fora. Não
apenas isso, mas que sairíamos na hora marcada.
Tive que concordar, e comecei
a preparar-me. Mas para consternação delas, eu andava bem devagar. Éramos um
estudo de contrastes. Minha atitude era: "Qual é a pressa?" A
atitude de minhas filhas: "Depressa!" Eu perdia tempo. Elas
estavam prontas para saírem em disparada. Eu estava feliz em ficar em casa.
Elas mal se contendo para sair logo. Para ser franco, fiquei perplexo com suas
ações. Elas estavam prontas de forma bem incomum. Curiosamente entusiastas.
Para que tanto barulho?, pensei. Adoro sair tanto quanto qualquer pessoa, mas
Sara não parou de rir em todo o trajeto até o restaurante.
Só quando chegamos, suas
ações fizeram sentido. Um passo para dentro do umbral e compreendi seu
entusiasmo: SURPRESA! Com razão agiam diferente. Sabiam algo que eu não sabia.
tinham visto algo que eu não tinha visto. Já tinham visto as mesas, e empilhado
os presentes, e cheirado o bolo. Já que sabiam da festa, fizeram tudo o que foi
necessário para certificar-se que eu não ficasse de fora.
Jesus faz a mesma coisa por
nós. Ele sabe da FESTA. Num dos mais grandiosos capítulos da Bíblia, Lucas 15,
conta-nos três histórias. Cada uma fala de algo que se perdeu e foi achado. Uma
ovelha perdida. Uma moeda perdida. Um filho perdido. No fim de cada história
Jesus descreve uma festa, uma celebração. O pastor deu uma festa por ter achado
sua ovelha perdida. A mulher deu uma festa porque achou sua moeda perdida. O
pai deu uma festa em honra do filho perdido que tinha recobrado.
Três parábolas, cada uma com
uma festa. Três histórias, e em cada uma aparece a mesma palavra: gozo.
A respeito do pastor que encontrou sua ovelha, Jesus diz: "E achando-a, a põe sobre os
seus ombros, cheio de júbilo" e vai para sua casa (versículos 5-6, ACF, ênfase do
autor). Quando a mulher encontrou sua moeda perdida, anunciou: "Alegrai-vos
comigo, porque já achei a dracma perdida" (versículo 9, ACF, ênfase do
autor). Quando o pai do filho pródigo explica ao irmão mais velho, lhe diz: "Mas
era justo regozijarmo-nos e alegrarmo-nos, porque este teu irmão estava
morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se" (versículo 32, ACF,
ênfase do autor).*
O ponto principal é claro.
Jesus se alegra muito quando encontra o que estava perdido. Para Ele nenhum
momento se compara ao momento da salvação. Para minha filha a alegria começou
quando me vesti e nos acomodamos no carro e saímos à rua para dirigir-nos à
festa. O mesmo acontece no céu. Basta que um filho consinta em vestir-se de
justiça, comece a viagem de volta e o céu prepara o refrigerante, pendura os
enfeites e lança confetes. "Há alegria diante dos anjos de Deus por um
pecador que se arrepende" (versículo 10, ACF).
A um século atrás, esse
versículo fez Charles Spurgeon escrever:
Há dias de Natal no céu, nos
quais é observado o mais elevado culto a Cristo, e Ele é glorificado, não por
ter nascido numa manjedoura mas por ter nascido no coração quebrantado de
alguém. São dias em que o pastor traz de volta para casa, sobre os ombros, a
ovelha perdida; quando a igreja varreu sua casa e achou a moeda perdida, porque
então se reúne aos amigos e vizinhos, e se regozijam com alegria indizível e
plena de glória por um pecador que se arrepende. [21]
Como explicamos tal gozo? Por
que tanto barulho? Você tem de admitir que o entusiasmo desperta curiosidade.
Não estamos falando das pessoas de uma nação ou dos habitantes de uma cidade;
estamos falando do gozo "quando um pecador muda seu coração e sua
vida". Como pode uma única pessoa gerar tanto entusiasmo?
Quem imaginaria que nossas ações tivessem
semelhante impacto nos céus? Podemos viver e não deixar nada além de um
obituário. Nossas maiores ações na terra passarão, em sua maioria, em branco e
sem registro. Nos atrevemos a pensar que Deus esteja prestando atenção?
Segundo este versículo, está
sim. De acordo com Jesus, nossas decisões têm o impacto de um choque térmico no
mundo invisível. Nossas ações no teclado da terra disparam martelos sobre as
cordas do piano nos céus. Nossa obediência puxa as cordas que fazem repicar os
sinos dos céus. Quando um filho chama, o Pai inclina seu ouvido. Uma irmã chora
e as lágrimas começam a correr do alto. Se morrer um santo, a porta se abre.
Mas, o mais importante, se um pecador se arrepender, todas as outras atividades
cessam e todo ser celestial celebra.
Impressionante esta resposta à
nossa conversão. O céu não faz festa alguma por nossas outras conquistas.
Quando nos formamos no colégio ou abrimos um negócio, ou quando temos um filho,
até onde sabemos, o burburinho do céu fica no refrigerador. Por que tanto
barulho por nossa conversão?
Nós nem sempre compartilhamos
esse entusiasmo, não é mesmo? Quando você ouve que sua alma é salva, deixa tudo
de lado e corre para celebrá-lo? Isso faz com que seu dia seja bom ou faz com
que seu dia ruim seja melhor? Talvez nos sintamos comprazidos, mas,
exuberantes? Nosso peito explode em gozo? Sentimos a urgência de chamar a
orquestra, cortar o bolo e fazer uma festa? Quando uma alma se salva, o coração
de Jesus se torna como o firmamento noturno no dia da independência, radiante
com explosões de alegria.
Poderia ser dito o mesmo de
nós? Talvez este seja um aspecto ao qual nossos corações deveriam prestar alguma
atenção.
A OBRA MAGNA DE DEUS
Por que Jesus e seus anjos se
regozijam por um pecador que se arrepende? Podem ver algo que nós não podemos
ver? Sabem algo que nós não sabemos? Claro que sim. Sabem o que o aguarda no
céu. Viram a mesa preparada, ouviram a música e ardem de desejos de ver seu rosto
quando você chegar. Mais ainda, ardem de desejos de ver você chegar.
Quando você chegar e entrar
na festa, acontecerá algo maravilhoso: uma transformação final. Você será tal
como Jesus. Absorva 1 João 3:2: "ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas
sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim
como é o veremos" (ACF, ênfase do autor).
De todas as bênçãos do céu,
uma das maiores será a sua! Você será a obra magna de Deus, sua obra de arte.
Os anjos ficarão boquiabertos. A obra de Deus estará completa. Finalmente você
terá um coração como o dEle.
Você amará com amor perfeito.
Você adorará com rosto
radiante.
Você ouvirá cada palavra que
Deus fala.
Seu coração será puro, suas
palavras serão como jóias, seus pensamentos serão como tesouros.
Você será tal como Jesus. no
final terá um coração como o dEle. Conceba o coração de Jesus e conceberá o seu
próprio. Sem culpa. Sem temor. Entusiasta e gozoso. Adorando incansavelmente.
Discernindo sem erro. Assim como o arroio na montanha é antigo e interminável,
assim será seu coração. Você será como Ele.
Como se isso não fosse
suficiente, todo mundo também será como Ele. "O céu é o lugar perfeito
para pessoas que foram feitas perfeitas" [22]. O céu está povoado por aqueles que permitem a Deus
mudá-los. Cessarão as discussões, pois não haverá ciúmes. As suspeitas não
aflorarão à superfície, pois não haverá segredos. Todo pecado terá
desaparecido. Toda insegurança ficará no esquecimento. Todo temor, no passado.
Trigo puro. Nada de joio. Ouro puro. Nada de ligas com outros metais. Amor
puro. Nada de luxúria. Esperança pura. Nada de temor. Não é em vão que os anjos
se regozijam quando um pecador se arrepende; sabem que outra obra de arte logo
enfeitará a galeria de Deus. Sabem o que o aguarda no céu.
Existe ainda mais outra razão
para a celebração. Parte do entusiasmo advém de nossa chegada. A outra parte
provém de nossa libertação. Jesus se regozija de que nos dirijamos para o céu,
mas igualmente se alegra porque somos salvos do inferno.
DE QUE SOMOS SALVOS
Uma frase resume o horror do
inferno: "Deus não está la".
Medite por um momento nesta
pergunta: O que aconteceria se Deus não estivesse na terra? Você sabe o quanto a
humanidade pode ser cruel; imagine o que seria sem a presença de Deus. Acha que
somos brutais uns com os outros, imagine o mundo sem o Espírito Santo. Pensa
que há solidão e desespero, e culpabilidade; imagine a vida sem o toque de
Jesus. Sem perdão, nem esperança, nenhum ato de bondade, nenhuma palavra
carinhosa; não é dado nenhum alimento em seu nome, nem se entoam cânticos de
louvor, nem se realizam obras em sua honra. Se Deus tirasse seus anjos, sua
graça, sua promessa de eternidade e seus servos, como seria o mundo?
Em uma palavra: um inferno.
Ninguém para consolar você nem música para acalmá-lo. Um mundo onde os poetas
não escrevem sobre o amor, nem cantores cantam sobre a esperança, porque o amor
e a esperança foram passageiros na nave que já partiu. O buquê final foi
embora, e o hino infernal tem só três palavras: "se eu tivesse..."
Segundo Jesus, o inferno
conhece um único som: "pranto e ranger de dentes" (Mateus
22:13, ACF). Do inferno sai um gemido lastimoso quando seus habitantes percebem
a oportunidade que perderam. O que eles não dariam por outra oportunidade! Mas
a oportunidade já passou (Hebreus 9:27).
DEUSES E DEUSAS
POSSÍVEIS
Entende agora por que os
anjos se regozijam quando um pecador se arrepende? Jesus sabe o que aguarda ao
salvo. Também sabe o que espera ao condenado. Pode perceber por que nós devemos
igualmente regozijar-nos? Como podemos? Como nossos corações podem mudar para
que nos regozijemos como Jesus se regozija?
Peça a Deus ajuda para ter
visão eterna do mundo. A visão divina da humanidade é agudamente simples. Da
sua perspectiva toda pessoa é ou está:
•
Entrando pela porta estreita ou pela larga (Mateus 7:13-14).
•
Andando pela senda estreita ou pelo caminho espaçoso (Mt 7:24-27).
•
Sábia ou néscia (Mateus 25:2).
•
Preparada ou não preparada (Mateus 24:45-51).
•
Chamada ao céu ou dirigindo-se ao inferno (Marcos 16:15-16).
Quando o Titanic naufragou,
mais de duas mil pessoas caíram nas gélidas águas do Atlântico. Em terra foram
escritos os nomes dos passageiros em duas simples colunas: salvos e perdidos [23]. A lista de Deus é igualmente simples.
Nossos livros de
contabilidade, contudo, estão repletos de colunas desnecessárias. É rico? É
bonita? Em que trabalha? De que cor é a sua pele? Tem título universitário?
Estas coisas são irrelevantes para Deus. Conforme Ele nos molda para que
sejamos mais como Jesus, essas coisas também se voltam irrelevantes para nós.
Alguém parafraseou 2 Coríntios 5:16: "Nosso conhecimento dos homens já não
pode mais basear-se em sua vida exterior".
Ter um coração como o dEle é
olhar as faces dos salvos e regozijar-nos! Estão apenas a um túmulo de ser como
Jesus. Ter um coração como o dEle é ver a face dos perdidos e orar. Porque, a
menos que eles se convertam, estão a apenas um túmulo do tormento.
