E-book digitalizado por: Samuel Cardoso Espindola
Com exclusividade para:
UM ESTUDO SOBRE A "BASE DA LOCALIDADE"
Antes de iniciar esta exposição,
convém assinalar que não tem ela nenhuma ligação com ataques que vêm
sendo desencadeados contra as "igrejas locais", feitos por pessoas mal-informadas, que ignoram que nelas se encontram cristãos sinceros, genuínos e bem intencionados.
Este texto foi escrito com a finalidade de auxiliar aqueles
que estejam interessados em investigar a doutrina conhecida
como "base da localidade",
à luz das Escrituras. Sua
intenção não é a de atacar
ninguém mas, sim, discorrer acerca das controvérsias existentes. Há muitas pessoas hoje, dentro e fora das "igrejas
locais", que estão, sinceramente, questionando a validade desse ensinamento. Por essa razão, procuramos responder às dúvidas mais importantes que surgem a seu respeito.
Já que não se
pretende estudar o assunto
com profundidade, é possível que existam outros aspectos relacionados a essa doutrina, que este texto não irá abranger. Existem, além disso, outros dados ligados às práticas e aos ensinamentos das "igrejas locais", já tratados em outras obras literárias cristãs e que, portanto, não serão aqui discutidos. Com todas essas
limitações, esperamos que esta análise possa ser esclarecedora.
A BASE
DA IGREJA
Nestes últimos tempos, muitos cristãos estão
voltando sua atenção para
o tema da unidade, e é inevitável que surjam muitas
idéias e ensinamentos a esse respeito.
Entre os que teceram
algum comentário
sobre a questão,
se consideram seus sucessores. Em sua
opinião, a situação atual do cristianismo é um problema muito sério: os membros do Corpo de Cristo se encontram
isolados uns dos outros e divididos em muitos arraiais diferentes. Para solucionar esse dilema, apresentaram a idéia
doutrinária básica conhecida como "base da localidade". Apesar de existirem
sérias dúvidas a respeito da autoria do .livro
"Palestras Adicionais Sobre a
Vida da Igreja" (se integralmente escrito por Watchman
Nee) , e também se ele próprio concordou com todas as colocações
dos que se “autodenominam”
seus legítimos sucessores no uso
e aplicação dessa doutrina (não
iremos, aqui, discorrer sobre isso),
admitiremos que o livro seria hoje
totalmente confirmado por ele
e que todos seriam concordes em todos os aspectos. Embora reconheçamos que Watchman
Nee tenha sido um dos grandes
mestres que a Igreja já teve, seria um erro considerá-lo um
porta-voz infalível da Palavra de Deus.
Não podemos permitir
que sua percepção espiritual, sua eloqüência e capacidade
de persuasão nos fascinem
a ponto de nos fazerem esquecer a
advertência de Provérbios 14:15 : "O simples dá crédito a. toda. palavra, mais o prudente atenta para os seus passos ". Se o
próprio Tiago admitiu,
com humildade, no capitulo terceiro
de sua epístola,
que, ao exercer
a função de mestre, tropeçava "em muitas coisas. ", seria u
ma temeridade imaginarmos que certos mestres
nunca se enganariam nem errariam doutrinariamente . "Julgai
todas as coisas, retendo o que é bom"
foi o conselho deixado para todos os cristãos pelo apóstolo Paulo
( l Ts 5:21) .
Deus entendeu
ser de grande valor deixar registrado
em Sua Palavra
que os cristãos
de Beréia foram "mais nobres que os de Tessalônica", por haverem examinado "as Escrituras todos os dias para ver- se as coisas" que Paulo e Silas diziam "eram de fato assim" (At 17:10,11).
Examinar-se-á, portanto, num
resumo claro, em que consiste a concepção desses cristãos.
Seus ensinamentos, em suma, consistem em que todos os verdadeiros
cristãos numa cidade constituem a igreja local naquele lugar. À
primeira vista, isso parece irresistível;
contudo a "base da localidade", como idéia, vai muito
além, a ponto de afirmar que somente os que se reúnem sob a
bandeira de serem "a igreja numa cidade"
é que estão se reunindo na forma correta. Acreditam ser os únicos cristãos reconhecidos por
Deus como a igreja naquela cidade, em termos de expressão prática. As demais reuniões cristãs não poderiam ser consideradas a igreja, sob o ponto de vista experimental, sendo, assim, acusadas de facciosas. Os que se apegam a esse ensinamento entendem que estão
"se posicionando
sobre a base da localidade".
Outros nomes utilizados são:
"a base da unidade" e
"a base local". Os adeptos
dessa doutrina levam, portanto,
o nome de "igreja
local".
Os principais versículos usados
pelas "igrejas locais" com o objetivo de
sustentar a doutrina da localidade são encontrados nas epístolas,
em Atos e em Apocalipse, onde
os escritores destes se dirigem ou se referem à "igreja numa determinada cidade ". (cf. At
11:22 ; 14:23 e Tt l : 5 ; Rm
16:1; l Co 1:2 ; 2 Co 1:1 ; l
Ts 1:1; 2 Ts l:1; Ap 2: l,8, 12,18; 3:1, 7 e 14 ). Watchman Nee supôs que esses
versículos estabelecem um padrão bíblico para a
igreja, a que todos devem aderir, para que as reuniões
sejam genuínas. Ensina que a Bíblia, ao falar da igreja
( não da Igreja universal), associa-a sempre a urna
cidade ou localidade. O "tamanho" da igreja, dizem, deve
ser determinado pelo limite da própria cidade. Essa maneira de ver tornou-se
a fórmula proposta pelas "igrejas locais" para se obter a unidade entre os cristãos: crêem que, se todos os cristãos acatassem esse sistema
"ordenado por Deus" para as
reuniões da igreja, todos os problemas
relativos à desunião estariam
resolvidos. Acreditam que, se todos os cristãos
baseassem sua comunhão somente no fato de viverem na mesma
cidade, teriam a unidade
como resultado inevitável.
Pregam que cada filho
de Deus, que
O busca sinceramente,
deveria enxergar esse ponto de
vista como o caminho
de Deus e andar
nele, a fim de
"restaurar" a verdadeira vida
da igreja na Terra. Por outro lado, os que não
aceitam essa doutrina como modelo
para suas reuniões são rotulados
de sectários e, muitas
vezes, considerados cristãos de segunda
categoria. Passemos,
agora, a uma análise mais
franca e crítica desse ensinamento. Primeiramente, devemos
proclamar em alto e bom som que a unidade é, sem dúvida, um
princípio bíblico. A unidade intrínseca
da igreja em
cada cidade é
um mandamento divino.
A verdadeira igreja
local realmente existe
e deveria ser uma realidade; ou seja,
desde que todos
os cristãos, numa
determinada cidade, são integrantes da mesma
igreja, devem viver em harmonia. Os
versículos utilizados pelas
"igrejas locais"
certamente falam dessa entidade. A
unidade é imprescindível
na atualidade, não resta
a menor dúvida. A unidade na família de Deus
deveria ser a experiência de todos nós.
O problema, entretanto,
surge quando nos transportamos do conceito de igreja local para a idéia de "base local".
A doutrina da "base da localidade" não é encontrada, especificamente, em nenhuma passagem da Bíblia . Teve como
fonte
vários trechos das Escrituras. Esse aspecto é de vital
importância, pois todas as
demais doutrinas bíblicas essenciais acham-se claramente expostas, de tal modo que até as pessoas mais simples possam lê-las
e compreendê-las. O arrependimento, o novo nascimento, o batismo, e tantos outros, são exemplos marcantes da
transparência e simplicidade com que Deus revela Sua vontade básica ao homem. Seu propósito para a igreja deveria ser-nos, igualmente, de fácil compreensão.
Existe, é certo, um grande abismo entre a realidade da
verdadeira
igreja local e a idéia de base da localidade. Os defensores
desse ensinamento, contudo, ousaram transpor esse enorme
desfiladeiro de um modo extremamente simplista. Tão simplista,
que os menos avisados não perceberão que o abismo ainda persiste.
Nenhum versículo
bíblico jamais mencionou o termo "base da localidade";
nenhuma passagem das Escrituras sequer insinua tal
coisa. Apesar de lermos dezenas de versículos a indicar a
existência da igreja local, não se vislumbra, em momento algum, a menor
tentativa de sugerir que tal realidade devesse tornar-se uma base
para reunião.
Antes, somos sempre conduzidos a Cristo como nosso único ponto
de partida para todas
as coisas, até mesmo a igreja.
Além da fé Nele mesmo, nunca
vemos Jesus lançando qualquer outro fundamento aos Seus
seguidores. Nenhum pré--requisito foi jamais imposto por
Ele . Embora certas experiências fossem conseqüência dessa
fé tais como a vitória sobre
o diabo ou a libertação do pecado
nunca chegaram a tornar-se qualquer tipo de "base". A base da localidade deveria
obedecer a esse mesmo princípio: se seguirmos a Cristo
de maneira correta, seremos "um" com todos os de Sua
família. Todavia jamais lemos que Ele tenha estabelecido
essa unidade como uma espécie de base ou fundamento.
A revelação de Sua igreja, sim, é nitidamente percebida
na Bíblia; mas não encontramos sequer um único versículo
que mencione a idéia ou expressão "base da localidade".
“UM OUTRO"
FUNDAMENTO
Além de a doutrina da "localidade"
não ser um princípio encontrado nas Escrituras, ela se afigura
flagrantemente
antibíblica por se arremeter diretamente
contra o
ensino manifesto da Palavra. Examinemos, para tanto, a palavra
"base". Watchman Nee
e as "igrejas locais" ensinam que existem duas
"bases" para a igreja.
Ambas são pressupostos
indispensáveis, afirmam, antes
que qualquer reunião possa ser considerada
genuína. A primeira delas
é a autoridade do Espírito Santo, isto é,
as reuniões cristãs devem estar abertas
e sujeitas à orientação do Espírito Santo. Caso contrário, sua
experiência não autorizará que sejam consideradas igrejas verdadeiras, sendo
antes, provavelmente, qualquer coisa comparável a reunião de clube ou a jogo
de futebol . Essa doutrina está melhor explicada no livro "Palestras
Adicionais Sobre a
Vida da Igreja", atribuído a Watchman Nee.