C. S. Lewis disse:
É algo sério viver numa
sociedade de possíveis deuses e deusas, lembrar que a pessoa mais chata e menos
interessante com quem você fala pode um dia converter-se numa criatura à qual
se sentiria fortemente tentado a adorar, ou converter-se num espanto e
corrupção como você só pode ver num pesadelo. Todo o dia estamos, até certo
ponto, empurrando-nos uns aos outros para um ou outro desses destinos [24].
Então, meu conselho para você
é simples. Peça a Deus que ajude você a captar Sua visão eterna do mundo. Toda
pessoa com quem você cruzar tem recebido um convite para o jantar. Quando um
aceitar, celebre! Quando um agir como folgado, assim que eu naquela noite, faça
o que fizeram minhas filhas: insista e anime-o para que se prepare. Está quase na
hora da festa, e você não quer que essa pessoa a perca.
"Corramos com
paciência a carreira que nos está proposta"
Hebreus 12:1, ACF.
12. Termine com
força
UM CORAÇÃO QUE
RESISTE
Numa de minhas prateleiras
tenho um livro sobre músculos abdominais. Sua capa mostra um retrato em
primeiro plano de um homem flexionando o ventre. Sua barriga tem mais sulcos e ondas
que um lago num dia de vento. Inspirado, comprei o livro, li a rotina e fiz as
flexões... por uma semana.
Próximo ao livro sobre
músculos está uma série de fitas sobre leitura dinâmica. Essa compra foi idéia
da Denalyn, mas quando li a propaganda, também me entusiasmei. O curso promete
fazer em minha mente o que o livro de músculos abdominais promete fazer por
minha barriga: converter-me em aço. O texto na contracapa promete que, ao completar
essa série de exercícios, em seis semanas, você poderá ler duas vezes mais
rápido e reter o dobro do material. Tudo o que tem que fazer é ouvir as fitas,
o que me proponho a fazer... algum dia.
Também tenho um pote de
minerais essenciais. Quase um quilo de pura saúde. Um comprimido por dia e
terei ingerido minha quota de cálcio, cloro, magnésio, sódio e outros sessenta
e seis elementos terrenos e vitais. (Tem até ferro, o que é bom já que perdi o
ferro dos músculos abdominais e a mente de aço). O entusiasta que me vendeu os
minerais me convenceu de que trinta dólares era um preço baixo a pagar por boa
saúde. Só acontece é que esqueço de tomá-las.
Não me interprete mal. Nem
tudo em minha vida é incompleto (este livro está terminado... bom, quase). Mas
confesso, nem sempre termino o que começo. O mais provável é que não esteja
sozinho. Você tem algum projeto não concluído em sua vida? Talvez uma máquina
para fazer exercícios cuja atual utilidade seja pendurar toalhas? Algum curso
de modelagem que nem foi aberto? A cobertura do terraço parada na metade, ou a
piscina escavada até o meio, ou o jardim parcialmente plantado? Sem tocar no
assunto das dietas para emagrecer...
Você sabe tão bem quanto eu:
uma coisa é começar algo, e outra completamente diferente é completá-lo. Você
acha que vou falar da importância de terminar tudo. Talvez esteja se preparando
para receber uma chuva de castigos.
Se pensou isso, fique
tranqüilo. "Não comece o que não pode terminar" não é um dos meus
pontos fortes. Não vou dizer nada a respeito do que é usado para pavimentar o
caminho do inferno. Para ser franco, nem acho que você deveria terminar tudo que
começa. (Todo estudante com lições de casa para fazer deve ter arregalado os
olhos). Existem certos projetos que é melhor deixar pela metade, e outros que
sabiamente devemos abandonar. (Porém, não colocaria os deveres escolares nessa
lista).
Podemos ficar tão obcecados em
concluir algo que nos ceguemos para a eficácia. Simplesmente porque existe um
projeto sobre a mesa, isso não quer dizer que você não pode devolvê-lo à
prateleira. Não; meu desejo não é convencê-lo de que termine tudo quanto
começar. Meu desejo é animar você a terminar o que deve terminar. Certos
empreendimentos são opcionais, como o de conseguir músculos abdominais bem
definidos e leitura rápida. Outros são essenciais, como a carreira da fé.
Considere esta admoestação do autor do livro de Hebreus: "corramos com paciência a
carreira que nos está proposta" (Hebreus 12:1, ACF).
A CORRIDA
Se tivesse existido o futebol
no Antigo Testamento, estou certo de que os escritores teriam falado em gols e escanteios;
mas não havia, então falaram sobre corrida. A palavra corrida procede do
grego agon, de onde procede nossa palavra agonia. A corrida do
cristão não é uma corrida para fazer exercícios, mas uma corrida exigente,
fatigante, e algumas vezes agonizante. É requerido um esforço massivo para
terminar com força.
O mais provável é que você já
tenha percebido que muitos não a terminam assim. Percebeu quantos ficam pelo
caminho? Costumavam correr. Houve um tempo em que mantinham o passo. Mas
cansaram. Não pensaram que a corrida seria tão árdua. Podem ter desanimado quando
alguém tropeçou neles, ou se intimidaram por causa de algum outro corredor.
Qualquer que tenha sido a razão, já não correm. Podem ser cristãos. Talvez vão à
igreja. Talvez depositem uma nota na bandeja da oferta e esquentem seu banco,
mas seus corações não estão na corrida. Se retiraram antes de tempo. A não ser
que algo mude, sua obra terá sido a primeira, e a concluíram com um gemido.
Em contraste, a melhor obra
de Jesus é sua obra final, e seu passo mais forte foi o último. Nosso Mestre é
o exemplo clássico de alguém que resistiu. O escritor de Hebreus passa a dizer
que Jesus perseverou apesar de que "suportou tais contradições dos pecadores contra
si mesmo" (Hb 12:3, ACF). A frase implica que Jesus poderia ter cedido. O corredor
poderia ter-se dado por vencido, sentar-se ou ir embora para sua casa. Poderia
ter abandonado a corrida. Mas não a abandonou. Perseverou apesar dos danos que
os malvados estavam lhe fazendo.
A RESISTÊNCIA
Já pensou nas coisas ruins
que fizeram a Cristo? Pode pensar nas ocasiões em que Jesus poderia ter-se dado
por vencido? Que tal na tentação? Você e eu sabemos o que é suportar um instante
de tentação ou uma hora de tentação, e até um dia de tentação. Mas, quarenta
dias? Foi isso o que Jesus enfrentou. "E Jesus, cheio do Espírito
Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto; e quarenta dias
foi tentado pelo diabo" (Lucas 4:1-2, ACF).
Podemos imaginar a tentação
no deserto como três eventos isolados num lapso de quarenta dias. Tomara que
tivesse sido assim. Na verdade a tentação de Jesus foi incessante; "quarenta
dias foi tentado pelo diabo". Satanás se agarrou a Jesus como uma
camisa e não queria soltá-lo. A cada passo sussurrava em seu ouvido. A cada virada
de esquina semeava a dúvida. Jesus sofreu o impacto do diabo? Evidentemente que
sim. Lucas não diz que Satanás tratou de tentar a Jesus. O versículo não
diz que o diabo tentou tentar Jesus. A passagem é clara: "foi
tentado pelo diabo". Jesus foi tentado, foi provado.
Tentado a mudar de lado? Tentado a voltar para casa? Tentando a conformar-se
com um reino na terra? Não sei, mas sei que foi tentado. Uma guerra rugia em
seu interior. A tensão atacava por fora. Já que foi tentado, poderia ter
abandonado a corrida. Mas não o fez. Continuou correndo.
A tentação não o deteve, nem
tampouco as acusações. Pode imaginar o que seria correr uma corrida com os
espectadores a criticá-lo?
Alguns anos atrás participei de
uma corrida de cinco quilômetros. Nada sério; simplesmente um trote pelo bairro
para arrecadar fundos para uma obra beneficente. Não sendo o mais sábio dos
corredores, arranquei num ritmo impossível. Menos de um quilometro depois já
estava com falta de ar. Alguns espectadores me animavam com simpatia para que
continuasse. Uma senhora compassiva me deu um copo de água, outro me molhou com
uma mangueira. Nunca tinha visto essas pessoas, mas não importava. Precisava de
uma voz de alento, e a deram. Animado por seu estímulo, continuei correndo.
Que tal se nos momentos mais
duros da corrida tivesse ouvido vozes de acusação e não de estímulo? E que tal
se as acusações não procedessem de estranhos que eu pudesse descartar, mas de
meus próprios vizinhos e familiares?
Você gostaria que alguém
gritasse para você estas palavras enquanto corre?
"Aí, mentiroso! Por que
não faz algo honesto em sua vida?" (veja João 7:12).
"Aí vem o estrangeiro.
Por que não volta ao lugar de onde veio?" (veja João 8:48).
"Desde quando permitem aos
filhos do diabo correr nesta competição?" (veja João 8:48).
Foi isso o que aconteceu com
Jesus. Sua própria família o chamou de lunático. Seus vizinhos o trataram pior
ainda. Quando Jesus voltou à sua cidade natal tentaram jogá-lo num precipício
(Lucas 4:29). Mas Jesus não deixou de correr. As tentações não o detiveram. As
acusações não o derrotaram, nem a vergonha o desencorajou.
Convido você a pensar com
cuidado na prova suprema que Jesus enfrentou na corrida. Hebreus 12:2 oferece
esta afirmação que intriga: "[Jesus] ...desprezando a
afronta". Outra tradução diz que aceitou a vergonha como se nada fosse.
A vergonha é um sentimento de
desgraça, ignomínia e humilhação. Desculpe por atiçar suas lembranças, mas,
você não tem um momento vergonhoso em sua história? Pode imaginar o horror que
sentiria se todo mundo o soubesse? Que tal se uma fita de vídeo desse evento fosse
apresentada na frente de sua família e amigos? Como você se sentiria?
Assim foi exatamente como
Jesus sentiu-se. Por quê?, você perguntará. Ele nunca fez nada
vergonhoso. Não; mas nós sim. E já que na cruz Deus o fez pecado (2
Coríntios 5:21), Jesus foi coberto de vergonha. Foi envergonhado diante de sua
família. Totalmente nu perante sua própria mãe e entes queridos. Envergonhado diante
de seus compatriotas. Obrigado a carregar uma cruz até que o peso o fez tropeçar.
Envergonhado diante de sua igreja. Os pastores e anciãos de seus dias zombaram
dEle, xingando-o. Envergonhado diante da cidade de Jerusalém. Condenado a
morrer a morte de um criminoso. O mais provável é que os pais o indicassem com
um dedo na distância, e falassem para seus filhos: "É isso que acontece
com os malvados".
Mas a vergonha diante dos
homens não se comparou com a vergonha que Jesus sentiu diante de seu Pai. Nossa
vergonha individual parece demasiada para suportá-la. Pode imaginar a vergonha
coletiva de toda a humanidade? Uma após outra onda de vergonha caiu sobre
Jesus. Ainda que jamais tenha enganado, foi convictamente declarado como um
enganador. Ainda que nunca tenha roubado nada, o céu o considerou ladrão. Ainda
que nunca tenha mentido, foi considerado mentiroso. Ainda que nunca tenha dado
espaço para a luxúria, carregou a vergonha do adúltero. Ainda que sempre tenha
crido, suportou a desgraça do incrédulo.
Tais palavras levantam uma
pergunta urgente: Como? Como suportou tamanha desgraça? O que deu a Jesus a
fortaleza para suportar a vergonha de todo o mundo? Necessitamos de uma
resposta, não? Como Jesus, somos tentados. Como Jesus, somos acusados. Como
Jesus, somos envergonhados. Mas, diferente de Jesus, nos damos por vencidos.
Nos rendemos. Nos sentamos. Como podemos continuar correndo como Jesus fez?
Como podem nossos corações ter a resistência que Jesus teve?