Dizer que a base da igreja é a
autoridade do Espírito Santo é, na verdade, o mesmo que
dizer que a base da igreja é Jesus Cristo. Vamos percorrer, passo a passo, as etapas
desse raciocínio. A autoridade do Espírito Santo, hoje, é a autoridade de Jesus Cristo. Isso
porque nossa experiência com Cristo,
na prática, se dá por meio do Espírito
Santo. Basear a igreja na autoridade de Jesus Cristo simplesmente
corresponde a baseá-la em Jesus Cristo. Experimentalmente,
asseverar que temos Jesus Cristo sem possuir Sua autoridade não
faz o
menor sentido. Temos, assim, a primeira
base: o fato de que a igreja está baseada sobre Jesus
Cristo, o que é plenamente aceitável.
Analisemos, agora, a segunda
base, que não é outra senão a base da "localidade", sobre a qual
temos falado. As "igrejas locais" ensinam que, para que sejam genuinamente igreja,
os cristãos devem se reunir como a igreja numa cidade.
Se não assumirem essa postura, não poderão tornar-se a verdadeira
igreja e nem parte dela, no sentido prático da palavra.
Pesquisemos, agora, esse conceito,
sem, contudo, esquecer que a frase "a base da
igreja" não se encontra na
Bíblia. Já que o termo exato não é
encontrado, temos que procurar
seu significado preciso, estabelecendo, assim,
se
essa expressão possui qualquer equivalente bíblico que
possamos utilizar . Temos, portanto, que descobrir o que realmente
se pretende dizer com a
palavra "base".
Obviamente o termo tem o
sentido de "fundação" ou "ponto de
partida". Em outras palavras, seria uma idéia em torno
da qual concordem todos os membros de um grupo em particular.
Nessa linha, uma "base" para qualquer grupo seria
"uma idéia comum sobre a qual sua organização está assentada".
Com relação à igreja,
essa definição seria o "ponto de
partida mais básico e fundamental para
a edificação da igreja".
Vejamos, agora, se existe qualquer
outra palavra usada na Bíblia, que poderia ter o mesmo significado. Encontramos,
em l Coríntios, um termo semelhante, que é a palavra fundamento. Todos concordarão em que esse vocábulo nos faz pensar em "fundação" ou "alicerce" e "ponto de partida". O Novo Dicionário da Língua Portuguesa, de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira fornece, entre outros, os seguintes significados para as palavras "fundamento" e "base":
"Fundamento: { do lat.
Fundamentu} S. m. 1. Base,
alicerce;
2. Razão ou argumento em que se funda uma tese, concepção,
ponto de vista, etc ; base apoio”
"Base: [do Gr. básis,
"planta do pé",
pelo Lat. base
] S. f.
1. Tudo quanto serve de fundamento,
apoio ou sustentáculo; 2.
Parte inferior onde
alguma coisa repousa ou se
apóia: base de um copo. 3. Suporte de figura esculpida ; pedestal . 6. Fig. Origem, Principio, fundamento”
Antes de avançarmos, é de grande
importância ficar assinalado que essas duas palavras significam exatamente a
mesma coisa no contexto aqui abordado.
Watchman Nee e o apóstolo Paulo,
ao usarem os termos “base” e “fundamento”, respectivamente, querem dizer a
mesma coisa, tratam do mesmo assunto. Ambos estão à procura de uma solução para
o mesmo problema: divisão na igreja. A Bíblia declara como todas as letras que,
“NINGUEM PODE LANÇAR OUTRO
FUNAMENTO, ALÉM DO QUE FOI POSTO, O QUAL
É JESUS CRISTO" (I Co 3:11).
Tal afirmativa, não há como
negar, quer significar que não existe nenhuma outra base, fundamento,
alicerce ou qualquer outra coisa que possa ser lançada, para que se
tenha a
experiência prática da igreja, a não ser o próprio Jesus
Cristo. Se lançarmos outro fundamento, sofreremos as conseqüências,
pois Deus expressamente o proibiu. Não podemos fugir da determinação divina
simplesmente mudando o modo de dizer as coisas, porquanto,
como se viu, o sentido das duas palavras ainda permanecerá
o mesmo.
Os precursores dessa doutrina
tentam contornar essa insuperável dificuldade, alegando
que Jesus Cristo de fato é o fundamento, mas que devemos lançá-Lo
sobre a "base" da localidade. Alguns, ao ouvirem essa idéia,
talvez não tenham parado para ponderar antes de aceitá-la.
Uma análise crítica da questão, entretanto, imediatamente
denunciará sua fragilidade. Tal concepção, de certo
modo, faz da "localidade" algo mais básico e
fundamental que
o próprio Cristo, ou, na melhor das hipóteses, constitui "outro
fundamento", que não deveríamos lançar.
A Bíblia é taxativa: NENHUM OUTRO! Vale dizer
que nenhum outro conceito, alicerce ou base
será permitido por Deus para a
edificação da igreja. Pouco importa
o fato de se dar a outro fundamento
maior ou menor ênfase do que a Jesus Cristo.
Se estabelecermos outra base ou
fundamento para nossa comunhão e reunião com outros cristãos, estaremos
desobedecendo a Deus.
Com efeito, o próprio Watchman Nee admitiu a
enorme diferença existente entre a primeira
e a segunda base, ao levar em conta a percepção interior daquele que se depara com
essa doutrina. Em "Palestras Adicionais Sobre a Vida da Igreja", ao introduzir a questão da base da "localidade",
ele diz: "Você sente algo de estranho?
É como se você estivesse numa queda livre de 3.000 metros, do céu até a
Terra?". "Passar da autoridade do Espírito Santo para o limite da
localidade assemelha-se a uma queda de 3.000 metros de altura - lá do céu até cá
em baixo na Terra" (traduzido
livremente do inglês). Conquanto ele
procure justificar-se, lançando mão
de um argumento referente ao lado prático,
a verdade é que não foi nem um pouco
convincente. Receamos que essa queda livre não tivesses sido dos céus
até a Terra, mas ao que tudo indica, do Espírito para a mente humana.
Existe, ainda, um outro
malabarismo semântico relativo
a l Co 3:11. Os estudiosos desse movimento sustentam
que, no grego, a palavra
"outro" significa outro "numericamente"',
e não outro "em espécie". Para eles isso demonstra
que é
possível lançar
um outro tipo de fundamento, mas não dois fundamentos idênticos.
Ora, não pode
haver qualquer dúvida a esse respeito, pois, se
não se pode
lançar dois fundamentos,
por certo não se
poderá lançar um
de outro gênero também.
Não nos deixemos seduzir por esse argumento! A Palavra
de Deus quer dizer simplesmente
o que está escrito: NENHUM
OUTRO. Da leitura
do contexto do capítulo extrai-se que ninguém estava tentando
lançar, em Corinto, um outro fundamento de Cristo.
O problema
é que alguns cristãos, naquela cidade, começaram a basear sua comunhão
"naquele que os levara ao Senhor" ou "naqueles que
os haviam batizado".
Seria conveniente pararmos um
instante para rememorar que esse versículo, l Co 3:11, e todo
o capítulo foram escritos com a
finalidade de cuidar do problema de
divisão na igreja. Ao apresentar sua
solução, o apóstolo Paulo não conclamou seus leitores a "se posicionarem
na base da localidade" .
Exortou-os, sim, a abandonar todos os demais pontos de convergência e a
se voltarem para Jesus Cristo. É exatamente isso o que nós, cristãos de hoje,
deveríamos fazer. Se nos apegarmos a Ele, e não a qualquer outra doutrina, base ou credo, tal atitude certamente irá curar o problema de divisão no Corpo de Cristo.
É o que está, também, amplamente
exposto nas epístolas de João; ou
seja, se mantivermos um
relacionamento correto com Deus,
também o manteremos com nossos
irmãos (l Jo 1:7).
Uma leitura atenta do capítulo
quinto de Gaiatas igualmente trará o convencimento de que a única
maneira, de
solucionar o problema da desunião consiste em nos voltarmos
para Jesus Cristo o único
fundamento.
As obras da carne, que impedem
a unidade, são conhecidas, e são "...inimizades,
porfias (discussões ou
contendas de palavras), ciúmes, iras, discórdia,
dissensões, facções...” O remédio receitado pelo apóstolo foi: "Andai
no Espírito (único fundamento) e jamais
satisfareis a concupiscência da carne :
jamais tereis inimizades, discussões de palavras, ciúmes, iras, discórdias,
dissensões e facções com os demais cristãos de
vossa cidade)" (Gl 5:19-20,16).
Um dos principais argumentos
que as "igrejas locais" adotam para defender a
doutrina da localidade está relacionado ao
aspecto da aplicação da teoria. Sustentam que uma igreja
edificada somente sobre Cristo é muito espiritual, havendo,
assim, a necessidade de um fundamento prático e terreno
(mental?). Segundo eles, isso se dá porque a igreja
não é só espiritual, mas física também; daí precisar de duas
"bases", uma para cada esfera. Essa opinião pode parecer
bastante atraente, mas, como vimos, não possui qualquer respaldo bíblico.
Jesus Cristo, em verdade,
é extremamente prático. Embora não consigamos vê-Lo, ainda assim
Ele é muito real, muito mais "real" do que você ou eu. Sua
pessoa, Sua orientação e o Seu falar estão sempre à disposição
de todos os que habitam no planeta. Isso é verdadeiro
na prática. Da mesma forma como Ele é suficiente para
cada um de nós individualmente, também o é coletivamente.
Se Sua supremacia
tem utilidade para você e para mim, por certo também
terá para o Seu Corpo. Não necessitamos forjar qualquer
tipo de cola doutrinária exterior para tentar manter unido o Corpo
de Cristo.
O próprio Jesus Cristo não foi
além disso. Ao lermos o capítulo 17 do evangelho de João,
verificamos que a solução apresentada por Ele para resolver
o problema de divisão entre os cristãos se relaciona à Sua
pessoa em nós. À luz do contexto daquela oração, concluímos que, quando permitirmos
que Jesus Cristo - o único fundamento - transmita Sua
glória a todos nós, naturalmente nos tornaremos "um"
com os demais cristãos de nossa cidade. Somente seremos aperfeiçoados
na unidade quando Ele obtiver nosso consentimento para
estar em nós plenamente. Só então o mundo conhecerá que o
Pai O enviou e que nos amou como também O
amou.
"... guarda-os em Teu nome. .
.para que eles sejam um, assim como
nós"
(Jo 17:11) .
"A fim de que todos sejam um ;
e como és Tu, ó Pai, em mim e eu em Ti,
também sejam eles em nós, para que o mundo creia que Tu me enviaste" (Jo 17:21).
"Eu Lhes tenho transmiti -do a
glória . . . para que sejam um" (Jo 17:22).
"Eu neles
... a fim de que sejam aperfeiçoados na
unidade" (Jo 17:23).