Enfocando o que Jesus
focalizou: "pelo gozo que lhe estava proposto" (Hebreus 12:2,
ACF).
A RECOMPENSA
Esse versículo bem poderia
ser o maior testemunho já escrito a respeito da glória do céu. Nada se diz de
ruas de ouro nem de asas de anjos. Não se faz referência a festejos nem a
música. Nem a palavra céu está presente nesse versículo. Mas ainda que falte
a palavra, não falta o poder.
Lembre-se, o céu não era
estranho para Jesus. Ele é a única pessoa que viveu na terra depois de
ter vivido no céu. Como crentes, você e eu viveremos no céu depois de nosso
tempo na terra, mas Jesus fez exatamente o oposto. Conhecia o céu antes de vir
à terra. Sabia o que o esperava no seu retorno. Saber o que o esperava no céu
lhe permitiu suportar a vergonha na terra.
Aceitou a vergonha devido ao
gozo que Deus colocou diante dEle (veja de novo Hebreus 12:2). Em seus momentos
finais Jesus focou sua visão no gozo que Deus pôs diante dEle. Focalizou o
prêmio do céu. Ao enfocar a vista no prêmio, pôde não só terminar a corrida, mas
terminá-la com força.
Estou fazendo todo o possível
para fazer o mesmo. Numa odisséia muito menos significativa, eu também estou
procurando terminar com força. Você está lendo o penúltimo capítulo deste
livro. Por mais de um ano tenho vivido estas páginas; elaborando pensamentos,
polindo parágrafos, buscando o melhor verbo, e escavando por conclusões mais
fortes. Agora, o fim está à vista.
Escrever um livro é como
correr uma corrida de longa distância. Há o arrancar inicial de entusiasmo.
Depois a energia se reduz. Você pensa seriamente em abandonar tudo, mas então
um capítulo o surpreende com uma queda. Ocasionalmente uma idéia o inspira.
Freqüentemente um capítulo o fatiga; e isso por não mencionar as intermináveis
revisões exigidas pelos implacáveis editores. Mas a maior parte do trabalho tem
o ritmo de uma corrida de longa distância: longa, algumas vezes em trechos
solitários em ritmo constante.
Perto do final, com a linha
de chegada e o contentamento dos editores à vista, chega um amortecimento dos
sentidos. Você quer terminar com força. Busca a intensidade que tinha a uns
meses atrás, mas a provisão é escassa. As palavras se obscurecem, as
ilustrações se ajuntam, e a mente adormece. Você precisa de um pontapé, precisa
de um impulso, precisa de inspiração.
Posso lhe dizer onde a
encontro? (Isto vai parecer estranho, mas tenha paciência). Através dos anos
durante os quais tenho escrito pelo menos um livro por ano, desenvolvi um
ritual. Ao terminar um projeto desfruto de um ritual de celebração. Não uso
champanha nem reparto cigarros, mas achei algo muito mais doce. Tem duas fases.
A primeira é um momento de
quietude perante Deus. No momento em que o manuscrito já está no correio, procuro
um lugar solitário e me detenho. Não digo muito e, pelo menos até aqui,
tampouco Deus. o propósito não é falar tanto quanto desfrutar. Desfrutar da
doce satisfação de uma tarefa concluída. Existe um sentimento melhor? O
corredor sente a fita contra seu peito. Terminou. Que doce o vinho ao final da
jornada. Assim, por uns poucos momentos Deus e eu o saboreamos juntos.
Colocamos uma bandeja sobre o pico do Everest e desfrutamos da paisagem.
Então (isto vai soar
verdadeiramente comum) vou comer. Tenho a tendência a pular refeições durante a
reta final, então tenho fome. Num ano fui a um restaurante mexicano próximo ao
rio Santo Antônio. Em outro ano foi comida entregue em casa e um jogo de
basquete. No ano passado fui comer peixe num restaurante. Algumas vezes Denalyn
me acompanha; outras vezes vou comer sozinho. O alimento pode variar, e a
companhia pode mudar, mas uma regra continua constante. Durante toda a refeição
a não me permito pensar senão numa única coisa: Terminei. Não me permito
fazer planos para o futuro. Não me permito pensar nas tarefas de amanhã. Submerjo
num mundo de fantasia com a pretensão de que a melhor obra de minha vida foi
completada.
Durante essa refeição, de um
modo diminuto, compreendo onde Jesus achou sua força. Ele alçou seus olhos além
do horizonte e viu a mesa. Focalizou o banquete. O que viu deu-lhe forças para
terminar, e acabar com força.
Tais momentos nos aguardam.
Num mundo alheio aos músculos abdominais e à leitura dinâmica, tomaremos nosso
lugar à mesa. Numa hora que não tem fim descansaremos. Rodeados de santos e do
próprio Jesus, o trabalho, a dizer a verdade, estará concluído. A colheita
final será ceifada, nos sentaremos, e Cristo abençoará a comida com estas palavras:
"Bem está, bom e fiel servo" (Mateus 25:23, ACF).
E nesse momento, a corrida
bem terá valido a pena.
"Tendo iluminados os
olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua
vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos"
Efésios 1:18, ACF.
Conclusão: Ponha seu
olhar em Cristo
Há ocasiões quando vemos. E
há ocasiões quando vemos. Permita-me mostrar-lhe o que quero
dizer:
Todo muda na manhã em que
você vê o cartaz "Vende-se" na lancha de seu vizinho. Sua lancha de
luxo. É a lancha de pesca que você tem cobiçado durante os três últimos anos.
Subitamente nada mais importa. Uma atração gravitacional atrai seu veiculo para
a calçada. Você lança um suspiro como se seu sonho reluzisse ao sol. Passa os
dedos e apenas toca a borda, e faz uma pausa para limpar a saliva que escorrega
e molha sua camisa. Ao contemplá-lo, você se transporta mentalmente ao lago Tamapwantee,
e é como se existissem só você, as águas cristalinas e sua lancha de luxo.
Ou talvez o seguinte parágrafo
o descreva melhor:
Todo muda no dia em que o vê
entrar em sua aula de inglês. Exibindo-se o suficiente para causar boa
impressão. Suficientemente esperto para parecer ter classe. Não anda rápido
demais para não parecer nervoso, nem tão lento que pareça convencido. Você o
viu antes, mas só em sonhos. Agora realmente está ali, e não consegue parar de
olhar para ele. Quando a aula acaba você memorizou cada cacho e cada cílio. No
final do dia, você resolveu que será seu.
Há ocasiões quando vemos. E
há ocasiões quando vemos. Há ocasiões quando observamos, e há
ocasiões quando memorizamos. Algumas vezes percebemos, e outras vezes
estudamos. A maioria de nós sabe o que quer dizer ver uma lancha nova ou um
novo jovem... mas, sabemos o que seria ver a Jesus? sabemos o que seria pôr
"os olhos em Jesus"? (Hebreus 12:2).
Passamos os últimos doze
capítulos vendo o que seria sermos como Jesus. O mundo nunca conheceu um
coração tão puro, nem um caráter tão impecável. Seu ouvido espiritual é tão
agudo que nunca perdeu um sussurro celestial. Sua misericórdia é tão abundante
que nunca perdeu uma oportunidade de perdoar. Nenhuma mentira saiu de seus
lábios, e nenhuma distração turvou sua visão. Tocou quando outros se retraíram.
Perseverou quando outros se renderam. Jesus é o modelo máximo para todas as pessoas.
O que vimos nestas páginas é precisamente o que Deus convida você a realizar
pelo resto de sua vida. Ele o insta a pousar seus olhos em Jesus. O céu convida
você a fixar a lente de seu coração no coração do Evangelho e fazê-lo o objeto
de sua vida. Por essa razão desejo que concluamos nosso tempo juntos com esta
pergunta: Que quer dizer ver a Jesus?
Os pastores podem nos dizer.
Para eles não foi suficiente ver os anjos. Você concluiria que deviam ter ficado
satisfeitos. O céu noturno encheu-se de luz. A quietude prorrompeu num cântico.
Os humildes pastores acordaram e ficaram em pé ao coro dos anjos: "Glória
a Deus nas alturas!" Esses homens jamais tinham visto semelhante
esplendor.
Mas não foi suficiente ver
anjos. Os pastores queriam ver o que havia enviado os anjos. Já que não se
dariam por satisfeitos senão até vê-lo, você pode rastrear a longa fileira dos
que buscam a Jesus até o pastor que disse: "Vamos, pois, até Belém, e vejamos
isso que aconteceu" (Lucas 2:15, ACF, ênfase do autor).
Não muito atrás dos pastores
havia um homem chamado Simeão. Lucas nos diz que Simeão era um bom homem que
servia no templo na época do nascimento de Jesus. Lucas também nos diz que: "E
fora-lhe revelado, pelo Espírito Santo, que ele não morreria antes de ter visto
o Cristo do Senhor" (Lucas 2:26, ACF). Esta profecia cumpriu-se apenas
poucos dias depois que os pastores viram Jesus. De alguma maneira Simeão soube
que o bebê envolvido em cobertas nos braços de Maria era o Deus Todo Poderoso.
Para Simeão ver Jesus foi suficiente. Agora estava pronto para morrer. Alguns
não querem morrer sem terem visto o mundo. O sonho de Simeão não era tão
tímido. Não queria morrer sem ter visto Àquele que fez o mundo. Tinha que ver a
Jesus.
Orou: "Agora, Senhor,
despede em paz o teu servo, Segundo a tua palavra; pois já os meus olhos
viram a tua salvação" (Lucas 2:29-30, ACF, ênfase do autor).
Os magos tinham o mesmo
desejo. Como Simeão, queriam ver Jesus. Como os pastores, não ficaram
satisfeitos com o que viram no céu noturno. Não é que a estrela não tenha sido
espetacular. Não é que a estrela não tenha sido histórica. Ser testemunha do
orbe cintilante era um privilégio, mas para os magos não foi suficiente. Não
foi suficiente ver a luz sobre Belém; Queriam ver a Luz de Belém. Era Ele a
quem foram ver.
E triunfaram! Todos
triunfaram. Mais impressionante que sua diligência foi a disposição de Jesus.
Jesus queria que o vissem! Seja que viessem do campo ou do palácio, seja que
vivessem no templo ou entre as ovelhas, seja que seu presente fosse ouro ou a
sincera surpresa... a todos deu as boas-vindas. Procure algum exemplo de alguma
pessoa que anelasse ver o infante Jesus e que tenha sido impedido de fazê-lo.
Não vai achar.
Poderá achar muitos exemplos
dos que não o procuraram. Aqueles como o rei Herodes, que se contentavam com
menos. Aqueles, como os líderes religiosos que preferiam ler sobre Ele em vez
que vê-lo. A proporção entre os que não o viram e os que o buscaram é de mil para
um. Mas a proporção entre os que o buscaram e os que o acharam sempre foi de um
para um. Todos os que o buscaram o acharam. Muito antes que se
escrevessem as palavras, a promessa foi ratificada: "Deus (...) e que é
galardoador dos que o buscam" (Hebreus 11:6, ACF).
Os exemplos continuam.
Considere João e André. Eles, também, foram recompensados. Para eles não foi
suficiente escutar João Batista. A maioria teria se contentado em servir à
sombra do evangelista mais famoso do mundo. Poderia existir um mestre melhor?
Somente um. E quando João e André o viram, deixaram João Batista e seguiram a
Jesus. Note a petição que fizeram:
"Rabi", lhe perguntaram, "onde moras?" (João
1:38, ACF). Petição audaciosa. Não pediram a Jesus que lhes desse um minuto, ou
uma opinião, ou uma mensagem, ou um milagre. Perguntaram-lhe seu endereço.
Queriam ficar com Ele. Queriam conhecê-lo. Queriam saber quem era o que
fazia que voltassem a cabeça, e que seu coração ardesse e sua alma suspirasse.
Queriam estudar seus olhos e seguir seus passos. Queriam vê-lo. queriam saber o
que o fazia rir e se alguma vez se cansava. Mas, sobretudo, queriam saber: "
Jesus era o que João disse que era; e se fosse, o que estava fazendo Deus na
terra?" Não se pode encontrar resposta para essa pergunta falando com
o primo; é necessário falar com a própria pessoa.
A resposta de Jesus para os
discípulos? "Vinde, e vede" (versículo 39). Não lhes disse:
"Venham e dêem uma olhada", nem tampouco "Venham e
vislumbrem". Disse-lhes: "Vinde, e vede". Tragam seus binóculos
e lunetas. Este não é o momento para dar olhadas de relance ou vislumbres
ocasionais. "Fitando os olhos em Jesus, autor e consumador da nossa
fé" (Hebreus 12:2, PJFA).
O pescador fita seus olhos no
barco. A jovem fita seus olhos no jovem. Os discípulos fitam seus olhos no
Salvador.
Isso foi o que Mateus fez.
Mateus, se você lembra, converteu-se em seu trabalho. De acordo com sua
história, era um cobrador de impostos do governo. Segundo seus vizinhos, era um
bandido. Tinha numa esquina um escritório de coleta de impostos e uma mão
estendida. Estava ali no dia em que viu a Jesus. "Segue-me",
disse-lhe o Mestre, e Mateus assim fez. No versículo que se segue encontramos
Jesus sentado à mesa de Mateus, jantando (veja Mateus 9:9-10).
Uma conversa na calçada não
teria satisfeito seu coração, e assim Mateus levou Jesus até sua casa. Algo
acontece na mesa do jantar que não acontece na mesa do escritório. Tire a
gravata, acenda o fogo da churrasqueira, abra os refrigerantes, e passe a noite
com o que pendurou as estrelas no céu. "Jesus, sabe de uma coisa? Desculpa
por perguntar isto, mas sempre quis saber..."
De novo, ainda que o fato de
convidar seja impressionante, a aceitação é mais ainda. Jesus não se importou de
que Mateus fosse ladrão. Jesus não se importou de que Mateus morasse numa casa
de dois andares com os ganhos de sua extorsão. O que importou foi que Mateus
queria conhecer a Jesus, e já que Deus "é galardoador dos que o
buscam" (Hebreus 11:6, ACF), Mateus foi recompensado com a presença de
Cristo em sua casa.
Certamente faz sentido que
Jesus gastasse tempo com Mateus. Afinal, Mateus foi uma seleção de primeira
classe, perfeito para escrever o primeiro livro do Novo Testamento. Jesus passa
o tempo somente com caras grandes como Mateus e André e João, verdade?
Posso contrariar esta opinião
com um exemplo? Zaqueu estava muito longe de ser um cara grande. Era pequeno,
tão pequeno que não podia enxergar por cima da multidão que enchia a rua no dia
em que Jesus chegou a Jericó. Certamente a multidão talvez tivesse aberto
passagem, forçada por suas cotoveladas, para permitir-lhe passar na frente, só
que ele, como Mateus, era um publicano, um cobrador de impostos. Mas ele, como
Mateus, tinha em seu coração fome por ver a Jesus.
Não foi suficiente ficar atrás
da multidão. Não foi suficiente vislumbrar com uma luneta de papelão. Não foi
suficiente ouvir alguma outra pessoa descrever o desfile do Messias. Zaqueu
queria ver Jesus com seus próprios olhos.
Então subiu numa árvore.
Vestido com um luxuoso traje de três peças e sapatos italianos de qualidade,
trepou na árvore esperando ver Jesus.
Me pergunto se você estaria
disposto a fazer a mesma coisa. Subiria num galho para ver Jesus? Nem todo
mundo o faria. Na mesma Bíblia em lemos sobre Zaqueu trepando num galho, lemos
de outro rico funcionário. Diferente de Zaqueu, para ele a multidão abriu passagem.
Era o... bem, o rico, o jovem rico. Ao saber que Jesus estava por perto,
pediu sua limusine e atravessou a cidade e se aproximou do carpinteiro. Por
favor, perceba a pergunta que tinha para Jesus: "Bom Mestre, que bem
farei para conseguir a vida eterna?" (Mateus 19:16, ACF).
Como se diz, esse funcionário
era um homem com os pés no chão. Não tinha tempo para formalismo e
conversações. "Vamos direito ao ponto. Seu horário está cheio; assim como
o meu. Diga-me como posso ser salvo, e o deixarei em paz".
Não há nada de errado na
pergunta, mas havia um problema em seu coração. Compare seu desejo com o de
Zaqueu: "Posso trepar nessa árvore?"
Ou João e André: "Onde
moras?"
Ou Mateus: "Podes ficar
esta noite?"
Ou Simeão: "Posso estar
vivo até eu vê-lo?"
Ou os magos: "Preparem
os camelos. Não vamos deter-nos até vê-lo".
Ou os pastores:
"Vamos... e vejamos".
Percebe a diferença? O jovem
rico queria a medicina. Os outros queriam o Médico. O jovem queria uma resposta
para sua charada. Eles queriam o Mestre. O jovem estava com pressa. Os outros
tinham todo o tempo do mundo. Ele se conformou com uma xícara de café pela
janela de serviço dos carros. Eles não se conformariam com nada menos que um
jantar completo numa mesa de banquete. Eles queriam mais que salvação. Queriam
o Salvador. Queriam ver Jesus.
Eram fervorosos em sua busca.
Uma tradução de Hebreus 11:6 diz: "Deus recompensa os que buscam fervorosamente".
Outra diz: "Deus...
recompensa os que buscam sinceramente" (traduções diretas do
inglês, ênfase do autor).
A Nova Versão Internacional
diz: "Ele... recompensa aqueles que o buscam".
Diligentemente é uma grande
expressão. Seja diligente em sua busca. Busque com fome, incansavelmente em sua
peregrinação. Que este livro seja só um dentre as dúzias que você lerá sobre
Jesus e que esta hora seja uma das centenas nas quais você estará procurando-o.
Afaste-se da busca insossa de posses e posições, e busque seu Rei.
Não se dê por satisfeito com
os anjos. Não se contente com as estrelas do céu. Busque por Ele assim como
fizeram os pastores. Busque-o com anelo, como Simeão. Adore-o como os magos o
adoraram. Faça como João e André fizeram: peça-lhe seu endereço. Faça como
Mateus: convide Jesus para ir à sua casa. Imite a Zaqueu: arrisque tudo para ver
a Cristo.
Deus recompensa os que
buscam. Não os que buscam doutrina ou religião, sistema ou credos. Muitos se
conformam com estas paixões menores, mas a recompensa é para os que não se
conformam com nada menos que o próprio Jesus. Qual é a recompensa? O que aguarda
aos que buscam a Jesus? nada menos que o coração de Jesus. "Somos
transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do
Senhor" (2 Coríntios 3:18, PJFA)
Você pode imaginar um
presente mais grandioso do que ser como Jesus? Cristo não sentia culpa; Deus
quer extirpá-la de você. Jesus não tinha maus hábitos; Deus quer tirar os seus.
Jesus não tinha medo da morte; Deus quer que você não tenha medo. Jesus tinha
bondade pelos doentes e misericórdia pelos rebeldes e valor para os retos. Deus
quer que você tenha o mesmo.
Ele ama você tal como você é,
mas se recusa a deixá-lo assim. Ele quer que você seja simplesmente como Jesus.
Guia de Estudo
1. UM CORAÇÃO COMO O SEU
• Busque o coração
de Jesus
1) Que mudaria em sua vida se Jesus
realmente se fizer você?
a) Quem se surpreenderia por seu novo
eu? Por quê?
b) Você teria "cercas para
reparar"? De ser assim, a quem pertenceria?
2) Já que Deus quer que você tenha um
coração como o dEle ("um novo homem, criado segundo Deus", diz
Efésios 4:23-24), faça você mesmo um exame:
a) Qual é a condição de seu coração
hoje?
b) Que aconteceria num "exame de
estresse" espiritual? Difeririam os resultados, dependendo no que está
acontecendo em sua vida dia após dia? Explique.
c) Que ações específicas deveria
realizar para desenvolver um coração como o de Jesus?
3)Deus quer que você seja como Ele,
mas o ama tal como você é. Descreva o "você" que Deus ama.
a) Quais são suas habilidades,
talentos, capacidades, preocupações, interesses, manias, faltas, necessidades,
desejos?
b) De que maneira estas coisas seria
diferentes se você tiver "um coração como o dEle"? Que partes de você
deveriam ser "reparadas"?
4) Os pensamentos de Jesus, suas
ações e seu ser inteiro refletiam sua íntima relação com seu Pai. Como
resultado, seu coração era supremamente espiritual.
a) Descreva um "coração
espiritual".
b) Descreva qualquer diferença entre
seu coração e o de Cristo.
5) Como Max ressalta, estamos
"conectados" com o poder de Deus, mas não o suficiente como para
usá-lo em todo seu alcance.
a) Descreva seu "uso do
poder". Quanto de sua luz usa em seu trabalho? Em casa? Em sua comunidade?
b) Que pode aprender ao refletir no
coração de Cristo?
• Examine a mente de Jesus
1) Leia Filipenses 2:5-13.
a) Devemos ter a mesma atitude de
Cristo para "pensar e agir como Cristo Jesus". Quão difícil resulta
isto para você? Qual é a dificuldade? Explique.
b) Quanto esforço está você disposto
a dar para ajustar-se às diretivas desta passagem? Que classe de esforço?
c) Que necessita mais atenção no que
diz respeito a seu coração?
2) Efésios 4:20-32 trata de algumas
coisas específicas que não são próprias dos cristãos que querem viver como
"filhos da luz".
a) Que parte de seu "velho
homem" dá maior problema?
b) Que pode decidir hoje fazer a
respeito?
3) Jesus foi sem pecado; suas
palavras e ações sempre foram puras. Leia 1 João 3:1-10.
a) Como se sente ao sabe que tem um
exemplo como este? O intimida ou o conforta? Explique.
b) Jesus lhe deu seu "eu"
sem pecado e está esperando transformá-lo em alguém semelhante a Ele. Como pode
você usar este pensamento para motivar-se a chegar a ser como Ele? O motiva?
Explique.
• Seja as mãos de
Jesus
1) Escreva Colossenses 3:10 num
cartão e coloque-o onde o possa ver todos os dias. Memorize este versículo e
agradeça a Deus por amá-lo o suficiente como para mudá-lo em alguém como Ele.
2) Dedique uns poucos minutos para
imaginar a você mesmo em alguma situação particularmente espinhosa, uma com a
qual em linha geral você luta. Agora, imagine como a manejaria com "um
coração com o dEle". Depois ore pedindo que Deus o capacite para manejar
uma situação real assim como a manejou em sua imaginação. A próxima vez que
aconteça, escreva num diário o ocorrido, e veja como Deus responde suas ocasião
sinceras.
2. AME AS PESSOAS COM AS QUE ESTÁ PREGADO
Um coração que perdoa
• Busque o coração de Jesus
1) Considere "a claustrofobia
que resulta com o compromisso".
a) Você já experimentou a
claustrofobia do compromisso?
b) Onde a encontra: com seu cônjuge,
com seus filhos, com seus funcionários, com alguma outra pessoa? Explique.
c) Tem-se sentido alguma vez com
temor ou frustrado devido à permanência de fazer um compromisso? Se for assim,
descreva sua reação.
d) Se sentir-se "pregado"
com alguém agora mesmo (com um caso serio de "pregafobia"), se
sentiria mais inclinado a fugir, lutar ou perdoar? Explique.
e) Como se sentiria se soubesse que a
outra pessoa se sente do mesmo modo a respeito de você? acha que alguém se
sente assim? Se for assim, explique.