Vemos, portanto, que "todos
somos um" quando estamos "em
Cristo Jesus" (Gl 3:28). A unidade que pretendemos preservar
é algo que antes brota "do Espirito" (Ef
4:3). É a falta desse Espírito que
nos leva
a provocar divisões. "São estes os que promovem divisões...não
têm o Espírito" (Jd 19).
O FUNDAMENTO CORRETO
Consideremos, agora, a questão
da base adequada para reuniões. A mulher samaritana (Jo 4)
perguntou a Jesus acerca do local adequado para adoração.
Sua perplexidade estava em não saber onde deveria
adorar: se naquele "monte", ou em "Jerusalém".
Intimamente,
o que ela estava indagando era: "qual o lugar certo
em que devemos estar? qual a posição correta que devemos
assumir? qual o ensinamento infalível que devemos
seguir, para que sejamos aceitos por Deus?" A resposta
de Jesus é reveladora: "... os
verdadeiros adoradoras adorarão o Pai em espírito
e em verdade" (Jo 4:21,23). Isso significa que não existe nenhum posicionamento exterior,
físico ou doutrinário
que nos faça aceitáveis
diante de Deus, pois a
solução reside em estarmos "em espírito e em verdade". Assim, o que precisamos fazer é experimentar a realidade de Jesus Cristo no espírito. Caso contrário, não estaremos adorando a
Deus de forma genuína. É
até possível que grupos
cristãos estejam "certos"
doutrinariamente, mas, ao
mesmo tempo, longe de Cristo.
A situação será ainda mais
deplorável, se estivermos errados
doutrinariamente e, também, afastados Dele.
Levando em consideração esse
versículo, deveria ficar claro que não existe nenhum "posicionamento"
para as reuniões cristãs que Deus honre, além do próprio
Jesus Cristo. Ele sempre observa nossos corações. Se tivermos nosso interior voltado para Ele de uma forma sincera, Ele nos abençoará abundantemente (2 Tm 2:22). Caso contrário, jamais haverá qualquer pretensa "exatidão bíblica" que remedeie o problema. A propósito, os versículos acima analisados fulminam, igualmente, a idéia das "igrejas locais" de que a "base da localidade", no Novo Testamento, corresponde à Jerusalém do Antigo Testamento, que era o único lugar designado por Deus para adoração. Essa analogia é inadmissível, pois hoje temos a Nova Jerusalém, que nada mais é do que a experiência genuína da unidade no Espírito.
Embora as Escrituras não usem o termo
"base da igreja" especificamente, em realidade mencionam
dois tipos distintos de base: rocha e areia (Mt
7:24-27); aconselham-nos elas a
edificar sobre a rocha e a evitar a areia. A rocha, por óbvio,
é o próprio Jesus Cristo. Ao obedecermos a Suas palavras,
estamos edificando sobre Ele. O que seria, então, a
areia? Seria qualquer outra coisa que tentássemos utilizar como
nossa base, fundamento ou ponto de partida. Em outras palavras,
qualquer coisa, além de Jesus Cristo. Por estarmos construindo
uma casa espiritual, precisamos de um fundamento
espiritual; e Deus já proveu todo o necessário em Seu
Filho. Convém raciocinarmos que, desde que Ele é Deus encarnado,
está apto a ser a base adequada para a
vida prática da igreja. Quando estamos
verdadeiramente Nele, não temos
qualquer outra necessidade.
Há outra passagem que merece
destaque (Mt 16:18). Jesus disse: "...sobre esta pedra
edificarei a minha igreja". Tal
declaração foi feita em resposta à confissão de
Pedro de que Jesus era o Cristo, o Filho de Deus. Essa
confissão tem sido um ponto de convergência da igreja
cristã, ao longo dos séculos. Sobre Ele todos podem
ser unânimes e, sobre Ele, somente Ele, todos deveríamos
estar edificando. É por meio da nossa fé Nele que
somos feitos membros da igreja; e é, também, por meio
dessa mesma fé que estamos vivendo e trabalhando na igreja.
Jesus Cristo é a base da
igreja. Ele é o único fundamento instituído por Deus.
Posicionemo-nos Nele e entreguemo-nos a Ele para a edificação da igreja. Nas palavras de um conhecido hino, "sobre Cristo, a Rocha sólida, eu me firmo; todos os outros solos não passam de areia movediça; não passam de areia movediça".
Depois de enxergarmos que
Jesus Cristo é a única base da igreja, sejamos
cautelosos para não nos dividirmos de outros cristãos
que tenham outra opinião. Em l Co 1: 12, certos cristãos incorreram nesse
erro ao
dizerem que eram "de Cristo".
Supunham
que, por terem compreendido qual era a base correta
para comunhão, não poderiam associar-se aos demais que não eram tão
"iluminados". Muitos cristãos, ainda hoje,
sofrem de um problema semelhante, pois, ao terem seus olhos
abertos para alguma verdade, passam a usá-la da maneira
incorreta. Que Deus tenha misericórdia de nós, para que não cometamos o mesmo
erro!
A
UNIDADE PRÁTICA DA IGREJA EM JERUSALÉM
É
curioso observarmos que os cristãos de Jerusalém passaram
a viver aquela maravilhosa experiência de unidade
somente depois que receberam o único fundamento na pessoa do
Espírito Santo. Jesus Cristo, em forma de abundante graça,
capacitou-os a serem "um". "Todos ficaram
cheios do Espírito Santo"; "...e recebereis o dom do Espírito Santo...então
os que aceitaram a palavra foram
batizados...". A
conseqüência inevitável foi perseverar
"na comunhão, no partir
do pão • nas orações”
At 2: 4, 38, 41, 42 .