2) Jesus pôde amar as pessoas as
quais era difícil amar.
a) Mencione os nomes de algumas
pessoas as quais você encontre difícil amar. Por quê?
b) Mencione os nomes de algumas
pessoas as que talvez lhe resultaria difícil amar. Por quê?
3) Jesus sabia que ninguém
"esperava" que Ele fizesse o trabalho do servo mais vil quando lavou
os pés dos discípulos, segundo o descreve em João 13. lembre-se que Ele sabia
plenamente que o abandonaria em sua hora de maior necessidade; contudo,serviu
com um coração que transbordava amor.
a) Se o lavar pés fosse ainda um
costume hoje, estaria você disposto a servir desse modo alguma das pessoas que
mencionou nas perguntas 1 e 2 acima? Explique.
b) Pense em alguém que tenha
"lavado seus pés" quando você não o merecia. Quais foram as
circunstâncias?
4) Ao deixar de olhar para a
"pessoa problema" e dirigir seu olhar para Jesus, que acontece com
sua capacidade para perdoar à pessoa?
a) Mencione os pecados pelos quais
Cristo deveu perdoar você somente este dia. Algum deles é uma
"repetição". Explique.
b) Percebendo toda a tarefa de
limpeza que Jesus teve de fazer em você, quão disposto você está para fazer o
mesmo com outros? Como responde aos que continua e repetidamente lhe causam os
mesmos problemas?
5) Max nos lembra que havia um único
homem na Ceia Pascal digno de que lhe lavassem os pés, e foi Ele mesmo quem
lavou os pés dos outros. Quem devia ter sido servido se fez servo.
a) Mencione várias relações que você
poderia melhorar ao lavar inesperadamente alguns pés.
b) Como poderia "lavar os
pés" de alguém? Como pensa você que seria recebida a ação? Explique.
c) Senta com você à mesa alguma das
pessoas implicadas? Se for assim, resulta mais fácil ou mais difícil lavar-lhes
os pés? Por quê?
• Examine a mente de Jesus
1) Medite sobre Colossenses 3:12-17.
a) Escreva nomes de pessoas no lugar
apropriado desta passagem: "Suportando a ____________________ e perdoando
a ______________________ se alguém tiver queixa contra essa pessoa".
b) Agora repita este exercício, pedindo
a Deus que ajude a alguém a suportar você.
2) Coloque a você mesmo na cena
descrita em João 13:1-17.
a) Você está ali sentado, esperando.
E continua esperando. Onde está esse criado folgado? Então seu Mestre, de entre
todos, se levanta para fazer o serviço. Como se sente você, vendo-o trabalhar?
O que você pensa?
b) Se você estiver nesta cena, e
souber o que Judas está a ponto de fazer, você lavaria seus pés assim como
Jesus o fez? Explique.
3) Efésios 4:32 diz: "Antes sede
uns para com os outros benignos, misericordiosos [ou compassivos],
perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo"
(ACF). Leia também o versículo que se segue (Ef 5:1).
a) Quanto se sujou Deus quando se
inclinou para limpar você? quando você está disposto a sujar-se para ser um
"imitador de Deus"?
b) Efésios 5:2 continua: "E
andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós,
em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave". Com a ajuda de Deus, que
mudanças necessita fazer para que sua vida seja um sacrifício a Deus em cheiro
suave? Explique.
c) Há um Judas em sua vida? Pode você
fazer por ele o que Jesus fez por seu Judas?
• Seja as mãos de Jesus
1) Agradeça a Deus por sua
misericórdia e perdão diários. Expresse-lhe sua gratidão por sua graça
ilimitada. Medite sobre a verdade bíblica de que Ele na se lembra mais de seus
pecados, senão que os coloca "tão longe como está o oriente do
ocidente".
2) A esposa cuja história se relata
no final deste capítulo e que foi ofendida pelo esposo, foi misericordiosa com
ele. O perdoou e esteve disposta a deixar de lado sua ferida. Disse:
"Vamos enfrente". Pense em alguma pessoa que tenha machucado você.
decida hoje começar o mesmo processo. Peça a Deus que o ajude a lavar com amor
os pés dessa pessoa, e a esquecer deliberadamente a ofensa. Passe tempo orando
por essa pessoa e pela situação. Peça a Deus que o ajude a saber como perdoar e
amar a pessoa assim como Jesus a ama.
3. O TOQUE DE DEUS
Um coração compassivo
• Busque o coração de Jesus
1) Lembre alguns momentos quando
"as próprias mãos de Deus" ministraram você. como isso o fez sentir?
2) Você acha que tem "mãos de
céu". Explique. Costuma procurar oportunidades para atender a outros com
essas mãos?
3) Alguma vez em sua vida colocou
alguém em "quarentena"?
a) Se for assim, qual foi a situação?
Por que excluiu a essa pessoa?
b) Que a faria incluí-la de novo?
4) Ainda quando as palavras de Jesus
sararam o leproso, Max ressalta que só o toque amoroso de Jesus fez desaparecer
a solidão do homem.
a) Descreva alguns períodos de sua
vida quando não se disseram palavras, mas um toque o disse tudo.
b) É falar do "toque
divino" mais fácil que em efeito tocar? Explique.
c) Você achar fácil ou difícil
receber um toque assim? Por quê?
5) Faça uma lista as formas de
"tocar" a alguém emocionalmente sem tocá-lo fisicamente. (Este é um
começo: cartas, visitas, etc.).
• Examine a mente de Jesus
1) Leia de novo a história do leproso
curado em Mateus 8:1-4. Leia também Marcos 1:40-45 e Lucas 5:12-16. Os três
escritores mencionam o toque de Jesus, igual que suas palavras curadoras.
a) Em sua opinião, por que Jesus
pensava que foi importante tocar fisicamente o homem?
b) Ficaria a história diminuída sem o
toque? Explique.
2) O relato de Marcos indica que o
leproso limpo, ainda quando foi-lhe advertido de não falar para ninguém, em vez
disso saiu e começou a publicá-lo por todas partes.
a) Por que Jesus ordenou ao homem de
guardar silêncio?
b) Que aconteceu quando o homem o
publicou?
c) Você teria conseguido guardar silêncio
se algo tão maravilhoso tiver acontecido com você? Explique.
3) Colossenses 3:12 diz: "Revesti-vos
(...) de entranhas de misericórdia, de benignidade..." (ACF).
Vestir-se é uma ação deliberada; o fazemos intencionalmente e nunca
"simplesmente acontece". Mas ao fazê-lo todos os dias, se transforma
num ato natural.
a)Pense em alguém que tenha um
espírito compassivo. Como se expressa esse espírito por meio de suas ações, da
forma de falar, de sua expressão?
b) Com a ajuda do Senhor, como
poderia você se esforçar mais para mostrar compaixão?
• Seja as mãos de Jesus
1) Passe alguns minutos agradecendo
ao Senhor pelos que se deram tempo para mostrar compaixão ou bondade com você
quando você mais o necessitava. Mencione seus nome ante o Senhor. Depois, diga
a eles pessoalmente, por meio de uma nota ou por telefone, o que seu ministério
significou para você.
2) Peça a Deus que mostre alguém que
necessite desse "toque divino" especial. O mais provável é que você
já saiba quem é. Se perceber alguma resistência de sua parte (Tipo: "Não
ele/ela! Não eu, eu não consigo!"), peça ao Senhor que faça suas as
mãos de você e renda-as a Ele. Depois segura segundo Ele o guia.
4. OUÇA A MÚSICA DIVINA
Um coração que escuta
• Busque o coração de Jesus
1) As Escrituras nos lembram com
freqüência que não é suficiente ter ouvido: devemos usá-lo. O problema é que
não o usamos com freqüência.
a) Devemos "escutar como
ovelhas" que seguem a voz bem conhecida de seu amo. Como você trata de
ouvir a voz de Deus regularmente?
b) Como você pode familiarizar-se com
o Mestre de modo que possa distinguir de imediato a "voz do
estranho"? Como pode reconhecer os ensinos falsos ao ouvi-los?
2) Jesus fez um hábito de orar. Max
diz que Cristo "deixava livre seu calendário" para falar com seu Pai.
a) Descreva sua própria vida de oração.
Passa algum dia sem que você perceba que tem descuidado por completo este
privilégio? Como se passaram esses dias?
b) Que aconteceria nas relações em
seu matrimônio/família/amizades/trabalho se sua comunicação com estas pessoas
fosse a mesma que entre você e seu Salvador?
3) Jesus conhecia intimamente as
Escrituras.
a) Cristo conhecia a Bíblia e sabia
como usá-la. Como vai sua memorização da Bíblia?
b) Quão fácil lhe resulta encontrar
um versículo específico?
c) Compreende a maior parte das
Escrituras o suficiente como para aplicá-las eficazmente? Explique.
d) Quão bom é você para explicar a
outros as Escrituras, especialmente aos que ainda não conhecem a Cristo?
4) Se quisermos ser como Jesus, temos
que deixar que Deus nos tenha.
a) Você realmente deseja que o
"tenham"? Explique.
b) Como pode entregar sua vida
inteira, todo seu ser? Seja específico.
c) Qual é a melhor hora para passar o
tempo necessário escutando ao Senhor no estudo da Bíblia e a com, até receber
sua lição para cada dia? Aproveita você essa hora?
5) A Bíblia diz que somos dignos
devido ao que Cristo fez por nós; nós não fizemos nada para merecer uma posição
tão elevada. Devido a isto, Ele quer que lhe abramos completamente nosso
coração.
a) Como reage você a este afeto tão
imerecido? Por quê?
b) Que acontece entre você e Deus
quando lhe abre seu coração?
• Examine a mente de Jesus
1) Leia a parábola do semeador, em
Marcos 4:1-20.
a) Examine-se a você mesmo. Qual
semente o descreve melhor? Por quê?
b) Que classe de mudanças seriam
necessárias para que você fosse a semente plantada em boa terá, produzindo uma
colheita de cento por um?
2) João 10:1-18 descreve a relação
entre um pastor e suas ovelhas, assim como a do Senhor e seu povo. A passagem
diz que as ovelhas "fugirão" dos estranhos porque não os reconhecem.
Estão tão em afinidade com seu Mestre que não querem outro, e o Mestre ama
tanto suas ovelhas que morrerá por elas.
a) Que benefícios recebem as ovelhas
ao estarem perto de seu Mestre?
b) Que perigos as ameaçam se se
afastam?
c) Você pensa que as ovelhas se
esforçam por seu "valor"? Explique.
d) Que paralelos pode derivar entre
as ovelhas e as pessoas?
3) Se quisermos ser como Jesus
devemos observar um tempo regular para falar com Deus e escutar sua Palavra.
a) Romanos 12 contém uma lista de
"coisas para fazer" para os que desejam viver em harmonia com o
Senhor e com outros. Por que devemos fazer estas coisas? Como devemos fazê-las?
b) Como você pode fazer que seus
momentos de com sejam de adoração?
c) Defina a frase "ser fiel na
oração".
d) É possível ser fiel na oração sem
passar tempo na Palavra? Explique.
• Seja as mãos de Jesus
1) Como vivemos na era da
comunicação, nos vemos inundados com tanta informação que podemos sentir-nos sobrecarregados.
Os jornais, as revistas, a televisão e a Internet reclamam aos gritos nossa
atenção. Desafie-se você mesmo esta semana a passar tantas horas lendo a Bíblia
como as passa lendo o jornal e assistindo a televisão. Depois, escreva a
diferença que isso faz em sua vida.
2) Se não começou ainda, comece a
levar um diário de sua peregrinação com o Senhor. Cada mês escreva as passagens
que estudou e a quantidade de tempo que passa com Ele em oração, assim como os
resultados. Anote as mudanças positivas que você percebe em sua relação com o
Senhor tanto como com outros.
5. DEIXE-SE GUIAR POR UMA MÃO INVISÍVEL
Um coração embriagado de Deus
• Busque o coração de Jesus
1) Sempre estamos na presença de
Deus.
a) A declaração que antecede, o
consola ou incomoda? Por quê?
b) Que significa para você a presença
contínua de Deus ao realizar suas atividades diárias?
2) Deus quer que desfrutemos da mesma
intimidade com Ele como a tinha com seu Filho.
a) Gosta da intimidade ou prefere
ficar um pouco separado, mantendo seu "espaço"? Explique.
b) Como trata de manter partes de
você ocultas dos outros? Que gostaria manter culto de Deus?
3) Deus nunca está longe de nós.
a) Você tem-se sentido bem acerca de
Deus, especialmente os domingos pela manhã, mas a quilômetros de distância na
terça-feira pela tarde? Se for assim, descreva a experiência. Em sua opinião,
por que acontece isto?
b) Deus está absolutamente
comprometido conosco e nos provê de um modelo. Qual é seu nível de compromisso:
com seu cônjuge, seus filhos, sua igreja, etc? eles se sentem seguros de que
você nunca vai deixá-los e que sempre estará a seu lado? Como tem deixado saber
de seu compromisso?
4) No "matrimônio do cristão com
Jesus" a comunicação nunca cessa.
a) Quando você fala com Deus, que
menciona primeiro? O louva e lhe dá honra regularmente antes da ladainha de
petições? Se não, por quê?
b) Quanto tempo duraria uma amizade
se a única comunicação entre duas pessoas for pedir favores? Anelaria você algo
a mais, desejaria algo mais profundo? Explique.
c) É Deus a primeira pessoa com a que
fala quando algo grandioso lhe acontece? É Ele a última pessoa quando tem
problemas? Explique.
5) Considere todo momento de sua vida
um momento potencial para ter comunhão com Deus.
a) Conhece você alguém, aparte de
Deus, que realmente gostaria de ouvir acerca de você de tempo em tempo?
b) Como fica afetado seu sentido de
valoração ao saber que Deus nunca vai deixá-lo? muda isto sua adoração a Ele?
• Examine a mente de Jesus
1) 1 Coríntios 6:1 chama os crentes
de "colaboradores de Deus".
a) Que aconteceria em sua ética
diária no trabalho se realmente acreditasse que está trabalhando lado a lado do
Deus único e verdadeiro? Trabalharia você mais duro? Faria o melhor possível em
tudo com Deus na próxima conversação? Explique.
b) Deveria sua vida ser mais fácil de
manejar, sabendo que o Todo Poderoso está andando junto com você, a seu lado?
Se for assim, como?
2) Leia João 5:16-30.
a) Jesus disse que o Filho "não
fazia nada por si mesmo", senão que o que fazia o Pai o fazia o Filho.
Pode-se dizer o mesmo de você? Por quê? O que faz você correr adiantando-se a
Deus? que aspectos de sua vida trata de manejar sem a ajuda de Deus?
b) Jesus não tratou de agradar-se a
si mesmo, senão a seu Pai (versículo 30). A quem está você tratando de
comprazer mais que a ninguém? A seu cônjuge? A seus pais? Aos vizinhos?
3) A ilustração bíblica da videira e
os ramos em João 15:1-8 descreve a relação que Deus deseja ter com seu povo.
Ele quer estar completamente conectado conosco.
a) Como se compara seu desejo de ter
intimidade com Deus com o que tinha Frank Laubach, quem se sentia perdido se
tão só em meia hora não tinha pensado nEle?
b) Faça uma lista de maneiras
práticas em que sua vida mudaria se estiver conectado deste modo.
c) Jesus fala de podar os ramos que
carregam fruto para que assim possam dar ainda mais fruto. Descreva uma ocasião
quando sentiu os efeitos da faca divina de podar. Que classe de fruto produziu
depois? Você deseja fruto mais abundante e melhor, inclusive se tiver de ser
podado uma vez após outra? Explique.
• Seja as mãos de Jesus
1) Peça ao Senhor dois versículos
especiais: um no qual meditar enquanto está acordado e um para a noite ao se
retirar. Faça-o fielmente pelo menos por uma semana inteira. Use esses
"marcadores" para começar a dirigir seu dia inteiro rumo a uma vida
totalmente centrada em Deus.
2) Deus já sabe o que você está
pensando, querendo e fazendo. Perceba que Ele quer ouvir você, assim que comece
a falar como se estiver no carro de seu lado na manhã, junto de você na fileira
do banco, ou sentado na escrivaninha de lado. A Ele não interessam as frases
floridas nem as palavras que soam piedosas; somente quer você.
6. UM ROSTO TRANSFORMADO E UM PAR DE ASAS
Um coração com fome de adorar
• Busque o coração de Jesus
1) Descreva uma ocasião quando
conheceu a alguma pessoa famosa ou assistiu algum evento importante. Comprou um
traje novo, ou vestido? Esteve pensando nisso com vários dias de antecipação?
Quão importante foi a pessoa famosa ou o evento comparado com um encontro com
Jesus?
2) Como define você a adoração? Que
se inclui nela?
a) Por que adoramos?
b) É a adoração mais importante ou
menos, hoje, que quando chegou a conhecer o Senhor?
3) Jesus se preparou para a adoração,
contudo nós com freqüência nos comportamos descuidadamente quando se trata de
encontrar-nos com Deus.
a) Pense numa manhã típica um domingo
antes de sair para a igreja. Seja franco consigo mesmo. Ardem os temperamentos?
Todo mundo anda com pressa? Descreva o dia.
b) Que poderia fazer para melhorar a
situação, ainda quando deva começar a noite anterior? Que impede você pôr em
prática estas mudanças?
4) Deus muda nossas caras mediante a
adoração.
a) Como poderia você pensar mais
conscientemente nas palavras que canta, ora e escuta?
b) Que acontece em sua cara ao sair
do culto e dirigir-se a sua semana de trabalho?
c) Saberia alguém, ao olhar para você
na terça-feira que você esteve com o Mestre no domingo? Como?
5) Deus muda os que nos observam
adorar.
a) Que aspectos de sua adoração estão
destinados a atrair às pessoas que não conhecem a Cristo?
b) Com quanta freqüência durante o
culto dedica tempo a orar pelos que não são salvos e que poderiam estar
sentados a seu lado?
• Examine a mente de Jesus
1) Leia Mateus 17:1-9.
a) Você pensa que os discípulos
compreenderam o propósito de sua excursão ao monte para adorar?
b) Em sua opinião, como foram
afetados pela experiência? (leia 1 Pedro 1:16-18).
c) Por que supõe você que Cristo lhes
disse que não o contassem a ninguém?
2) 2 Coríntios 3:12-18 contrasta a
Moisés levando um véu para cobrir a glória de Deus, e o privilégio do crente de
ter sua cara sem véu.
a) Como é que algumas vezes
apresentamos na adoração corações ou caras "com véu"? por que agimos
assim?
b) Como pode você "refletir
melhor a glória de Deus" esta semana? Em sua casa? Em seu trabalho? Com
seus amigos?
3) Leia o Salmo 34 em silêncio;
depois leia-o em voz alta.
a) Quão "grande" parece
Deus nesta passagem? Que palavras usaria você para descrever a Deus e sua
glória?
b) Leia de novo toda a passagem e
conte o número de razões que há para louvar a Deus.
c) Agora veja-se num espelho. Você vê
o reflexo de Deus? Explique.
• Seja as mãos de Jesus
1) Se o domingo pela manhã antes de
ir para a igreja sempre se apresentar um problema em casa, sente-se com sua
família e falem do assunto. Veja se alguma outra pessoa está preocupada com
isso. Decida fazer os preservativos físicos e práticos a noite anterior (busque
o sapato perdido, decida que vestido vai usar, etc.). dedique tempo para
encontrar-se com o Senhor em casa antes de encontrar-se com Ele na igreja.
Lembre-se: também pode encontrá-lo enquanto se dirige à igreja!
2) Seja que você é um
"cumprimentador oficial" na igreja, ou não, considere convertê-lo em
sua possibilidade missionária o próximo domingo. Em vez de que os visitantes se
apresentem a si mesmos, coloque o sorrido de Deus em sua face, e busque-os de
propósito.
7. JOGOS DE GOLFE E TALOS DE AIPO
Um coração enfocado
• Busque o coração de Jesus
1) Um dos rasgos incríveis de Jesus
foi sua capacidade de manter-se dirigindo-se rumo ao alvo.
a) Quão apontada para o alvo está sua
vida? Explique.
b) A onde quer dirigir-se em sua
vida? Mencione algumas metas específicas que tenha.
2) Nossas vidas tendem a espalhar-se.
a) De que maneira(s) reflete esta
afirmação o que é sua vida?
b) Quais são suas prioridades?
c) Se distrai facilmente por minúcias
e esquece das coisas grandes? Explique.
3) Deus quer que tenhamos corações
focados, que se dirijam ao alvo, que encaixem no plano de Deus.
a) Qual é o plano de Deus a respeito
de você?
b) Como se comparam seus planos aos
de Deus? Explique.
4) Quando nos submetemos a Deus,
podemos confiar em nossos desejos.
a) Se acontecer tudo o que você
desejar, acha que seria bom para você? Explique.
b) Como pode consagrar-se a qualquer
coisa que deseje Deus para você, inclusive quando puder diferir do que você
deseja?
5) Em Romanos 12:3 Paulo aconselha
que devemos "estimar com moderação nossas capacidades".
a) Provavelmente você já percebeu
suas debilidades, mas que tal de seus pontos fortes?
b) Como está você usando esses pontos
fortes para servir e honrar a Deus? tem dado as graças por eles?
• Examine a mente de Jesus
1) Leia Marcos 10:42-45.
a) Que classe de funcionário descreve
Jesus no versículo 42?
b) Como deveria o comportamento dos
"que querem ser grandes" diferir das ações dos outros?
c) Como pensa você que as coisas
mudariam se Jesus tiver escolhido "ser servido" em vez de servir?
2) Compare Marcos 10:45 com Lucas
19:10.
a) Dizem estes dois versículos o
mesmo? Por que sim que por que não?
b) Consideraria você um ou ambos como
a "declaração de missão" de Cristo? Explique.
3) Romanos 8:28 se usa com freqüência
e de forma errada.
a) Como funciona este versículo
quando nos acontecem coisas que chamamos "más"?
b) Você pensa que Deus
"planeja" as "coisas más" ou que simplesmente as permite? É
o mesmo?
c) Continue lendo desde o versículo
28 até o final do capítulo. Descreva como estes versículos se relacionam com as
"coisas más" em sua vida.
4) Deus quer usar-nos para realizar
seu plano (leia 2 Coríntios 5:17-21).
a) Que está fazendo você para servir
como representante ou embaixador de Cristo?
b) Que recursos tem para preparar-se
para esta tarefa? Como os está usando?
5) Dedique tempo ao Salmo 37.
a) Quanto tempo passa você
esforçando-se pelos "malvados"? Se preocupa porque eles na receberão
"o que merecem"? Explique.
b) Que diz Deus que vai
acontece-lhes?
c) Que deveria você estar fazendo em
vez de preocupar-se pela retribuição?
d) Quando seu coração se une eo de
Deus, que acontece com seus desejos?
• Seja as mãos de Jesus
1) Tanto o Salmo 139:14 como Efésios
2:10 declaram a maravilhosa obra de Deus em você. acredita neles? Dedique uns
poucos momentos para escrever coisas específicas a respeito de você que
ilustram esta afirmação. Dedique essas qualidades ao Senhor e determine usá-las
para Ele hoje.