(. Estavam sempre
juntos tinham tudo em comum, partiam pão de casa em casa,
e tomavam suas refeições com alegria e singeleza de coração
(v. 44 e 46 isso
aconteceu só depois de ficarem
cheios do Espírito Santo .
No capítulo quarto, temos outra
descrição do modo de vida daqueles cristãos: "Da multidão
dos que creram era um o coração e a alma" (At 4:32). Contudo, também aqui notamos que essa unidade de coração e de alma não teve origem num clichê comportamental, mas no fato de haver em todos eles "abundante graça", ou , nas palavras deste estudo, um transbordar do único fundamento - Jesus Cristo (v. 33).
O surpreendente é que, justamente
no versículo 31, os que anunciaram a palavra de Deus
â multidão dos que creram haviam antes ficado “Espírito
Santo". A versículo 32, "...
coração
e a alma " .
Somente quando presentes
o óleo estiverem presentes o óleo e o orvalho lá do alto é que os irmãos
passarão a viver unidos de forma
gratificante e deleitável. É o que se lê
no cântico de romagem do Salmo 133
"Oh!
Como é bom e agradável viverem
unido os irmãos!
É como o
óleo precioso sobre a cabeça. , o qual desce
para a barba, a barba. de Arão , e desce para a gola de suas vestiduras. É como o
orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião. Ali ordena o Senhor a
suas bênçãos, e a vida para sempre.
LOCALIDADE DEBILITADA
A doutrina da
"localidade", em sua essência, não passa de uma
tentativa humana de legislar a unidade. Watchman Nee
sentia que o mútuo consenso dos
cristãos em torno desse ensinamento
garantiria a unidade. Supôs que, se
os cristãos assumissem esse posicionamento, já não haveria mais espaço para
divisões.
Sem dúvida, essa doutrina traz
um certo apelo intelectual, por ser a unidade uma
boa coisa, algo maioria dos cristãos deseja. Todavia ela jamais surgir através de qualquer tipo de posicionamento, mas somente aparecerá quando a vida divina for
expressa por nosso intermédio .
Qualquer doutrina, não importando
quão acurada possa parecer, será sempre débil para produzir
a unidade. Somente Jesus Cristo tem o poder necessário
para abrir os corações de uns para de maneira que se verdadeira
unidade. Ainda que todos viéssemos a concordar com a
idéia da "localidade", nem por isso estaríamos mais próximos
da unidade. Por outro lado, se, juntos, simplesmente abrirmos
nossos corações a Jesus, tal atitude, com toda certeza,
trará a unidade genuína. Tudo o que a"localidade" tem capacidade de criar
- se é que tem qualquer capacidade - se resume numa espécie de resignação. Não confundamos conformidade com unidade.
O zelo e o idealismo em excesso podem
eventualmente conduzir os cristãos à prática de atos
que, apesar de "teologicamente
corretos", não são
gerados por Deus. Qualquer virtude que almejarmos viver em nossa experiência individual ou coletiva
deverá antes passar pela vida de Cristo em
nós. Watchman Nee,
em inúmeros livros, sempre ensinou que a paciência,
a humildade e outras qualidades
deveriam ser produzidas
pela vida de Cristo em
nós e não
pelas nossas próprias
forças. E lamentável, portanto, que
ele se tenha afastado desse
principio bíblico e tenha
incentivado os cristãos a tomar a iniciativa de
colocar em prática certos ideais "teologicamente corretos", sem antes
levar em consideração
o mover de Deus em seu interior,
que é antecedente necessário de todo e qualquer valor cristão
(cf. Gl 3:3; 5:4,5; 2:19-21; Fp 3:9; l
Co 15:10;
1:30,31; Ag 1:14).
ALGUNS
PROBLEMAS
Considerando que Deus nos proibiu
de lançar outros fundamentos, entre eles a "localidade",
precisamos saber qual o motivo dessa proibição. A
primeira conseqüência maligna resultante do fato de lançarmos outro
fundamento é a divisão.
A unidade, sem sombra de dúvidas, é algo muito bom a ser almejado.
Como é possível, então , que uma idéia tão maravilhosa
como a unidade possa ser utilizada para gerar divisão no Corpo de
Cristo? De início,
gostaríamos de lembrar que o próprio Jesus Cristo foi usado pelos coríntios de
forma facciosa (l Co
1:12). Desejar a unidade é uma coisa, mas
colocar-la como base de comunhão e de reunião é outra bem
diferente. Se estabelecermos a unidade como um tipo de concepção com que todos devam
concordar, antes
de estarem numa posição verdadeiramente correta diante de Deus,
estaremos lançando outro
fundamento. Lançar outra base para as
reuniões e para a comunhão da igreja é um
ato de divisão. Pouco importa
quão maravilhosa a idéia ou a base possa parecer.
Isso já aconteceu na igreja primitiva, e os coríntios foram achados culpados. O mesmo
acontece ainda hoje.
Que Deus tenha misericórdia de nós, para que abandonemos nossa
infantilidade e
estejamos abertos para todos os que são do Corpo de Cristo, não por concordarmos uns com os outros, mas porque Ele vive em nós!