2) Quando você era pequeno alguém
perguntou: "O que você quer ser quando seja grande?" Como respondeu
então, comparado com o que responderia hoje? Ao crescer no Senhor, que deseja
ser, fazer, para Ele? Passe algum tempo em oração e depois prepare uma
declaração pessoal de missão na vida com a qual você pode servir e honrar a
Deus.
8. NADA MAIS QUE A VERDADE
Um coração sincero
• Busque o coração de Jesus
1) O cristão é uma testemunha.
a) Qual a diferença entre uma
testemunha no tribunal e uma testemunha por Cristo?
b) Sabemos que há uma pena por
perjúrio no tribunal. Há algum castigo para o cristão? Explique.
2) Jesus nunca mentiu, nem enganou,
nem esticou a verdade.
a) Como se compara sua medida com a
norma de Deus neste aspecto?
b) Você pensa que há uma diferença
entre as mentiras "regulares" e as "brancas"? Explique.
c) Uma vez que percebe que não tem
sido honesto, que faz a respeito? Depende do tamanho da mentira? Explique.
3) Deus aborrece tanto a mentira como
o adultério e o assalto com aleivosia.
a) Concorda com este ponto de vista?
Explique.
b) Como pode esforçar-se em pôr em
prática o código divino de honra? Que faz quando falha?
4) Deus sempre diz a verdade. A
Bíblia diz que Deus "não pode mentir".
a) Em que circunstâncias você se
sente mais tentado a mentir?
b) Os outros o consideram como uma
pessoa veraz? Diferiria sua própria avaliação da deles?
c) Como se sentiria em quanto a
mentir um pouco ou evadir a verdade para não ferir os sentimentos de outrem?
5) Há ocasiões quando a verdade é
difícil.
a) Menciones algumas situações nas
quais nos sentimos mais cômodos com a mentira que com a verdade.
b) Como é possível mentir sem usar
palavras?
c) Sabemos que há conseqüências por
mentir. Você foi flagrado alguma vez numa mentira? Que aconteceu? Como se
sentiu? Que aprendeu dessas conseqüências?
• Examine a mente de Jesus
1) Leia Efésios 4:17-32. Paulo
admoesta seus leitores a livrar-se de uma forma anterior de vida e mostrar uma
"nova atitude mental".
a) Já que os cristãos são membros de
um corpo,
b) Como pode você ser embusteiro
consigo mesmo?
c) Você concorda que se deve colocar
a mentira na mesma categoria da ira, o roubo, o vocabulário soez, etc.? Você
coloca os pecados em "níveis", considerando alguns piores que outros?
Explique.
2) Dedique tempo ao Salmo 101.
a) O que você faz quando outro
"murmura do seu próximo às escondidas"?
b) Com que classe de companhias você
anda? Tolera você os mentirosos?
3) Tito 1.2 e 2 Timóteo 2:13 nos
lembram que sempre podemos crer a Deus.
a) Como deve afetar esta verdade
nossas vidas diárias? As afeta? Explique.
b) Quais das promessas de Deus são as
mais preciosas para você? por quê?
c) Quando você promete algo, pode-se
confiar em você? explique.
4) Pense na história de Ananias e
Safira que está em Atos 5.
a) Em sua opinião, por que esse
matrimônio mentiu a respeito do preço do terreno? Por que não disseram a Pedro
que estavam dando somente uma porção do que tinham recebido?
b) Você acredita que Ananias e Safira
pensaram que seriam pegos? Por que sim ou por que não?
c) Que aspecto da mentira encolerizou
a Pedro?
d) Como se sente a respeito do severo
castigo divino? Como teria sido afetado o testemunho de Cristo ante a
comunidade se eles não tivessem sido julgados desse modo? Que aconteceu com as
testemunhas da igreja depois de sua morte?
• Seja as mãos de Jesus
1) Numa concordância busque as
palavras mentira, mentiras e mentir. Depois busque
palavras tais como verdade e sinceridade. Em sua opinião, como
corresponde o número de vezes que aparecem estas palavras com a preocupação de
Deus sobre este assunto?
2) De um dos versículos indicados
acima, faça seu um. Escreva-o no interior da portada de sua Bíblia. Repita-o
todos os dias. Peça a Deus que o ajude a ser mais como Ele neste aspecto da
veracidade.
9. A ESTUFA DA MENTE
Um coração puro
• Busque o coração de Jesus
1) Como você pode manejar seu coração
"como uma estufa"? como pode permitir que a analogia seja pessoal?
a) Que tipo de "sementes"
está permitindo que cresçam?
b) Que más ervas você vê? Como pode
evitar que continuem prosperando? De que modo algumas vezes sufocam as flores?
c) Se classificaria a você mesmo em
geral como otimista ou pessimista? Explique. De que modo seu otimismo ou
pessimismo afeta os que o rodeiam?
2) Deveria haver uma sentinela nas
portas de nossos corações.
a) Aonde vão seus pensamentos em
geral quando lhes permite andar a deriva?
b) Como pode reconhecer imediatamente
os "pensamentos errados"? como poderia fazê-lo mais facilmente?
3) Necessitamos submeter nossos
pensamentos à autoridade de Jesus.
a) Se seus pensamentos fossem
escritos num papel e fossem submetidos a Cristo antes de que você os pensasse,
quantos deles figurariam "em vermelho"? você se surpreenderia, ou
saberia os resultados de antemão?
b) Se seus pensamentos fossem
anunciados aos que rodeiam você, você passaria vergonha? Ficaria desiludido?
Triste? Ofendido? Surpreendido?
4) A Bíblia é a "lista de
verificação" de nossos pensamentos questionáveis.
a) Em seu estudos das Escrituras, que
validação pode achar para um complexo de inferioridade? Um espírito orgulhoso?
Arrogante? Desejos sexuais impuros?
b) Algumas pessoas pensam que a
Bíblia é nada mais que um livro de proibições cujo objeto é esmagar a liberdade
do espírito. Que nos acontece quando seguimos nosso próprio "espírito
livre" em vez de seguirmos a Palavra de Deus?
• Examine a mente de Jesus
1) Em 1 Pedro 5:8-9 se compara o
diabo com um "leão rugidor".
a) Em que circunstâncias com maior
freqüência se sente "devorado" em quanto a seus pensamentos?
b) Como pode apresentar boa
resistência ao diabo? Como pode aumentar seu nível de domínio próprio e
vigilância?
2) Leia Gálatas 6:7-10.
a) Deus reconhece que nos cansamos de
nossas lutas contra o pecado (versículo 9). Uma vez que você percebe sua
necessidade de manter sob controle seus pensamentos (plantar as sementes
apropriadas), o que faz se se sentir tentando a ceder à fadiga espiritual?
b) Quais são os benefícios que podem-se
colher ao ter centrados em Deus nossos pensamentos?
3) Provérbios 4:20-23 nos admoesta a
prestarmos muita atenção ao que Deus nos diz.
a) Devemos guardar suas palavras não
só em nossa vista senão também em nossos corações. Qual a diferença entre estas
duas idéias?
b) O coração é comparado com um
"manancial" de vida. Busque num dicionário a palavra
"manancial". A seu juízo, por que se usa esta palavra no versículo
23?
c) Você conhece a expressão
"Você é o que come". Acredita que também é o que pensa? Dê alguns
exemplos.
4) Em 2 Coríntios 10:3-5 Paulo nos
lembra que ainda quando vivemos no mundo, não devemos ser parte dele (versículo
3). Reconhece que a vida é uma luta e nos lembra que nos foi dado o "poder
divino" (versículo 4) para ajudar-nos a ganhar a batalha.
a) O versículo 5 nos diz para
"levarmos cativos" nossos pensamentos, sujeitando-os à obediência a
Cristo. Como podemos fazer isto? Que devemos fazer com estes pensamentos, uma
vez que os capturamos?
b) Como pode você dizer
"não" a seus pensamentos errados, impuros e ímpios, e recusar
dar-lhes entrada? De que maneira pode ser isto como uma batalha?
• Seja as mãos de Jesus
1) Pense por um momento num lote de
terreno fértil. Há mais trabalho na tarefa de plantar ou de eliminar as más
ervas? Que acontece se descuidar isto último? Que mercado existe para a venda
de ervas daninhas? Semearia alguém ervas más de propósito? Traduza essas
perguntas à prática para fazer uma avaliação de seus pensamentos. Decida hoje
semear rosas e, com a ajuda de Deus, manter sob controle os espinhos.
2) Semeie uma semente, literalmente.
Use boa terra. Assegure-se de que recebe a quantidade apropriada de água e de
sol. Coloque-a onde você possa vê-la. Observe-a crescer. Considere-a como uma
expressão externa do que você está fazendo por dentro na horta de seu coração.
10. ENCONTRE OURO NO LIXO
Um coração cheio de esperança
• Busque o coração de Jesus
1) Como você vê o "lixo"
que sai a seu encontro?
a) Você pensa que temos mais
problemas e aflições, ou menos, que a pessoa média? Explique.
b) Qual é a próxima "coisa
má" que você suspeita pode estar espreitando você na volta da esquina?
c) Por que pensa que nos aferramos à
dor e ao sofrimento em vez de olhar e procurar o lado bom em nossos problemas?
2) Nosso modo de ver a vida determina
a maneira em que a vivemos.
a) O ditado diz: "Quando a vida
dá limões, faça limonada". Você tem feito "limonada" com as
circunstâncias de sua vida?
b) Descreva alguém que você sabe que
é bom para isso. Como se sente quando está perto desta pessoa? Que pode fazer
para aprender dele ou dela?
3) Necessitamos ver nossos problemas
como Jesus os vê.
a) Analise o que você sente a
respeito de orações não respondidas, sonhos falidos ou traições incríveis. São
recentes ou você andou aferrando-se por longo tempo à dor resultante? Explique.
b) Como pode ver estas coisas como as
vê Jesus?
4) Jesus achou bem no mal, propósito
na dor.
a) Você pensa que isto é realmente
possível em toda situação? Explique. O que diria a alguém que pensa que esta é
uma perspectiva de otimismo em quanto à vida?
b) Descreva uma ocasião quando você
encontrou bem no mal, propósito na dor. Teve esta atitude enquanto atravessava
a dificuldade ou descobriu essas noções depois? Explique.
5) Jesus pode mudar a maneira em que
você vê a vida.
a) De que modo com freqüência
subestimamos o poder de Deus?
b) Como mudaria sua vida se
consistentemente acreditasse que o poder de Deus é o mesmo hoje como o foi nos
dias de Eliseu?
• Examine a mente de Jesus
1) Romanos 12:9-16 nos diz que os problemas
são parte da vida de todos; ninguém está isento.
a) Como devemos responder ao mal?
Como devemos comportar-nos quando estamos aflitos? Como é isto possível?
b) Por que nos permite Deus que
atravessemos estes problemas? Em sua opinião, o que se ganha com eles?
c) Você espera achar algum dia o
propósito de Deus em seu sofrimento? Que tal se nunca o achar?
2) Compare sua visão espiritual com a
que se descreve em Mateus 6:22-23.
A) Descreva alguém que você conheça
que prefira viver nas trevas antes que na luz. Desfruta estando com essa
pessoa? Explique.
B) Qual é a opinião de Deus ao
respeito?
3) Leia a respeito da traição a
Jesus, em Mateus 26:46-52.
A) Inclusive depois de que Judas o
traiu, Jesus o chamou "amigo". Você tem-se sentido alguma vez traído
por algum "amigo". Se for assim, esta pessoa ainda é seu amigo?
Explique.
B) No que foi denominado de justa
indignação, um dos companheiros de Jesus cortou a orelha do servo do sumo
sacerdote. Lucas menciona que Jesus respondeu com um toque curador. Como podemos
responder desse modo quando nos ferem? Que nos impede responder desse modo?