Empenhemo-nos, também, em amar todos os nossos irmãos, em nos reunir com eles! Se eles possuem um fundamento errado e nós nos separamos deles, isso só irá piorar
o problema. Lembre-se: em
l Coríntios, havia
quatro "denominações";
Paulo, contudo, não
lhes recomendou que
iniciassem uma quinta para
corrigir aquela situação. A despeito da divisão ali reinante, ele considerou a todos como membros
da igreja local. Certamente
ele se reuniria em qualquer uma delas.
Possamos nós
também trilhar esse caminho.
Watchman
Nee foi feliz ao condenar o dar as mãos por cima da
cerca denominacional. Não deveríamos, é certo,
dar as mãos "por cima" de quaisquer barreiras,
mas "através" delas. A verdade é que, para aqueles que estão
no Espírito, não existem cercas.
Por sermos cristãos,
não deveríamos dar a estas tanta importância. Para os
outros podem parecer muito reais,
mas para aqueles que enxergaram
a realidade da igreja, as cercas não
existem. Estes são os que podem entrar e sair e
achar pastagem. As cercas que precisamos
derrubar primeiramente são as
nossas próprias, e não as dos outros. Quando
vivermos diante de Deus, segundo
a Sua vontade, os outros receberão
e imitarão nosso
exemplo. Se não tivermos nenhuma
cerca doutrinária,
experimentaremos uma unidade gloriosa com
todo cristão verdadeiro. Isso produzirá a verdadeira
unidade no Corpo de Cristo.
AS DENOMINAÇÕES SÃO PECADO?
Um dos ensinos principais utilizados
por Watchman Nee para justificar seu "posicionamento
na localidade" é o de que "as denominações são
pecado". Ele cria que, já que a divisão é pecado e que as denominações
são divisões, isso as transformava em pecado também.
Dada a importância que as "igrejas locais" depositam nessa
doutrina, seria proveitoso gastarmos algum tempo nesse
tema.
Embora não pareça, à primeira
vista, é necessário um verdadeiro "salto no escuro", para nos transpormos da
idéia de que a divisão é pecado para a
de que as ^denominações igualmente o são.
É-nos difícil imaginar que uma reunião de cristãos, que se agrupam em nome de Jesus Cristo, para adorá-Lo, para ler Sua palavra e orar, onde Sua presença é manifestada, possa, ainda assim, ser considerada por Deus como pecado. É também penoso aceitar que a única razão para isso
decorre do fato de não estarem posicionados
na "localidade". Mas, já
que eles insistem ser esse o motivo, examinemos
mais a fundo a questão.
No sentido rigoroso da expressão,
uma denominação não pode ser um pecado. Pecado é algo
que seres humanos cometem contra
Deus. Pecado é o denominacionalismo
ou o sectarismo, que sai do coração,
de que as pessoas podem participar e, sem dúvida, desagrada a Deus. São eles dois dos pecados que
dividem o Corpo de Cristo hoje.
Porém ninguém pode afirmar,
categoricamente, que todos os que
freqüentam uma denominação sejam
facciosos.
Todos sabemos que, na maior
parte das cidades, é praticamente impossível que todos
os cristãos se reúnam num só lugar. As próprias "igrejas locais"
possuem mais de um local de reunião em algumas cidades.
Em Taipé, capital de Formosa, a
"igreja local" tem dezenas
de locais de reunião. Se você for a
um desses locais e eu me dirigir a outro, isso não implicará, por si só, qualquer
divisão.
Pecado não
é algo que cometemos somente com o
nosso corpo.
Nosso coração precisa estar envolvido também. Todo pecado verdadeiro é algo que
primeiramente
ocorre dentro de nós e só depois produz um ato exterior.
Deuteronômio 19:4 diz: "Este é o caso tocante ao homicida que nelas se acolher, para
que viva: aquele que sem o querer ferir o seu próximo, a quem não aborrecia dantes". Temos,
ali, a situação de alguém que matou seu próximo sem intenção.
Deus não o considerava culpado.
Semelhantemente, muitos dos que freqüentam as
denominações não são facciosos em seus corações.
Simplesmente desejam buscar a Deus com outros cristãos. O freqüentar,
em si, não
chega a ser "pecado". Embora uma seita, ou uma denominação
em particular, possa manter uma atitude exclusivista
e facciosa, muitos dos seus membros, na prática, talvez
não vivam segundo essa regra. É provável que nem mesmo estejam
cônscios das convicções do grupo. Outra possibilidade, ainda, é a de
que alguns freqüentadores até possam concordar com os
pontos de vista da organização, sem,
contudo,
alimentar um sentimento de divisão.
Concluindo, devemos ver que
uma denominação apresenta muitas diferenças delicadas. Ainda
que nos deparemos, por exemplo, com uma reunião da igreja
ligada a uma superestrutura organizacional, não
seria correto condenar toda a situação como pecado. Como cristão,
para o bem da nossa consciência,
podemos nos afastar de certas atividades das
estruturas denominacional.. Todavia, quando nos separamos de outros cristãos e recusamos reunir-nos com
eles, praticamos divisão. É verdade que as circunstâncias não são assim tão
simples: tudo preto no branco.
É, portanto, de nossa responsabilidade
discernir aquilo que vem
de Deus. Devemos estar
aptos a edificar aquilo que
procede Dele e rejeitar o resto.
AS
SETE IGREJAS DA ÁSIA E A BASE
DA LOCALIDADE
Já vimos que o ideal seria que
todos os cristãos de uma localidade fossem "um", vivessem
em harmonia, falassem todos a mesma coisa, não tivessem
divisões; antes, fossem inteiramente unidos, na mesma
disposição mental e no mesmo parecer (l Co 1:10), e que,
inclusive, existisse ali um único presbitério que cuidasse
desses cristãos (At 14:23; Tt 1:5; l Tm 3:5).
Cremos, entretanto, que esse
ideal somente será atingido quando
todos vivermos no único fundamento -
Jesus Cristo. A partir de então, a unidade e a coordenação brotarão espontaneamente.
Dos capítulos segundo e terceiro de Apocalipse, podemos tirar várias conclusões interessantes para o nosso estudo sobre a "base da localidade". Embora cinco daquela.-5 sete igrejas apresentassem
problemas e defeitos gravíssimos, nem
por isso deixaram de ser consideradas igrejas de Deus em cada uma daquelas cidades.
É o que, no raciocínio hipotético
dos que defendem a doutrina da "base da localidade",
apenas o grupo de cristãos em Corinto, que não se teria
dividido dos demais grupos facciosos ("de Paulo",
"de Apoio", "de Cefas" e "de Cristo"), é que permaneceu na posição de igreja em
Corinto. Os demais, pertencentes àquelas "novas
denominações", já não podiam ser reconhecidos como "igreja
em Corinto", no sentido prático da palavra. Aventuram--se,
até mesmo, a usar o seguinte exemplo: "Se Paulo escrevesse
uma carta à igreja em Corinto, qual
daqueles grupos estaria apto a
recebê-la?". Afirmam os que
cultivam esse ensinamento que
obviamente o grupo que não se teria dividido seria o único destinatário da carta; os quatro outros, por se rotularem de diversos nomes, teriam deixado de ser "a igreja em Corinto". É o que ousam ensinar as "igrejas locais", não obstante o versículo segundo proíba essa interpretação, pois, ao se dirigir a todas aquelas facções, Paulo insistiu em chamá-las de "igreja
da deus. . . em Corinto".
A carta, portanto, foi enviada aos quatro grupos "denominacionais", ao contrário da versão imaginativa das "igrejas locais", que não aceitam a visão de Paulo, pois, segundo sua maneira de ver, os cristãos das denominações de hoje não podem ser considerados como "a igreja de Deus" na cidade em que eles se encontram. Acreditam as "igrejas locais" que essa designação seria de propriedade exclusiva dos defensores dessa doutrina. Estão a tal
ponto convictos desse
privilégio, que, em alguns casos, chegaram a registrar o nome "igreja em tal cidade",
para efeito jurídico, e a
inseri-lo em lista telefônica.
Os cristãos em Éfeso abandonaram
o primeiro amor. Em Pérgamo, havia os que sustentavam
a doutrina de Balaão, que os conduzia à idolatria e à
prostituição, e os que adotavam a doutrina
dos nicolaítas.
Em Tiatira, também existia prostituição, idolatria e até
os que se aprofundavam nas coisas de Satanás. Os cristãos
de Sardes estavam praticamente mortos, e os de Laodicéia
eram mornos e arrogantes. Contudo a todos eles
o Senhor Se dirigiu, chamando-os "a igreja" em suas respectivas
cidades.
Todos aqueles cristãos indiscriminadamente
- espirituais e carnais - foram considerados igreja de Deus naquelas localidades.
Entre os cristãos de Sardes,
que tinham nome de que viviam, e estavam mortos, havia uns
poucos que não contaminaram suas vestiduras, e que, por
essa razão, andariam de branco junto com Ele, pois eram dignos (Ap 3:1,4) . Esse grupo dos "vivos", entretanto, sob a ótica divina, não foi tido come uma entidade especial separada do grupo dos "mortos". Observamos que não só os "vivos", mas também os "mortos" foram vistos por Deus como Sua igreja em Sardes.
Até mesmo nesse caso extremo, em que o Senhor chegou a chamar a maior parte
dos cristãos de "morta", verificamos
que Ele via a todos como a "igreja, em Sardes".
"Jesus Cristo
ontem e hoje
é o
mesmo" (Hb 13:8) . Quando olha para os cristãos de uma
cidade, a despeito de todos
os pecados,
divisões, máculas e rugas, considera a todos, sem exceção,
Sua igreja naquela localidade. Não será demais repetir que, no exemplo clássico
usado pelas "igrejas locais", Paulo se dirigiu a todos
os grupos facciosos de Cor i n to como "a igreja de deus que
está em Corinto".
Não estamos aqui dizendo que o
Senhor, ao passar Seus olhos pelos cristãos que se acham
em cada uma das cidades do planeta, simplesmente ignora todos
os problemas, só por considerar
os cristãos S u a igreja
incondicionalmente. Com toda
a certeza, Ele tem muito a dizer
sobre o denominacionalismo e o sectarismo
existentes em cada igreja. Mas, como já ficou assentado.
Sua solução para a desunião será sempre Sua pessoa - o
único fundamento, a única base .
"Eu sou a
videira verdadeira . . . permanecei em mim e eu permanecerei
em vós. Como não pode o ramo
produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na
videira assim nem vos o
podeis dar, se não permanecerdes em mim"
(Jo
15:1,4).
Nenhum comentário:
Postar um comentário