4)Em Mateus 26:53 Jesus lembra à
turba que veio prendê-lo que podia ser livrado de suas garras de imediato, se
assim o desejar.
a) De que maneira podem suas
situações difíceis serem mais fáceis de manejar ao saber que Deus pode tirá-lo
delas se escolher fazê-lo? podem ser estas situações mais difíceis ao saber
disto? Explique.
b) Como pode você responder quando
Deus escolhe não mudar suas circunstâncias? Continua acreditando que Deus está
presente no problema? Explique.
• Seja as mãos de Jesus
1) Peça emprestados os óculos de uma
pessoa que tenha agudos problemas de visão. Coloque-as. Olha uma árvore, uma
flor, a cara da pessoa mais perto. Agora olhe os mesmos objetos com sua visão
normal (com ou sem óculos). Qual a diferença? Viu as coisas distorcidas a
primeira vez? Estavam difusas? É muito mais fácil ver todos os detalhes quando
se vê da maneira correta, verdade? Quando se vê com os olhos perfeitos de Deus,
que todo o vêem, todo o que nos acontece ganha sentido.
2) Pense em seus amigos,
especialmente em alguma amizade que se desfez. Machucou-lhe essa pessoa,
traindo-o de modo que ainda dói ao pensar? Peça ao Senhor que amoleça o coração
para perdoá-lo. entregue a Deus seu rancor e peça que cure suas feridas.
Proponha-se orar por seu amigo, dizendo seu nome regularmente e buscando
maneiras de começar o processo de restauração.
11. QUANDO O CÉU CELEBRA
Um coração que se regozija
• Busque o coração de Jesus
1) Jesus sabe da "festa"!
a) De que festa se trata? Você está
seguro de que irá a ela? Como sabe?
b) Que fez Deus para assegurar-se de
que você não perderá a festa? Que situações usou? Que pessoas estiveram
implicadas?
2) Jesus é mais feliz quando se acha
o perdido.
a) Descreva uma situação quando você
se separou de um de seus pais, se "perdeu" numa loja ou numa praia
quando pequeno. Que sentiu no momento em que descobriu que estava sozinho?
Pânico? Medo?
b) O que você pensa que seus pais
pensaram enquanto procuravam por você? houve alegria quando o encontraram? Se
for assim, descreva.
c) Compare este incidente com o modo
em que Deus deve sentir-se quando um pecador se arrepende e vem a Cristo.
3) Quando você chegue à
"festa", será como Jesus. todo mundo presente também será.
a) Que aspectos do caráter de Jesus
são os que mais deseja para você mesmo?
b) Que aspectos de seu caráter são os
que apreciaria mas em outros?
c) Como pode amar a essas outras
pessoas agora mesmo, enquanto todos estamos ainda preparando-nos?
4) Jesus se regozija porque somos
salvos do inferno.
a) Descreva o que sabe a respeito do
inferno. Você acredita que é um lugar real? Por que sim ou por que não? Leia
algumas porções bíblicas a respeito.
b) Como se regozija você por estar no
caminho ao céu? Agradece por não ter ido ao inferno? Explique.
5) Você pode ter a divina noção
eterna do mundo.
a) Quais as coisas que você considera
prezadas em seu coração tornam-se insignificantes quando capta a divina noção
eterna do mundo?
b) Se este ponto de vista dominasse
seu pensamento, que diferença haveria na forma em que gasta seu tempo?
c) Quando você capta esta noção, que
acontece com o modo em que vê as pessoas?
• Examine a mente de Jesus
1) Os Salmos são um grande lugar para
o louvor. Leia o Salmo 96, prestando atenção especial aos versículos 1 e 2.
a) Que quer dizer que "toda a
terra" deve cantar? Por que cânticos?
b) Como e quão freqüentemente louva
você a Deus pela sua própria salvação? Como responde às histórias de salvação
de outras pessoas?
2) Leia as três parábolas que Jesus
relatou em Lucas 15.
1) Muito tempo e esforço foi
investido buscando a moeda e a ovelha perdida. Que diz isso a respeito do valor
que o perdido tinha para seus donos?
b) Quando se encontrou o perdido se
chamou os amigos e vizinhos para que se alegrassem também. Por quê?
c) O filho mais velho na terceira
história ressentiu-se pela festa que foi feita para o irmão pródigo; não
considerou a seu irmão merecedor da atenção. Você sente que alguém é
"demasiado malvado" como para ser salvo, e que não se deveria admitir
na "festa" que haverá no céu? Explique. Sem a graça de Deus,
mereceria você estar nela?
3) Lucas 15:10 fala do valor de uma
única pessoa para Deus.
a) Que deveria este versículo fazer
com nossos sentimentos de indignidade?
b) Como deveria este versículo
influenciar seu desejo de falar a outros da salvação que está disponível em
Cristo? Sorte este efeito em você? explique.
4) Em Mateus 22:13 se descreve o
inferno como um lugar "fora", em trevas, onde haverá "pranto e
ranger de dentes", e sem saída.
a) Se isto for verdade, então, por
que as pessoas falam com tanta leviandade a respeito deste lugar?
b) Você pensa que é importante
ressaltar os horrores do inferno ante os incrédulos? Explique.
5) 2 Coríntios 5:11-16 fala de uma
necessidade obrigatória de falar a outros do grande presente da salvação em
Cristo.
a) É seu principal propósito na vida
trazer a outros à "festa"? quantas pessoas você levou a Cristo até
hoje?
b) Pense em alguém que conhece e que
necessita do Senhor. Como poderia você ser usado para levar esta pessoa a
Cristo? Está você pedindo a Deus que lhe dê um novo coração de amor para ela?
Se não for assim, por quê?
• Seja as mãos de Jesus
1) usando uma concordância ou outro
recurso de estudo, estude as Escrituras e prepare uma lista de todas as bênçãos
do céu. Na frente da mesma página escreva todos os horrores do inferno. Depois
louve a Deus por tê-lo abençoado com as coisas da primeira lista e tê-lo
resgatado das da segunda.
a) Folheie seu hinário favorito.
Procure os hinos que tem a ver com o céu. Cante um agora mesmo!
12. TERMINE COM FORÇA
Um coração que resiste
• Busque o coração de Jesus
1) Aprenda a terminar as coisas
apropriadas.
a) Quanto tempo gasta você em coisas
não essenciais?
b) Como determinar o que não é
essencial?
2) Terminar com força na corrida
cristã exige esforço massivo.
a) No princípio de sua relação com
Cristo, foram suas expectativas da vida cristã diferentes do que em realidade
experimentou? Se for assim, explique.
b) Você pensa que os cristãos algumas
vezes pintam "demasiado cor-de-rosa" o que será a vida depois de
experimentar a salvação? Descreva alguns exemplos.
c) Diria às pessoas que você é um
crente mais forte hoje que ontem? Por que sim ou por que não?
d) Quais têm sido seus gozos primordiais
como cristão? Suas dificuldades?
3) Ao enfocar o prêmio que Jesus
tinha na frente, teve a força para suportar a vergonha do mundo inteiro.
a) Que significa enfocar-se. Quão
enfocado você está?
b) Quais coisas se interpõem com
maior freqüência num enfoque preciso? Como você pode lidar mais eficazmente com
estas coisas? Que impede você de resolvê-las?
4) Jesus olhava além do horizonte,
viu a mesa aprontada perante Ele, e enfocou seu olhar na festa.
a) Se você pudesse ter sua própria
festa agora mesmo, que haveria em sua mesa? Quem seriam os convidados?
b) Como pensa você que será a
"festa celestial"?
• Examine a mente
de Jesus
1) Dedique algum tempo para meditar
em Efésios 1:15-23.
a) No versículo 18 Paulo ora para que
os olhos de nossos corações (entendimento) sejam "iluminados". Por
que você pensa que diz isso? Que coisas têm estado diretamente ante seus olhos
e você ainda não viu?
b) Descreva uma herança que tenha
recebido você mesmo ou algum bom amigo. Tente descrever as "riquezas em
glória" que serão herança do cristão.
c) Quanto da "operação do poder
de sua força" (versículo 19) você tem experimentado? Descreva suas
experiências. Que mais falta por experimentar?
2) Em Hebreus 12 se fala detidamente
a respeito da corrida cristã.
a) Por que Paulo chama a vida cristã
de "corrida" * em vez
de uma caminhada, um trote, ou alguma outra atividade?
b) Que coisas incomodam você para
correr eficazmente? Conhece alguém que abandonou a corrida? Se for assim, por
que aconteceu?
c) Como podemos continuar olhando com
gozo o fim? Como é que algumas vezes perdemos de vista a meta?
d) Por que você está correndo? Como
você pode vencer a urgência de deter-se, descansar e tomar as coisas com calma?
3) Em Lucas 4:1-13 se descreve a
tentação de Jesus por quarenta dias.
a) Jesus não comeu nada durante esse
tempo de tentação e naturalmente teve fome. quando você está sob estresse
físico, é mais fácil concentrar-se espiritualmente? Explique. Que faz você para
compensar?
b) Cada vez que o diabo trata de
pegar a Jesus, Ele responde usando corretamente as Escrituras. como pode este
exemplo ajudar você em seus conflitos pessoais? Que estratégias pode adotar?
c) O diabo tentou que Jesus retirasse
seus olhos do Pai, que duvidasse do amor e interesse que Ele sabia que havia.
Como usa Satanás as mesmas táticas conosco? Como podemos responder? Como tem
respondido você no passado a tais ataques? Que aconteceu?
4) Leia a parábola dos talentos em
Mateus 25:14-30.
a) Que "talentos"
específicos lhe foram confiados? Mencione eles.
b) Você pensa que o homem que recebeu
cinco talentos tinha mais responsabilidade que o que tinha dois ou que o que
tinha um? Por que sim e por que não? Se acreditar que você tem um único
talento, passa seu tempo anelando que Deus tivesse lhe dado cinco em seu lugar?
Explique. Como está usando o que tem?
c) Já que o servo que recebeu um
talento sabia como era seu patrão e o que devia esperar a seu regresso, por que
você acha que descuidou seu dever? Fazemos nós o mesmo? Explique.
d) Compare a resposta que o amo deu ao
servo que recebeu mais com a do servo que recebeu menos. Em que lugar você se
colocaria mais facilmente? Por quê?
e) Se você chegar ao fim de sua corrida
como cristão neste mesmo momento, esperaria ouvir de seu Mestre as palavras do
versículo 23? Explique.
• Seja as mãos de
Jesus
1) se não tiver limitações físicas,
desafie-se você mesmo a uma corrida. Fixe uma meta; digamos, até a casa na
esquina oposta, e comece a correr. Quando fique sem respiração, ofegue. Quando
queira abandonar a corrida, não se detenha. Obrigue-se a terminá-la. Recompense
você mesmo ao voltar em casa; trata de ficar a sós por um tempo com um bom
livro. Depois faça a analogia entre seu exercício físico e a corrida da qual
estamos falando. Que aprendeu?
2) Faça um inventário dos projetos
que tem entre mãos, as coisas que ocupam a maior parte de seu tempo. A quem ou
a que beneficiariam? Que aconteceria se parar de fazê-las? Peneire e filtre.
Resolva incluir somente as coisas que se aproximam para sua meta.
FIM
[11] Ibid.
* Na
tradução em português, as palavras são diferentes, como mostradas nos exemplos,
mas o significado é o mesmo: estar cheio de gozo. (Nota de revisão final).
[21]
Charles Spurgeon, sermão titulado "A simpatia de dois mundos", citado
em John MacArthur, The Glory of Heaven [A glória do céu], Crossway
Books, Wheaton, IL, 1996, p. 246.